quinta-feira

A PONTE DE WATERLOO

A PONTE DE WATERLOO (Waterloo Bridge, 1940, MGM, 108min) Direção: Mervin LeRoy. Roteiro: S.N. Behrman, Hans Rameau, George Froeschel, peça teatral de Robert E. Sherwood. Fotografia: Joseph Ruttenberg. Montagem: George Boemler. Música: Herbert Stothart. Figurino: Adrian, Gile Steele. Direção de arte/cenários: Cedric Gibbons/Edwin B. Willis. Produção: Sidney Franklin. Elenco: Vivien Leigh, Robert Taylor, Lucile Watson, Virginia Field, Maria Ouspenskaya, C. Aubrey Smith. Estreia: 17/5/40

2 indicações ao Oscar: Fotografia em P&;B, Trilha Sonora Original

Quando o filme "A ponte de Waterloo" foi lançado nos EUA, em 1940, a Polônia já havia sido invadida pelos alemães, e a França estava começando a passar pelo mesmo drama. Chegando aos cinemas em pleno desenvolvimento do conflito, o filme de Mervin LeRoy, adaptado de uma peça teatral de Robert E. Sherwood acabou por ser uma das primeiras produções que citava a tragédia enquanto ela ainda acontecia diante dos olhos do mundo. Estrelado por Vivien Leigh em seguida a seu sucesso estrondoso em "... E o vento levou", o filme é um melodrama romântico dos mais assumidos, repleto de lágrimas, segredos e um final capaz de deixar os mais sensíveis com lágrimas nos olhos. Não é à toa que é, dentre seus trabalhos, um dos preferidos de Leigh - que queria seu futuro marido Laurence Olivier no papel principal - e o favorito absoluto do protagonista masculino, Robert Taylor. Juntos, eles formam um dos pares românticos mais impactantes de sua época.

Narrado em forma de flashback - quando o oficial britânico Roy Cronin (Robert Taylor, simpático e envolvente) relembra a história ao passar pela ponte do título, durante os primeiros dias da II Guerra - a trama começa justamente nos primórdios do primeiro conflito mundial, quando ele conhece e se apaixona perdidamente pela jovem aspirante a bailarina clássica Myra Lester (Vivien Leigh). O romance entre os dois é avassalador, porque ele está em vias de viajar para a França, e ela sofre com a rigidez do treinamento da veterana Madame Olga Kirinova (Maria Ouspenskaya). Seu desejo de casar-se antes da viagem acaba sendo frustrado por motivos diversos, mas o rapaz promete manter seu compromisso assim que retornar. Um mal-entendido, porém, faz a moça julgá-lo morto - e, a partir daí, longe da companhia de balé e ao lado da amiga Kitty (Virginia Field), entra em um caminho de necessidades que a obriga a tomar decisões que irão mudar definitivamente sua vida.




Dirigido com sobriedade por Mervin LeRoy - autor de alguns clássicos indiscutíveis, como o drama policial "O fugitivo" (32) e o musical "Cavadoras de ouro" (33) - "A ponte de Waterloo" não tem vergonha de abraçar seu lado melodramático, talvez seu maior trunfo. Amparada pela belíssima trilha sonora de Herbert Stothart (indicada ao Oscar, assim como a fotografia de Joseph Ruttenberg), a trágica história de amor entre Roy e Myra é contada sem maiores arroubos criativos, mantendo o interesse da plateia graças principalmente ao roteiro linear e dramático bem ao gosto do público médio de sua época e à química entre seus dois atores centrais. Seja nas sequências em que veem seu amor surgir - em meio a bailes e a explosões de bombas pelas ruas londrinas - seja nos momentos de maior dramaticidade depois de seu reencontro, Leigh e Taylor esbanjam carisma e talento, o que torna fácil a qualquer um torcer por seu final feliz mesmo quando é inevitável que o destino já esteja planejando das suas para impedí-lo.



"A ponte de Waterloo" é, no final das contas, um grande e eficiente melodrama, realizado à moda antiga por um cineasta de grande talento em saber como seduzir seu público utilizando-se de todos os meios à sua disposição. Nem mesmo o fato de Laurence Olivier ter sido preterido pela MGM no papel principal masculino - ele acabou indo fazer Mr. Darcy em uma versão de "Orgulho e preconceito", baseado em livro de Jane Austen - enfraquece o resultado final. Quando Roy e Myra estão dançando e se apaixonando sob o testemunho do público, fica bem claro que Hollywood é especialista em criar grandes e dolorosas histórias de amor.

