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terça-feira

COLD MOUNTAIN


COLD MOUNTAIN (Cold Mountain, 2003, Miramax Pictures, 154min) Direção: Anthony Minghella. Roteiro: Anthony Minghella, romance de Charles Frazier. Fotografia: John Seale. Montagem: Walter Murch. Música: Gabriel Yared. Figurino: Ann Roth, Carlo Poggioli. Direção de arte/cenários: Dante Ferretti/Francesca LoSchiavo. Produção executiva: Bob Osher, Iain Smith, Bob Weinstein, Harvey Weinstein. Produção: Albert Berger, Wiiliam Horberg, Sydney Pollack, Ron Yerxa. Elenco: Jude Law, Nicole Kidman, Renee Zelwegger, Donald Sutherland, Ray Winstone, Philip Seymour Hoffman, Natalie Portman, Giovanni Ribisi, Kathy Baker, Jack White, Melora Walters, Jena Malone. Estreia: 25/12/03


7 indicações ao Oscar: Ator (Jude Law), Atriz Coadjuvante (Renee Zelwegger), Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original, Canção Original ("Scarlet tide", "You will be my ain true love")
Vencedor do Oscar de Atriz Coadjuvante (Renee Zelwegger)
Vencedor do Golden Globe de Atriz Coadjuvante (Renee Zelwegger)

Quando “O talentoso Ripley” estreou, em 1999, uma das maiores reclamações da crítica em relação ao filme do ultra-oscarizado Anthony Minghella era o fato dele ter escalado Matt Damon no papel central e o ótimo Jude Law como coadjuvante. O griteiro foi tanto que Law, que concorreu ao Oscar daquele ano acabou sendo a escolha mais coerente de Minghella para protagonizar seu projeto seguinte, este “Cold Mountain”, baseado em um romance relativamente pouco conhecido de Charles Frazier, ele próprio um ilustre desconhecido no Brasil. Considerado como uma versão moderna do clássico “E o vento levou”, “Cold Mountain” decepcionou em termos de bilheteria e não chegou a entusiasmar muito a crítica. No entanto, é um espetáculo que mostra como Hollywood ainda domina a arte de se contar uma história de forma majestosa e glamourosa. Não deixa de ser sintomática a escalação da bela Nicole Kidman como atriz principal, uma vez que a ex-mulher de Tom Cruise, além de linda era, à época das filmagens, o mais perto de diva que o cinema tinha em mãos. Cruise, que havia se interessado pelo papel central, ficou de fora. Nicole se manteve.
   
Kidman interpreta a mimada e sensível Ada Monroe, que, às vésperas do início da Guerra de Secessão vai morar com o pai, o Pastor Monroe (Donald Sutherland, em atuação simpática) em Cold Mountain, um lugarejo afastado e pacífico. Lá, conquista o amor do tímido e igualmente sensível Inman (Jude Law, que recebeu nova indicação ao Oscar por seu papel), que em seguida parte para o front. Sozinha e sem condições de cuidar da fazenda, Monroe escreve uma carta sofrida para seu amor, implorando que ele volte. Tendo visto os horrores da guerra, o rapaz resolve desertar e parte em busca da mulher amada, que tenta levantar suas economias ao lado da valente Ruby (Renée Zelwegger, que levou o Oscar de coadjuvante, apesar de certos exageros em sua caracterização).

        

A odisséia de Inman para alcançar sua felicidade e sua paz, levemente inspirada na travessia escrita por Homero, dá ao filme muito mais substância do que os sofrimentos de Ada Monroe, ainda que Kidman e Zelwegger tenham uma química invejável. A aventura do jovem vivido por Law faz com que ele cruze com personagens extremamente interessantes e vividos por atores sensacionais. Phillip Seymour-Hoffman oferece seu imenso talento no papel de um pastor bastante mulherengo. Natalie Portman é dona da cena mais forte, como uma jovem viúva e mãe de um bebê que enfrenta soldados bastante violentos. E até Jack White, da banda White Stripes dá sua colaboração como um jovem músico que se apaixona por Ruby - e conquistou o coração de Zelwegger nos bastidores.

