segunda-feira, 1 de abril de 2013

O ULTIMATO BOURNE


O ULTIMATO BOURNE (The Bourne ultimatum, 2007, Universal Pictures, 114min) Direção: Paul Greengrass. Roteiro: Tony Gilroy, romance de Robert Ludlum. Fotografia: Oliver Wood. Montagem: Christopher Rouse. Música: John Powell. Figurino: Shay Cunliffe. Direção de arte/cenários: Peter Wenham/Tina Jones. Produção executiva: Doug Liman, Henry Morrison, Jeffrey M. Weiner. Produção: Patrick Crowley, Frank Marshall, Paul L. Sandberg. Elenco: Matt Damon, Joan Allen, Julia Stiles, Scott Glenn, Paddy Considin, Albert Finney, Daniel Bruhl. Estreia: 25/7/07

Vencedor de 3 Oscar: Montagem, Som, Edição de Som

Se já é difícil fazer com que uma continuação seja tão boa quanto o filme original, imagine a dificuldade de fazê-la ainda melhor. E se uma continuação é superior ao original, avalie as dificuldades de criar um terceiro capítulo que não decepcione aos fãs. Pois, se com "A supremacia Bourne" o cineasta Paul Greengrass realizou o milagre de superar a primeira parte da trilogia, "A identidade Bourne", com seu "O ultimato Bourne" ele conseguiu uma façanha ainda mais admirável: não apenas foi a maior bilheteria da série (mais de 400 milhões arrecadados mundialmente) e ganhou 3 Oscar como ainda é, de longe, o melhor filme da franquia.

Ao contrário do que acontece na maioria esmagadora das séries cinematográficas, o final da trilogia Bourne praticamente exige da plateia um prévio conhecimento da história que vem sendo contada desde o primeiro capítulo. Quem nunca sentou-se na poltrona para assistir às aventuras de Jason Bourne (Matt Damon) em busca de sua verdade particular e dos desdobramentos da famigerada Operação Treadstone até pode se divertir e ficar de queixo caído com as sequências de ação espetaculares criadas por Greengrass e sua equipe, mas provavelmente não vai ter a mesma experiência intensa dos fãs mais fieis, que finalmente vão testemunhar a resolução - barulhenta e empolgante - da trama criada pelo escritor Robert Ludlum.


Mantendo a mesma preocupação com o roteiro que seus antecessores - cortesia de Tony Gilroy, que no mesmo ano concorreria ao Oscar de direção por seu primeiro filme, "Conduta de risco" - "O ultimato Bourne" apara as arestas dos primeiros capítulos sem deixar de dar a devida importância ao elemento que fez da série o enorme sucesso que é: as cenas de ação delirantes e verossímeis, editadas com precisão cirúrgica (não à toa, levou a estatueta da Academia na categoria). A primeira meia-hora do filme, por exemplo, é espetacularmente construída de forma a deixar o espectador com a respiração suspensa, culminando com uma execução na Estação Waterllo, de Paris, que dá início à última aventura de Jason Bourne nas telas. Recheado de intrigas internas - e contando com o auxílio luxuoso de Joan Allen, Scott Glenn, Albert Finney e Paddy Considine como um repórter do Guardian que tem informações preciosas sobre a origem do protagonista - o filme de Greengrass é uma montanha-russa para adultos, divertimento de primeira para quem procura não apenas tiroteio e correria, mas também uma história interessante e bem contada.

Realizado com extrema competência - e sem preocupar-se com o politicamente correto que tanta graça tirou dos filmes de ação, inundando-os com piadinhas infames - "O ultimato Bourne" é um dos melhores filmes de espionagem da história. Não foi sem motivo que seu sucesso obrigou James Bond a repensar seu estilo no cinema.

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