quarta-feira

O CORCUNDA DE NOTRE DAME

O CORCUNDA DE NOTRE-DAME (The hunchback of Notre Dame, 1939, RKO Radio Pictures, 117min) Direção: William Dieterle. Roteiro: Sonya Levien, adaptação de Bruno Frank, romance de Victor Hugo. Fotografia: Joseph H. August. Montagem: William Hamilton, Robert Wise. Música: Alfred Newman. Figurino: Walter Plunkett. Direção de arte/cenários: Van Nest Polglase/Darrell Silvera. Produção: Pandro S. Berman. Elenco: Charles Laughton, Maureen O'Hara, Cedric Hardwicke, Thomas Mitchell, Edmond O'Brien, Alan Marshal. Estreia: 29/12/39

2 indicações ao Oscar: Trilha Sonora Original, Som

Em 1831, quando o escritor francês Victor Hugo lançou aquele que se tornaria mais uma de suas obras-primas, "O corcunda de Notre Dame", seu livro lidava, entre outras coisas tais como intolerância e a hipocrisia religiosa. Quando Hollywood resolveu transpor sua história para as telas pela primeira vez, em 1923, ainda na época do cinema mudo e com Lon Chaney no papel principal, sua trama central já estava, graças aos severos códigos de censura que ditavam os rumos das produções, bem menos desafiadora e crítica. Algumas alterações na história central suavizaram o tom iconoclasta do romancista e o filme estreou sem maiores problemas. Por isso, não é de surpreender que a mais bem considerada versão do livro para o cinema, lançada no final de 1939, siga as mesmas diretrizes pouco ofensivas à moral e aos bons costumes do público que assistia, à mesma época, filmes como "... E o vento levou". Realizado sob os olhares rígidos do Código Hays, "O corcunda de Notre Dame", de William Dieterle, aceita as modificações de seu antecessor, mas não deixa de ser um espetáculo de primeira grandeza, comandado por uma atuação impecável do britânico Charles Laughton.

Um dos filmes mais caros produzidos até então pela RKO - sob um custo estimado de 1,8 milhão de dólares - e precedido por uma campanha de marketing agressiva e que escondia da plateia um de seus maiores trunfos (a pesada maquiagem que levava duas horas e meia por dia para ser aplicada em Laughton), "O corcunda de Notre Dame" tinha como principal meta suplantar na memória do público a versão realizada doze anos antes. Da estreia do filme com Chaney até 1939, diversas outras versões da mesma história chegaram perto de se tornarem realidade - em especial uma produção da Universal, em 1932, dirigida por John Huston e estrelada por Boris Karloff como parte de sua série de monstros; e uma outra, em 1937, na MGM, que teria Peter Lorre no papel-título. Para sorte do produtor Irving Thalberg, no entanto, nenhum dos projetos passou da fase de especulações, e o que parecia apenas um sonho em 1934 (quando ele apresentou a ideia ao ator inglês), finalmente tornou-se realidade. Deixando para trás nomes como Bela Lugosi, Claude Rains, Lon Chaneu Jr. e até mesmo Orson Welles - todos considerados para a hipótese de o Setor de Imigração impedí-lo de atuar nos EUA - Charles Laughton criou a mais brilhante representação, nas telas, do anti-heroi de Victor Hugo, impressionante até mesmo nos cínicos dias de hoje.


A trama engendrada por Victor Hugo - e roteirizada por Sonya Levien a partir de uma adaptação de Bruno Frank - se passa na França do século XV, sob os domínios do Rei Louis XI (Harry Davenport). Em Paris, existe um preconceito generalizado contra ciganos e é nesse ambiente em que a bela Esmeralda (Maureen O'Hara) chega com seu grupo e desperta o fascínio de Frollo (Cedric Hardware), o irmão do Arcebispo (Walter Hampden). Incapaz de lidar com o desejo por alguém que considera inferior, Frollo incrimina Esmeralda por um assassinato que ela não cometeu. Respeitado por sua posição social e homem das leis, ele acaba por condenar a cigana à morte. Na hora de sua execução, porém, ela é salva por Quasímodo (Charles Laughton), o sineiro da catedral de Notre Dame, que, deformado e mantido escondido pelo Arcebispo devido a suas deformidades físicas, é frequentemente exposto a humilhações e zombarias por parte do povo. Protegendo Esmeralda - que um dia havia sido a única a oferecer-lhe água depois de uma sessão de chicotadas a qual ele fora condenado injustamente - nos domínios da catedral, considerado lugar neutro, Quasímodo mostra à ela que seu aspecto monstruoso difere muito de sua alma e seu coração puro.