 “Cold Mountain” é sem dúvida um belo espetáculo. A fotografia de John Seale e a trilha sonora de Gabriel Yared são impecáveis. A reconstituição de época e as cenas de guerra nunca estão aquém de fantásticas. Nicole Kidman está no auge da beleza e do carisma de estrela. Mas é injusto negar que é o trabalho de Jude Law que torna o filme de Anthony Minghella uma experiência inesquecível. O jovem inglês foi merecidamente indicado ao Oscar, uma vez que brilha intensamente em qualquer cena em que esteja presente. E dessa vez Minghella acertou colocando-o no papel central, felizmente deixando de lado escolhas bizarras como Tom Hanks, Daniel Day-Lewis, Matt Damon, Brad Pitt, Leonardo DiCaprio e Eric Bana. Prova de que um elenco bem escalado faz metade do serviço.

segunda-feira

O TALENTOSO RIPLEY

O TALENTOSO RIPLEY (The talented Mr. Ripley, 1999, Miramax Films/Paramount Pictures, 139min) Direção: Anthony Minghella. Roteiro: Anthony Minghella, romance de Patricia Highsmith. Fotografia: John Seale. Montagem: Walter Murch. Música: Gabriel Yared. Figurino: Gary Jones, Ann Roth. Direção de arte/cenários: Roy Walker/Bruno Cesari. Produção executiva: Sydney Pollack. Produção: William Horberg, Tom Sternberg. Elenco: Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Jude Law, Cate Blanchett, Philip Seymour Hoffman, Philip Baker Hall, James Rebhorn, Jack Davenport, Celia Weston. Estreia: 25/12/99

5 indicações ao Oscar: Ator Coadjuvante (Jude Law), Roteiro Adaptado, Trilha Sonora Original, Figurino, Direção de Arte/Cenários

Uma das características dos filmes noir, que fizeram a glória do cinema de suspense dos anos 30 e 40 era a fotografia envolta em brumas, sombras e uma escuridão construída milimetricamente para criar o efeito pretendido. Com o clima montado a história, repleta de reviravoltas e personagens amorais era contada quase como um apêndice ao visual - e em alguns casos a trama era o que menos importava. Subvertendo as regras tanto visuais quanto temáticas do gênero, o diretor Anthony Minghella faz de “O talentoso Ripley” um noir às avessas, com a luz do sol brilhando majestosa em grande parte de sua metragem e uma trama consistente e intrigante cujo desenvolvimento prende o espectador do início ao fim.

Adaptado do livro de Patrícia Highsmith que já havia gerado o clássico francês “O sol por testemunha”, estrelado por Alain Delon, o roteiro de Minghella, em seu primeiro projeto após o multi-oscarizado “O paciente inglês” criou uma personagem inexistente no romance, a milionária Meredith Logue (interpretada com brilhantismo por Cate Blanchett) mas manteve o suspense da história intacto. O protagonista, Tom Ripley (Matt Damon, talvez uma escolha equivocada para o papel central, mas que se sai relativamente bem) é um pobre-coitado que vive de vários empregos e cujo maior talento, como ele mesmo diz, é falsificar documentos, imitar vozes e dar golpes. Confundido com um ex-aluno de Harvard, ele é enviado pelo milionário Greenleaf (James Rehborn) a uma pequena cidade da Itália com o objetivo de convencer seu filho único a voltar para a América. Chegando na Europa, Ripley se apaixona não só pela boa vida dos milionários como também pelo próprio Dickie Greenleaf (Jude Law), um bom-vivant mimado e mulherengo que engana a namorada Marge (Gwyneth Paltrow) descaradamente. Os dois tornam-se amigos, mas a personalidade extrovertida de Dickie e os segredos de Tom acabam por separando-os. Após uma tragédia que vitima Dickie, Tom Ripley assume sua identidade e passa a levar a vida que sempre sonhou. No entanto, o pai de Dickie manda um detetive à procura do filho, que está sendo acusado de um assassinato cometido pelo próprio Ripley.



A trama intrincada montada por Highsmith em seu romance encontra eco no roteiro inteligente de Minghella, que tranqüilamente consegue escapar do previsível, entregando a seu público um produto superior a seu filme mais famoso e premiado. A fotografia ensolarada de John Seale contrasta com a escuridão da vida de Ripley, cuja alma fragmentada não consegue encontrar uma luz. A trilha sonora, que respira jazz de categoria e a reconstituição de época competente completam um dos filmes mais elegantes do ano, que além de tudo revela o talento de Jude Law, com meros 28 anos e roubando descaradamente as cenas em que aparece.

