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segunda-feira

BASTARDOS INGLÓRIOS

BASTARDOS INGLÓRIOS (Inglourious basterds, 2009, ) Direção e roteiro: Quentin Tarantino. Fotografia: Robert Richardson. Montagem: Sally Menke. Figurino: Anna B. Sheppard. Direção de arte/cenários: David Wasco/Sandy Reynolds-Wasco. Produção executiva: Lloyd Phillips, Erica Steinberg, Bob Weinstein, Harvey Weinstein. Produção: Lawrence Bender. Elenco: Brad Pitt, Christoph Waltz, Melanie Laurent, Diane Kruger, Michael Fassbender, Eli Roth, Mike Meyers, Daniel Bruhl, B.J. Novak, Denis Menochet, Julie Dreyfuss. Estreia: 20/5/09 (Festival de Cannes)

8 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Quentin Tarantino), Ator Coadjuvante (Christoph Waltz), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Edição de Som, Mixagem de Som
Vencedor do Oscar de Ator Coadjuvante (Christoph Waltz)
Vencedor do Golden Globe de Ator Coadjuvante (Christoph Waltz)
Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes: Melhor Ator (Christoph Waltz)

Em 1978, um filme italiano chamado "O expresso blindado da S.S. Nazista" estreou nos EUA com o título "The inglourious bastards". Dirigido por Enzo G. Castellari, o filme se passava na França ocupada pelos alemães e tinha como protagonistas um grupo de homens dispostos a qualquer sacrifício para completar sua perigosa missão de cruzar a fronteira com a Suíça. O filme - não exatamente um êxito comercial ou crítico - poderia ter desaparecido com o tempo se Quentin Tarantino, dono de uma prodigiosa memória cinematográfica adquirida de seus tempos como funcionário de um videolocadora não o tivesse ressuscitado... à sua maneira. Mantendo apenas seu título ianque - com uma pequena alteração na grafia - e uma participação especial do diretor Castellari, um dos cineastas mais cultuados da moderna Hollywood inventou uma história que casa com perfeição a violência dos filmes de guerra, o humor negro característico de suas obras anteriores e uma trama capaz até mesmo de alterar o desfecho da II Guerra Mundial.

Provando seu prestígio no mundo do cinema, Tarantino estreou seu "Bastardos inglórios" no Festival de Cannes de 2009, quinze anos depois que abocanhou a Palma de Ouro com seu incensado "Pulp fiction, tempo de violência" e novamente viu os jurados conquistados por seu jeito particular de contar histórias: na pele de Hans Lauda, o oficial nazista que dedica sua vida à caça aos judeus, o austríaco Christoph Waltz levou o prêmio de melhor ator, em uma interpretação impecável que também lhe rendeu o Oscar de coadjuvante no ano seguinte. Roubando a atenção com um personagem que frequentemente se equilibra entre o carisma irônico dos vilões tarantinescos e a crueldade inerente a seus atos de violência, Waltz consegue a proeza até mesmo de sobressair-se ao maior astro do filme, Brad Pitt, que, como o Tenente Aldo Raine, esbanja charme cínico, timing cômico e o carisma que lhe caracterizam e fizeram dele um dos mais confiáveis atores de Hollywood.


Porém, apesar do nome de Pitt estampar com destaque o cartaz de "Bastardos inglórios", o ator divide a atenção com um elenco vasto, que deita e rola no universo criado por Tarantino em sua reimaginação do período. Dividido em capítulos, o filme apresenta seus personagens aos poucos, dando a cada um deles a devida importância, até que todos se encontram no grand finale, a pré-estreia de um filme de propaganda nazista estrelado pelo soldado tornado ator Fredrick Zoller (Daniel Bruhl) - cuja arrogância nascente o impede de perceber que a mulher por quem está interessado (Mélanie Laurent), a dona do cinema, que tem um trágico passado a suas costas, não tem a menor intenção de acatar seus desejos. Sobrevivente de uma família judia exterminada por Landa, a jovem Shosanna imagina uma vingança em grande estilo, que vai de encontro com as intenções dos Bastardos Inglórios e seus comparsas - e que acaba reescrevendo a história de uma das maneiras mais criativas do cinema americano.