Mesmo se distanciando do romance original, a versão dirigida por William Dieterle - cineasta de origem alemã que também assinou os oscarizados "A história de Louis Pasteur" (35) e "Emile Zola" (36) - é um filme brilhante, equilibrando com perfeição uma contundente crítica social com uma fascinante história de amor platônico. A atuação inesquecível de Charles Laughton, que transmite toda a dor da rejeição pela diferença reflete o belo trabalho de John Hurt em "O homem elefante", realizado 41 anos mais tarde, e sua relação com Esmeralda foge com inteligência do grotesco ou do simplesmente pueril, graças principalmente à bela química do ator com Maureen O'Hara - não à toa, escolhida pessoalmente por ele para integrar o elenco. Sem um galã romântico tradicional forte o bastante para fazer frente ao carisma de Quasímodo, o corcunda acaba por tornar-se o anti-herói, em mais uma subversão dramática que engrandece o filme e o transforma em uma experiência única.

terça-feira

JEZEBEL

JEZEBEL (Jezebel, 1938, Warner Bros, 104min) Direção: William Wyler. Roteiro: Clements Ripley, Abem Finkel, John Huston, peça teatral de Owen Davis. Fotografia: Ernest Haller. Montagem: Warren Low. Música: Max Steiner. Figurino: Orry-Kelly. Direção de arte: Robert Haas. Produção executiva: Hal B. Wallis. Produção: William Wyler. Elenco: Bette Davis, Henry Fonda, Fay Binter, George Brent, Margaret Lindsay, Donald Crisp. Estreia: 10/3/38

5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Atriz (Bette Davis), Atriz Coadjuvante (Fay Binter), Fotografia, Trilha Sonora Original
Vencedor de 2 Oscar: Atriz (Bette Davis), Atriz Coadjuvante (Fay Binter) 


Hollywood, como todos sabem, vive de lendas. E uma das mais firmemente presas ao inconsciente coletivo é aquela que diz que, arrasada por ter perdido o papel de Scarlett O’Hara na adaptação para as telas do épico “... E o vento levou”, de Margaret Mitchell, Bette Davis deu o troco à Warner da melhor maneira possível: criando uma personagem similar em uma história passada no mesmo período histórico e, como tiro de misericórdia, ganhando um Oscar de melhor atriz por ele. Seria uma bela história. Se não fosse apenas mais uma lenda. Tudo bem que Scarlett (que deu à Vivien Leigh o Oscar no ano seguinte) e Julie Morrison – personagem de Davis em “Jezebel” – tem personalidades semelhantes, são fortes e determinadas (além de sulistas durante a Guerra de Secessão), mas o filme de William Wyler NÃO foi uma resposta de Davis a ninguém. Não apenas o nome da atriz principal de “... E o vento levou” ainda não havia sido escolhido quando “Jezebel” começou a ser filmado, como o próprio Selznick recusou-se a testar Davis para o papel justamente por ter ficado irado com o que julgava uma espécie de sabotagem contra seu tão acalentado projeto. Esse conflito de datas pode até jogar um balde de água fria naqueles que gostam de uma boa fofoca de bastidores, mas é apenas mais uma prova de que não é de hoje que Hollywood adora desenvolver filmes com temática semelhante ao mesmo tempo.


Escrita por Owen Davis e fracasso de bilheteria na Broadway na temporada 1934/35, “Jezebel” teve seus direitos comprados pela Warner a preço de banana. Tal sorte financeira, porém, não se repetiu durante as filmagens, que se arrastaram por quase um mês a mais do que o previsto: com um custo adicional de 400 mil dólares ao orçamento inicial, “Jezebel” confirmou a forma particular de direção do cineasta William Wyler, que costumava repetir um take até sentir-se particularmente satisfeito com ele. Tal método de trabalho – que fez com que Humphrey Bogart tivesse tentado dissuadir seu amigo Henry Fonda de fazer o filme – foi em boa parte responsável pelos constantes atrasos no cronograma e até mesmo pelos problemas de relacionamento entre ele e sua estrela Bette Davis (ao menos até que dois motivos a fizeram baixar a guarda: a constatação de que Wyler sabia o que estava fazendo ao exigir dela a mesma cena diversas vezes e o início de um conturbado romance com o diretor). Vendo seu casamento com Ham Nelson naufragando a cada dia, Davis apaixonou-se por Wyler mesmo já estando envolvida com seu colega de elenco, Henry Fonda – que por sua vez não só era casado como estava em vias de tornar-se pai de sua segunda filha, Jane. Em mais uma das lendas que correm a respeito do filme, Davis fingiu-se de doente para não aparecer nos últimos dias das filmagens por saber que o último take seria também sua despedida do cineasta que, dizem, era o pai do bebê que ela esperava - uma reviravolta inesperada para uma relação que havia começado com o pé esquerdo seis anos antes, quando Wyler, durante os testes para o filme "A house divided", comentou com um membro da equipe que detestava atrizes que julgavam que mostrar o corpo as ajudariam a ganhar um papel (a indireta era para Davis, que estava vestida com um figurino alguns números menores por erro alheio).