Na pele de Dickie Greenleaf, o britânico Law consegue eclipsar todos à sua volta, com uma atuação sedutora que envolve não apenas as personagens do filme mas também a audiência. Sua presença luminosa é tão forte que quando ele sai de cena, depois da primeira hora de projeção, a impressão que se tem é que o filme perde sua energia. Felizmente o roteiro rocambolesco de Minghella e o elenco não permitem que "O talentoso Ripley" caia na vala comum dos filmes de suspense que privilegiam o sangue em detrimento da inteligência. Além do mais, é um raro caso de adaptação cinematográfica que não ofende os fãs do livro e nem tampouco decepcionam àqueles que buscam um filme realizado com talento e classe.

Os fãs de "O sol por testemunha" estrilaram, mas "O talentoso Ripley" é um filmaço, feito por quem entende do riscado. Infelizmente não foi tão bem recebido quanto "O paciente inglês" - preconceito ao gênero ou à coragem de Minghella em não ocultar o teor homoerótico da história?? - mas merecia melhor sorte no Oscar (ao menos Jude Law poderia tranquilamente ter levado sua estatueta...)

quinta-feira

O PACIENTE INGLÊS

O PACIENTE INGLÊS (The English patient, 1996, Miramax Films, 162min) Direção: Anthony Minghella. Roteiro: Anthony Minghella, romance de Michael Ondaatje. Fotografia: John Seale. Montagem: Walter Murch. Música: Gabriel Yared. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Stuart Craig/Aurelio Crugnola, Stephenie McMillan. Produção executiva: Scott Greenstein, Bob Weinstein, Harvey Weinstein. Produção: Saul Zaentz. Elenco: Ralph Fiennes, Kristin Scott-Thomas, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Colin Firth, Naveen Andrews, Jurgen Prochnow. Estreia: 06/11/96

12 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Anthony Minghella), Ator (Ralph Fiennes), Atriz (Kristin Scott-Thomas), Atriz Coadjuvante (Juliette Binoche), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original/Drama, Figurino, Direção de arte/cenários, Som
Vencedor de 9 Oscar: Melhor Filme, Diretor (Anthony Minghella), Atriz Coadjuvante (Juliette Binoche), Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original/Drama, Figurino, Direção de arte/cenários
Vencedor de 2 Golden Globes: Melhor Filme/Drama, Trilha Sonora Original
Festival de Berlim: Melhor Atriz (Juliette Binoche)

Em 1962, o inglês David Lean viu seu épico histórico "Lawrence da Arábia" sair da cerimônia de entrega do Oscar com sete estatuetas, incluindo as principais - Melhor Filme e Direção. Trinta e quatro anos depois, outro cineasta da terra da rainha promoveu um arrastão na festa da Academia, acumulando nove prêmios (e mais uma vez, entre eles, os de filme e direção). Ao contrário da obra-prima de Lean, no entanto, que narrava a trajetória de um dos mais controversos líderes militares britânicos, o filme de Anthony Minghella concentra-se em uma devastadora história de amor que utiliza a II Guerra Mundial como mero pano de fundo. "O paciente inglês", baseado em um livro considerado infilmável de Michael Ondaatje, é um poderoso drama romântico que não deixou chance para os demais indicados de 1996. E, apesar de muita gente torcer o nariz para suas pretensões épicas - e sua receita para ganhar Oscar - é um filme que mereceu todo o auê que causou.