Repleto de citações subliminares - como é tradicional na filmografia do diretor - "Bastardos inglórios" é a prova da maturidade de Quentin Tarantino. Sem abrir mão dos longos diálogos que caracterizam sua obra, ele cria uma narrativa que mescla um senso de humor raro com uma tensão constante desde a primeira sequência até seu clímax, de um absurdo nonsense que só faz mesmo sentido dentro do universo do cineasta. Inteligente, engraçado, violento e moderno, "Bastardos inglórios" poderia tranquilamente ter levado o Oscar de Melhor Filme que foi entregue à "Guerra ao terror", mas provavelmente a forma como tratou de um tema delicado junto à Academia deve ter lhe tirado muitos votos. Ainda assim, deve entrar na história como um dos grandes filmes de guerra de seu tempo.

quinta-feira

AUSTIN POWERS EM "O HOMEM DO MEMBRO DE OURO"

AUSTIN POWERS EM "O HOMEM DO MEMBRO DE OURO" (Austin Powers in Goldmember, 2002, New Line Cinema, 94min) Direção: Jay Roach. Roteiro: Mike Meyers, Michael McCullers. Fotografia: Peter Deming. Montagem: Greg Hayden, Jon Poll. Música: George S. Clinton. Figurino: Deena Appel. Direção de arte/cenários: Rusty Smith/Sara Andrews-Ingrassia. Produção executiva: Richard Brener, Toby Emmerich. Produção: John Lyons, Eric McLeod, Demi Moore, Mike Meyers, Jennifer Todd, Suzanne Todd. Elenco: Mike Meyers, Michael Caine, Beyoncé Knowles, Seth Green, Michael York, Robert Wagner, Fred Savage. Estreia: 22/7/02

Em 1997, uma despretensiosa comédia feita com meros 17 milhões de dólares de orçamento e a verve besteirol do ator Mike Meyers "Austin Powers" pegou Hollywood de surpresa e rendeu quase 60 milhões somente no mercado doméstico. Dois anos depois, entusiasmados com a receptividade do agente secreto britânico metido a conquistador que, congelado nos anos 60, chega à década de 90 e tenta adequar-se a ela enquanto luta com seu nêmesis, o temível Dr. Evil, os executivos da New Line Cinema abriram os cofres. Com um custo de 33 milhões, "Austin Powers e o espião 'bond' cama" se deu ainda melhor nas bilheterias, com uma renda interna de mais de 200 milhões. Não foi nenhuma surpresa, portanto, que um terceiro capítulo chegasse às telas. "Austin Powers em 'O Homem do Membro de Ouro'" - novamente dirigido pelo mesmo Jay Roach que comandou a trilogia inteira - foi o mais caro da série (custou mais que a renda do primeiro filme), mas novamente ultrapassou a barreira dos 200 milhões e finalizou as aventuras de Powers com chave de ouro - a ponto de até hoje o público ansiar por um novo projeto.

Voltando a debochar dos clichês que infestam os filmes de espionagem, "O homem do membro de ouro" - cujo título já é uma explícita brincadeira com os filmes de James Bond - tem uma história banal, que serve apenas para uma sucessão de piadas dos mais variados níveis e estilos. Tudo começa quando o pai de Austin, o também espião Nigel Powers (em um trabalho caprichado de ironia de Michael Caine) é sequestrado pelo maior inimigo do herói, o maquiavélico Dr. Evil (também interpretado por Meyers), que planeja mais uma vez dominar o mundo, dessa vez contando com a ajuda do misterioso Goldmember (mais uma vez Meyers). Para resgatar seu pai - com quem tem uma relação tumultuada desde a infância - Powers precisa voltar ao ano de 1975, onde reencontra sua antiga paixão Foxxy Cleopatra (a cantora Beyoncé Knowles, estreando como atriz), uma agente do FBI que trabalha disfarçada de cantora disco.


A trama é apenas uma desculpa para que Meyers dispare sua metralhadora giratória, com um humor que tanto pode agradar quanto despertar críticas. Ao mesmo tempo em que faz piadas visuais engraçadíssimas - que ecoam sequências dos outros filmes - a direção de Roach peca em algumas gags que apelam para a escatologia pura e simples. Essa tática é inteligente em sua tentativa de conquistar os variados tipos de audiência, mas acaba prejudicando o ritmo do filme com um todo. A cada momento de humor sarcástico - que tira partido das diferenças culturais entre americanos/ingleses e temporais - o filme cresce, demonstrando o talento aparentemente infinito de Meyers em fazer rir das situações mais variadas, contando com a ajuda da sensacional equipe de maquiadores, que o transformam em nada menos que quatro personagens - além dos já citados há ainda Fat Bastard, que já vem do segundo capítulo.