O fato é que, independentemente de seus problemas e confusões nos bastidores, "Jezebel" é uma obra que se sustenta, e muito bem, sem nada disso. Calcado fortemente na direção inspiradíssima de William Wyler e na atuação monstruosa de Bette Davis, o filme é uma adaptação inteligente e rica em crítica social que destoa radicalmente daquele que tornou-se, mesmo sem querer, seu maior rival no ideário dos cinéfilos, "... E o vento levou": ao contrário do que acontece na obra estrelada por Vivien Leigh e Clark Gable, onde a história de amor entre os protagonistas é orquestrada como um épico onde a Guerra de Secessão surge como um pano de fundo filmado em luxuoso technicolor, em "Jezebel" o espectro do conflito assume ares mais sérios e melancólicos - cortesia da bela fotografia em preto-e-branco de Ernest Haller, que, por coincidência, também assinou o filme de Selznick.

Passeando por uma New Orleans triste e castigada por um conflito que opôs cidadãos e famílias até então amigas, a câmera de Haller não tenta fazer da história um espetáculo e acaba por transformar os dramas de sua protagonista, Julie Morrison, no principal ponto de interesse do filme.

Uma jovem à frente do seu tempo, voluntariosa e pouco afeita a regras que fogem à sua compreensão, Julie não hesita em escandalizar a sociedade sulista da metade do século XIX, assumindo posições transgressoras aparentemente simples mas radicalmente chocantes a seus contemporâneos, como usar um vestido vermelho em um baile para toda a alta sociedade - quando se espera que moças virgens usem apenas branco. É justamente essa sua ousadia que acaba por afastá-la do homem que ama, Preston Dillard (Henry Fonda), que não consegue conceber a ideia de casar-se com uma mulher tão caprichosa. Dando o noivado por acabado, ele abandona a cidade e viaja para a Filadélfia, onde passa três anos. Sua volta é que que deflagra o processo de autodestruição e vingança em Julie - cuja ligação com Jezebel (a personagem bíblica cujos pecados acarretaram destruição e peste) surge através da veterana Belle Massey (Fay Binter, vencedora do Oscar de coadjuvante no mesmo ano em que também concorreu na categoria principal por "Novos horizontes"). O reencontro de Julie e Preston se dá de forma trágica e redentora, que, graças ao bom roteiro e à direção sensível de Wyler, jamais soam pedantes ou como um sermão.

"Jezebel" é, enfim, um grande filme, que merece, depois de todas essas décadas, finalmente sair da sombra de "... E o vento levou". Apesar de suas semelhanças (nem tão absurdas assim, afinal de contas), são duas grandes obras cinematográficas que devem ser vistas da maneira correta: dois filmes excelentes, com ambições diversas e resultados impecáveis. E Bette Davis é sempre uma atriz superlativa, capaz de fazer com que um mero dar de ombros tenha um efeito dramático devastador na plateia e nos colegas de cena. Se isso não for um motivo mais do que imenso, o que seria?

segunda-feira

A DAMA DAS CAMÉLIAS

A DAMA DAS CAMÉLIAS (Camille, 1936, MGM, 109min) Direção: George Cukor. Roteiro: Zoe Akins, Frances Marion, James Hilton, romance e peça teatral de Alexandre Dumas Filho. Fotografia: William Daniels. Montagem: Margareth Booth. Música: Herbert Stothart. Figurino: Adrian. Direção de arte/cenários: Cedric Gibbons/Henry Grace, Jack D. Moore. Produção: Bernard H. Hyman, Irving Thalberg. Elenco: Greta Garbo, Robert Taylor, Lionel Barrymore, Elizabeth Allan, Jessie Ralph. Estreia: 12/12/36

Indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Greta Garbo)

Logo no início de "A dama das camélias" - caprichada versão da MGM da famosa peça teatral de Alexandre Dumas Filho (por sua vez adaptado de seu próprio romance) - a protagonista, Marguerite Gautier confunde o jovem Armand Duval com um poderoso empresário que poderá lhe servir como novo amante. Famosa cortesã da Paris da metade do século XIX, ela acaba por se apaixonar por Armand graças a esse pequeno mal-entendido inicial. Se alguém reconhecer a cena e não souber de onde, basta lembrar de "Moulin Rouge", lançado por Baz Luhrmann em 2001: em sua inesquecível colcha de retalhos pop, o cineasta australiano fez com que Nicole Kidman e Ewan McGregor iniciassem sua história de amor da mesma maneira - e no decorrer do roteiro ainda deu um jeitinho de fazer outras explícitas homenagens à sua grande inspiração. Não é para menos: com uma belíssia Greta Garbo no papel de Marguerite - ou Camille, devido à sua paixão por camélias - o filme de George Cukor, conhecido por seu talento em arrancar interpretações viscerais de suas estrelas, é uma das mais arrebatadoras histórias de amor de sua época e uma das maiores influências do gênero - tanto no cinema quanto na teledramaturgia.