De produção complicada - inicialmente financiado pelos estúdios Fox e depois encampado pela Miramax e pelo produtor Saul Zaentz - "O paciente inglês" é um filme que foge dos tradicionais romances hollywoodianos ao exigir de seu público um pouco mais de atenção e dedicação do que o normal. Não apenas é mais longo do que o corriqueiro (tem mais de duas horas e meia de duração) mas também tem um ritmo próprio e delicado, além de ser narrado de forma não-linear, o que muitas vezes afugenta à plateia cuja única intenção é ocupar-se em duas horas de entretenimento fácil. No fim das contas, porém, é um romance tipicamente hollywoodiano com um verniz europeu, o que provavelmente ajudou a encantar os eleitores da Academia - e todo o público que fez com que fechasse suas contas no mercado americano com quase 80 milhões de dólares de arrecadação, um sucesso inquestionável, principalmente se levarmos em conta que não tem, em seu elenco, nenhum grande nome da época - a Fox, por exemplo, insistia em Demi Moore no principal papel feminino, desejo esse que, para sorte de todos os envolvidos, nunca foi levado a sério por ninguém.

O filme começa em 1944, na Itália, quando a jovem enfermeira canadense Hana (Juliette Binoche), depois da morte do namorado soldado e de uma de suas colegas de profissão, resolve isolar-se em um castelo abandonado ao lado de seu paciente, um homem desfigurado por queimaduras e que não tem lembrança de seus dias passados. Tido como de nacionalidade inglesa desde que foi resgatado dos destroços de um avião, ele na verdade é um conde húingaro e se chama Almasy (Ralph Fiennes). Enquanto cuida de seu desmemoriado paciente, Hana lida com seus sentimentos em relação a Kip (Naveen Andrews, que anos depois faria sucesso com a série "Lost"), um indiano cuja função é desarmar bombas deixadas pelos inimigos. Se auto-considerando destinada a perder a todos que ama, Hana ainda aceita hospedar em sua villa o misterioso Caravaggio (Willem Dafoe), que tem as respostas sobre a vida pregressa do "paciente inglês". Almasy, na verdade, tem uma trágica história de amor no passado: apaixonado perdidamente por Katharine Clifton (Kristin-Scott Thomas), uma mulher casada, ele envolveu-se, por causa dela, em um jogo de intrigas e mal-entendidos que culminou com sua desoladora morte.

 

Contado em forma de flashbacks que em seu final, monta todo um quebra-cabeças melancólico e desesperado, "O paciente inglês" tem a seu favor o talento de seu diretor Anthony Minghella em criar sequências de invulgar beleza: em vários momentos sua câmera deixa a plateia com a respiração suspensa, tamanha sua sensibilidade. É assim com a cena em que Kip mostra os desenhos de uma igreja abandonada à Hana ou na belíssima sequência inicial em que o deserto do Saara parece ter as formas de um corpo feminino graças ao ângulo com que o diretor de fotografia John Seale posiciona a câmera. É notável o carinho com que Minghella trata seus atores, entregando a eles cenas fortes e diálogos memoráveis (não foi à toa que seus três protagonistas foram indicados ao Oscar, e Juliette Binoche, excepcional, levou a estatueta pra casa, ainda que de coadjuvante ela não tenha nada...)

O tempo fez bem a "O paciente inglês". Na época de seu lançamento, foi considerado por alguns críticos como um filme "frio" e "sem alma". Hoje, à luz do tempo, pode-se perceber melhor suas qualidades: a bela trilha sonora de Gabriel Yared, a fotografia deslumbrante de John Seale, o roteiro complexo mas repleto de sinceridade, e as atuações extremamente emocionais de seu elenco. Ralph Fiennes abandona o ar psicótico de seu nazista de "A lista de Schindler" para assumir de vez seu papel de herói romântico; Juliette Binoche rouba todas as cenas em que aparece, com uma expressividade arrasadora; e Kristin Scott-Thomas mostra que, por debaixo da frieza britânica mostrada em "Lua de fel" e "Quatro casamentos e um funeral", há um vulcão de sensualidade e passionalidade. Também não atrapalha em nada ter em seu elenco coadjuvante nomes como os de Colin Firth e Willem Dafoe, que dão o tom exato em suas interpretações.

"O paciente inglês" não tinha, em seu ano, nenhum concorrente digno de estragar seus planos de vitória: disputou o prêmio com o simpático "Jerry Maguire", o irônico "Fargo", o chatíssimo "Segredos e mentiras" e o super-apreciado "Shine". Mas o fato de não ter reais rivais em seu caminho não tira sua glória: é um filme que mereceu os prêmios que ganhou e que vai permanecer na memória do público como um dos mais belos romances da história do cinema.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...