Escolhido pela própria Garbo como seu filme preferido dentre toda a sua obra, "A dama das camélias" tem uma história mais do que conhecida, graças a suas constantes imitações, homenagens, refilmagens e modernizações. Mesmo assim, em boa parte devido à força da atriz e da direção de Cukor, muitas vezes deixa a plateia encantada com sua fluência e coragem em eleger, em plena década de 30, uma prostituta como personagem principal. Essa ousadia reflete a do próprio Dumas, cuja peça original estreou em 1852, na mesma Paris que lhe serve de cenário: baseando Marguerite em uma jovem com ele mesmo havia tido um avassalador relacionamento e que havia morrido com apenas 23 anos, o autor acabou por criar um dos mais icônicos e duradouros personagens românticos da história. O fato de que tal personagem ter encontrado em determinado momento de sua trajetória uma intérprete do gabarito de Greta Garbo é, no mínimo, mágico. E à plateia resta admirar tal casamento.


Como dito anteriormente, a trama de "A dama das camélias" é uma daquelas que todos conhecem, talvez até como parte do inconsciente coletivo. Marguerite Gautier é uma cortesã francesa tão admirada quanto invejada nos altos círculos da sociedade parisiense. Como forma de garantir seu sustento, ela aceita os favores de um aristocrata, o Barão de Varville (Henry Daniell), mas sente-se incapaz de resistir aos encantos do jovem Armand Duval (Robert Taylor), filho de um influente empresário da cidade. Os dois passam a viver um romance idílico, mas ela esconde do rapaz a constante piora de sua saúde. Além disso, a pressão do pai de Armand para que ela o abandone começa a minar a relação a ponto de testar seu amor. A vida frívola e inconsequente de Marguerite se vê, então, diante do dilema de manter a felicidade romântica ao lado do homem que ama ou salvá-lo da desgraça de tornar-se um pária junto à sociedade.

Conduzido com extrema elegância e sutileza por um cineasta ciente do poder de sua estrela, "A dama das camélias" é um melodrama romântico à moda antiga. Explorando ao máximo o glamour e o charme tanto de Greta Garbo quanto dos cenários que a rodeiam, o filme de Cukor é uma aula de sofisticação. Sem exagerar nem nas lágrimas nem nos momentos mais leves, o roteiro mantém um ritmo que equilibra com extrema competência os elementos dramáticos e o tom quase etéreo que acompanha a vida de Marguerite em sua vida boêmia. Quando chega a seu clímax é impossível não se deixar levar pela emoção provocada por uma história honesta, simples e bem interpretada por um dos maiores mitos do cinema. Imperdível!

domingo

A DAMA OCULTA

A DAMA OCULTA (The lady vanishes, 1938, Gaumont-British Studios, 96min) Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Sidney Gilliat, Frank Launder, romance "The wheel spins", de Ethel Lina White. Fotografia: Jack E. Cox. Montagem: R.E. Dearing. Música: Louis Levy, Charles Williams. Direção de arte: Vetchinsky. Produção: Edward Black. Elenco: Margaret Lockwood, Michael Redgrave, Paul Lukas, Dame May Whitty. Estreia: 07/10/38

Paris, 1880. Uma senhora e sua filha chegam à cidade, hospedam-se em um hotel e a mãe adoece no quarto. O médico chamado conversa com o dono do estabelecimento e, logo após avisar à jovem que a doente precisa de medicamentos, a manda para o outro extremo da Cidade-luz. Algumas horas mais tarde, ao retornar ao hotel para visitar a mãe, a viajante é surpreendida com o fato de que ninguém no hotel lembra delas - e o pior: até mesmo o quarto onde estavam hospedadas já não é mais o mesmo, com móveis e papel de parede diferentes. Essa história, intrigante e surpreendente, foi o mote de um filme chamado "Angústia de uma alma", estrelado por Jean Simmons, e uma produção de meia hora de duração, feita para a televisão pelo cineasta Alfred Hitchcock. O próprio Hitchcock gostou tanto das possibilidades da trama que voltou a ela em 1938, dessa vez inspirado em um romance de Ethel Lina White chamado "The wheel spins". Penúltimo filme de sua fase inglesa - encerrada com "A estalagem maldita", feito por encomenda - "A dama oculta" é um programa dos melhores, com a assinatura do mestre do suspense em sequências de grande inspiração (ainda que por vezes pudesse beneficiar-se de uma edição um tantinho mais enxuta).

Tratando de alguns dos temas mais caros ao cineasta, como paranoia e tramas de espionagem envolvendo pessoas aparentemente comuns, "A dama oculta" tinha fãs do mais alto gabarito. O francês François Truffaut, por exemplo, afirmava sem medo de que o filme era o seu preferido entre as obras de Hitchcock. Orson Welles alegava tê-lo assistido onze vezes. E dois de seus personagens, Charles (Basil Radford) e Caldicott (Naunton Wayne), tornaram-se populares junto ao público a ponto de voltarem à cena em outros dois filmes, "Gestapo" (40) e "Milhões como nós" (43) - nenhum deles sob o comando do diretor. Com um elenco que por pouco não contou com a bela Vivien Leigh em vias de tornar-se estrela internacional com "... E o vento levou" (39), o filme de Hitchcock começa como uma comédia ligeira e inconsequente, apresentando seus personagens em uma hospedaria lotada além de sua capacidade graças a uma nevasca que obriga aos passageiros de um trem em direção a Londres a passarem uma noite em situação desconfortável e inusitada. É nessa hospedaria que o roteiro apresenta sua protagonista, Iris Henderson (Margaret Lockwood), uma jovem que, depois de passar alguns dias de férias no pequeno país de Mandrika, está voltando à Inglaterra para casar-se com seu noivo. É no meio de toda essa confusão que ela conhece a dócil Miss Froy (Dame May Whitty), com quem simpatiza de imediato - ao contrário do que acontece com o músico Gilbert (Michael Redgrave).


A coisa realmente começa a pegar fogo no trem em que finalmente todos embarcam. Depois de mais alguns momentos de conversa com Miss Froy - uma professora de música e babá - Iris tira um cochilo e quando acorda, descobre, sobressaltada, que não apenas sua nova amiga desapareceu: simplesmente ninguém se recorda de tê-la visto. Considerada unicamente como parte da imaginação de Iris (que bateu levemente a cabeça antes do início da viagem), a idosa torna-se lembrança exclusiva da jovem - até que justamente Gilbert, o rapaz que lhe havia despertado sentimentos pouco agradáveis, passa a acreditar nela e, a seu lado, inicia uma investigação que envolve médicos suspeitos, freiras pouco tradicionais e um grupo de passageiros que pode ou não ter relação com o desaparecimento.

Não convém revelar aqui os desdobramentos que o filme (inspirado no romance de Lina White) dá ao caso. De forma sutil e surpreendente - e até um tanto forçada, por que não? - Hitchcock mostra porque tornou-se um dos cineastas mais importantes e influentes da história. Utilizando-se de pequenos truques visuais para enfatizar ideias ou transformar cenas aparentemente banais em momentos de puro cinema, ele conduz o espectador por um caminho que vai do entretenimento ligeiro ao mais puro suspense, entregando, de quebra, um comentário sobre a política europeia ainda durante a II Guerra. "A dama oculta" são dois filmes em um e, apesar de nem sempre funcionar às mil maravilhas em todas as suas linhas narrativas, ainda é uma grande obra de Hitchcock. E em tempo: para concluir a história que deu origem à trama, descobriu-se, em seguida, que a desaparecida mãe da jovem que visitava Paris estava contaminada com uma peste contraída na Índia e, para impedir o pânico dos turistas que circulavam pela capital francesa à época, decidiu-se esconder o caso da população... e da filha da doente.

sexta-feira

O HOMEM INVISÍVEL

O HOMEM INVISÍVEL (The invisible man, 1933, Universal Pictures, 71min) Direção: James Whale. Fotografia: R.C. Sheriff, romance de H.G. Wells. Fotografia: Arthur Edeson. Montagem: Ted Kent. Música: Heinz Roemheld. Direção de arte: Charles D. Hall. Produção: Carl Laemmle Jr.. Elenco: Claude Rains, Gloria Stuart, William Harrigan, Henry Travers, Una O'Connor. Estreia: 13/11/33


Quando recebeu o convite da Universal para adaptar o romance “O homem invisível”, de H.G. Wells, o roteirista R.C. Sherriff tomou um susto: depois de ler o livro (um clássico da ficção científica já no início dos anos 30), percebeu que todas as 14 (!!) tentativas de adaptação feitas antes que ele assinasse contrato fugiam radicalmente da história original. Não que os criativos roteiristas anteriores mudassem um nome ou outro ou alterassem o desfecho da trama: eles simplesmente chegavam ao extremo de transferir a narrativa para cenários e tempos absolutamente díspares, como a Rússia czarista e Marte. Decidido a escrever uma adaptação com o máximo possível de fidelidade, Sherriff acabou por atingir um nível de excelência admirável. Dirigido por James Whale – de “Frankenstein” – com sua habitual inteligência, “O homem invisível” é um dos mais interessantes produtos do estúdio em sua fase de lucrar com histórias de monstros.

Contado com um insuspeito senso de humor que muitas vezes disfarça o tom bem mais violento e cruel do que as histórias que fizeram a glória do estúdio nos anos 30 – como “Drácula” e “Frankenstein” – “O homem invisível” já começa surpreendendo o público, acostumado a histórias de cientistas malucos que vão enlouquecendo aos poucos: logo de cara o protagonista, Jack Griffin (Claude Rains), chega a uma hospedaria no interior dos EUA e exige privacidade em sua estadia. Vestido com roupas de inverno, óculos escuros e bandagens, ele desperta a curiosidade dos donos do lugar, mas não demora a deixar claro os motivos de sua discrição. Em uma cena cujos efeitos especiais não deixam nada a desejar à tecnologia de hoje, Griffin revela sua invisibilidade aos atônitos frequentadores do local – que, chocados, entram em contato com a polícia, que passam a caçar o cientista.

É só então que o público irá começar a entender os motivos que levaram Griffin à situação em que se encontra. Como não poderia deixar de ser em histórias sobre cientistas malucos que desde sempre povoam a literatura e o cinema, o roteiro de Sheriff mostra o protagonista como vítima dos inesperados efeitos colaterais de uma experiência que não apenas o deixa invisível (e por consequência afeta drasticamente sua psique) como o joga em rota de colisão com seu sócio/rival, Arthur Kemp (William Harrigan) - um homem que aproveita a situação para livrar-se do homem que lhe impede o acesso à mulher que ama, Flora Cranley (Gloria Stuart, que mais de sessenta anos depois, voltaria a conhecer a fama ao ser indicada ao Oscar de coadjuvante por "Titanic", de James Cameron). Apaixonado por Flora, Arthur será o responsável por colocar a polícia e a população atrás de Griffin, em uma perseguição com consequências trágicas e brutais.

            
Mesclando com equilíbrio raro a comédia física e um suspense que vai se acentuando gradualmente, James Whale faz um filme ainda melhor do que sua mais famosa obra, “Frankenstein” (31). Contando com a atuação impressionante de Claude Rains em seu primeiro papel no cinema falado, Whale conduz sua narrativa de forma a jamais deixar que a plateia antecipe o que virá pela frente. A forma com que o roteiro transforma Griffin de vilão em anti-herói é brilhante (quando ele começa a ser caçado sem piedade fica difícil não torcer por sua fuga) e o clímax do filme é dos mais empolgantes do gênero - isso sem falar que Jack Griffin é um vilão dos mais excitantes dos filmes da Universal, já que não hesita em matar qualquer um que atrapalhe seus planos, como mostra a impressionante sequência de um desastre de trem (realizada, vale lembrar, antes do advento dos efeitos digitais).

Realizado com elegância e sutileza por um James Whale no auge da criatividade, “O homem invisível” se beneficia – e muito – do talento de Claude Rains, que abre mão da vaidade ao interpretar um personagem de quem só se conhece a voz até os minutos finais de projeção: amparado por ótimos efeitos visuais, Rains consegue transmitir todas as nuances de seu personagem através da modulação da voz, um desafio que cumpre com louvor. É Rains a alma do filme – já que o corpo, obviamente, não é visto até o desfecho – e faz dele um dos melhores do pacote de monstros da Universal.

quinta-feira

ACONTECEU NAQUELA NOITE

ACONTECEU NAQUELA NOITE (It happened one night, 1934, Columbia Pictures,105min) Direção: Frank Capra. Roteiro: Robert Riskin, conto de Samuel Hopkins Adams. Fotografia: Joseph Walker. Montagem: Gene Havlick. Música: Howard Jackson. Figurino: Robert Kalloch. Direção de arte: Stephen Goosson. Produção: Frank Capra. Elenco: Clark Gable, Claudette Colbert, Walter Connolly, Roscoe Karns, Jameson Thomas. Estreia: 22/02/34

Vencedor de 5 Oscar: Melhor Filme, Diretor (Frank Capra), Ator (Clark Gable) Atriz (Claudette Colbert), Roteiro

Na primeira metade da década de 30, a Columbia Pictures não era exatamente uma grande potência dentre os estúdios de cinema de Hollywood – sua situação era tão humilhante que os presidentes da MGM e da Warner à época costumavam emprestar alguns de seus maiores astros para seus filmes como forma de castigá-los por alguma travessura. Foi assim, por exemplo, que Clark Gable (ainda antes de forjar sua eternidade no mundo do cinema com o épico “... E o vento levou”, lançado em 1939) acabou no elenco de “Aconteceu naquela noite”, uma produção barata e sem maiores ambições que, dirigida por Frank Capra, acabou por tornar-se um estrondoso sucesso de público e crítica – e, de quebra, foi a primeira produção da história a ganhar os cinco principais Oscar (filme, diretor, ator, atriz e roteiro). Pagando pena devido a seu escandaloso romance com Joan Crawford - que não agradou nem um pouco à MGM – Gable entrou no filme já com o pé esquerdo (à sua primeira reunião com Capra ele chegou bêbado e nem se deu ao trabalho de ser simpático) mas hoje é difícil ver outro ator no papel do cínico jornalista Peter Warne – e nessas horas é bom agradecer ao acaso o fato de ele ter sido recusado por Claude Rains e Robert Montgomery.

Aliás, o acaso jogou muito bem na montagem da equipe de “Aconteceu naquela noite”. Se a recusa de Carole Lombard em viver a mimada Ellie Andrews adiou em alguns anos seu casamento com Gable – se é que eles se apaixonariam de verdade durante as filmagens – ela serviu para que o papel caísse no colo de Claudette Colbert, que, aliás, não estava nem um pouco interessada em voltar a trabalhar com Frank Capra depois do fracasso comercial de seu primeiro encontro, “Filhos da fortuna” (27). Seu desinteresse pelo projeto acabou minado pela insistência do cineasta, que lhe prometeu o dobro de seu salário na Paramount por apenas quatro semanas de filmagens – a atriz não apenas acabou aceitando o papel em um filme que não lhe agradava (“acabei de fazer o pior filme da minha vida!”, ela confidenciou a uma amiga no último dia de trabalho) como passou a perna em ninguém menos que Bette Davis, interessadíssima em participar do projeto mas impedida pela Warner, com quem tinha contrato.


O interesse de Davis, diga-se de passagem, era uma surpresa, já que praticamente ninguém em Hollywood parecia muito entusiasmado em fazer parte da comédia romântica de Capra. Colbert, por exemplo, foi a sexta atriz sondada para o papel central – nomes como Loretta Young, a já citada Carole Lombard e Myrna Loy já haviam declinado do convite – e Robert Montgomery chegou a anunciar a quem quisesse ouvir que o roteiro era o pior que ele já havia lido. Foi aí que Capra entrou na jogada e chamou Robert Raskin para reescrever tudo do começo. Baseado em um conto chamado “Bus stop”, escrito por Samuel Hopkins Adams e publicado na revista “Cosmopolitan” (a “Nova” dos EUA), Raskin acabou criando uma deliciosa e divertida história de amor que acabou por se tornar a maior das referências do gênero “comédia romântica” – uma influência sentida até os dias de hoje.
Dono de um frescor e de uma inteligência que se mantém intactas mesmo depois de mais de sete décadas, “Aconteceu naquela noite” deve muito de seu ritmo ágil e de sua capacidade de empatia à direção elegante e esperta de Frank Capra, que mais tarde se tornaria um dos cineastas mais importantes dos EUA ao equilibrar um otimismo à toda prova e doses discretas de cinismo em filmes como “A felicidade não se compra” e “O galante Mr. Deeds”. Imprimindo à sua narrativa um tom moderno e algumas ousadias nada ameaçadoras, Capra conta a história de um amor nascido das diferenças, mas o faz com um olhar impiedoso e paradoxalmente carinhoso. Ellie Andrews (Claudette Colbert) é a herdeira de um empresário milionário que briga com o pai porque ele não aceita seu casamento com o playboy King Westley (Jameson Thomas). Para fugir do domínio paterno, ela pega um ônibus em direção à Nova York e se torna alvo de uma caçada nacional – há até uma recompensa para quem conseguir encontrá-la. Quem a encontra, por acaso, é Peter Warne (Clark Gable), um jornalista recém demitido que vê na jovem a chance de uma volta por cima. Uma série de imprevistos na viagem acaba por juntar os dois – sem que ela sequer desconfie que ele tem interesses financeiros por trás de sua gentileza um tanto rude. Logicamente, porém, as cartas acabam se embaralhando quando ele se apaixona por ela – e passa a ser correspondido mesmo sem saber.
A trama simples de Riskin é levada com humor e leveza da primeira à última cena, e o Oscar de roteiro é plenamente justificado graças às inúmeras sequências antológicas preparadas pela trama. É nesse filme, por exemplo, que Colbert mostra as pernas para conseguir uma carona e que os dois atores são obrigados a comer cenouras cruas para matar a fome. É de “Aconteceu naquela noite”, também, a famosa cena em que Gable mostra o peito nu debaixo de sua camisa: à época era comum que se usasse uma outra camisa por baixo da primeira e tal cena fez com que a venda das camisas de baixo caísse a níveis alarmantes, a ponto de uma empresa ter pensado em processar a Columbia (mal sabia ela que tudo aconteceu apenas porque o ator não conseguia dizer o texto tirando mais de uma peça de roupa).
No final das contas, “Aconteceu naquela noite” passou de azarão a campeão. Lançado em cinemas secundários nos EUA, aos poucos o filme começou a demonstrar uma popularidade surpreendente, e a Columbia aumentou o número de salas para ver-se alçada, ao final da temporada, a um nível superior dentro da hierarquia dos estúdios. Vencendo os cinco Oscar a que concorria – Colbert nem esperava ganhar e foi pega de surpresa com a vitória no mesmo ano em que tinha outros dois filmes na disputa, “Cleópatra” e “Imitação da vida” – a pequena obra-prima de Frank Capra é hoje um exemplo mais do que acabado de tudo que uma comédia romântica pode (e deve) ser.

A CADELA (1931)

A CADELA (La chienne, 1931, Les Étbalissements Braunberger-Richebé, 91min) Direção: Jean Renoir. Roteiro: Jean Renoir, baseado no romance ...