E como não poderia deixar de ser, "O homem do membro de ouro" conta também com personagens já comprovadamente bem-sucedidos nos filmes anteriores da série. É o caso de Scott Evil, filho do vilão, interpretado por Seth Green, e o imbatível Mini-mim, a versão em tamanho compacto de Dr. Evil, responsável por duas das mais engraçadas cenas do filme. Junto a eles, nomes consagrados como Michael Caine explorando seu timing cômico e Michael York se divertem tanto quanto o público, que já começa o entretenimento na sequência de abertura, que conta com participações muito especiais de Tom Cruise, Kevin Spacey, Gwyneth Paltrow, Steven Spielberg e Britney Spears - o que demonstra o prestígio de Meyers dentro da indústria. Pro bem ou pro mal, o filme é a sua cara. Cabe à audiência decidir se é de seu gosto ou não.

quarta-feira

STUDIO 54

STUDIO 54 (54, 1998, Miramax Films, 100min) Direção e roteiro: Mark Cristopher. Fotografia: Alexander Gruszynski. Montagem: Lee Percy. Música: Marco Beltrami. Figurino: Ellen Lutter. Direção de arte/cenários: Kevin Thompson/Karen Wiesel. Produção executiva: Don Carmody, Bobby Cohen, Harvey Weinstein, Bob Weinstein. Produção: Ira Deutchman, Richard N. Gladstein, Dolly Hall. Elenco: Ryan Phillipe, Salma Hayek, Mike Myers, Neve Campbell, Breckin Meyer, Mark Ruffalo, Heather Matarazzo, Sela Ward. Estreia: 20/8/98

Entre 1977 e o início dos anos 80, nenhum lugar era mais quente e badalado em Nova York do que o Studio 54. Criada por Steve Rubell, ex-dono de restaurantes, era a discoteca mais cobiçada por todo mundo que sonhava com glamour, fama e diversão sem fim. Frequentada pelos grandes nomes do entretenimento, das artes e do esporte, misturava a "realeza" americana com a plebe, formada por todos aqueles desconhecidos que tinham a sorte de ser belos e/ou interessantes e passar pelo crivo de Rubell, que ficava em pessoa na porta do local, escolhendo quem merecia dançar até o amanhecer. Um dos mais interessantes e lendários locais da era disco, o Studio 54 deu origem também a um filme que, perto do que poderia ter sido, decepcionou crítica e público. Mas será que o diabo é tão ruim como pintam?

Em termos dramáticos, não se pode dizer que "Studio 54" - o filme - seja bom. O roteiro do também diretor Mark Cristopher é superficial ao extremo, não dando espaço para que suas personagens se desenvolvam a contento. Tudo é muito maniqueísta e quase tosco no desenho dos protagonistas, e suas atitudes nunca soam como verdadeiras e sim como estratégias dramáticas para que a história vá pra frente. Não dá para acreditar, por exemplo, no romance entre Shane (Ryan Philippe, bonito mas péssimo ator) e a atriz Julie Black (a sempre artificial Neve Campbell) nem tampouco na amizade entre ele e o casal Anita (Salma Hayek, linda mas limitada a uma personagem quase caricata) e Greg (Breckin Meyer, que faz o possível com o que tem em mãos). Apenas o Steve Rubell de Mike Myers convence, provando que o humorista é bem melhor ator dramático do que suspeitavam os fãs de "Austin Powers", sua criação mais conhecida.

Mas, se não dá pra acreditar muito na trama proposta por Cristopher, ao menos dá pra se divertir com o clima com que o diretor envolve seu projeto. Tudo, desde a trilha sonora dançante e repleta de clássicos da disco até o figurino caprichado de Ellen Lutter, convida a plateia a uma viagem no tempo, até uma época em que a permissividade sexual e comportamental estava em seu auge. É difícil não se ter uma nostalgia de um período em que, sim, a AIDS começava a pairar sobre a sociedade e as drogas iniciavam seu avassalador domínio sobre qualquer desavisado, mas que, ao mesmo tempo, concedia à população momentos de extrema alegria e diversão (ainda que depois tenha cobrado seu preço). O diretor é feliz em conseguir transmitir o clima de eterna festa da época (em especial quando recria as noitadas regadas a álcool e tóxicos da boate) na mesma medida em que falha em construir uma história mais consistente.


Mas, afinal, qual é a história de "Studio 54"? O protagonista é Shane O'Shea, um jovem morador de Nova Jersey que tem o sonho de tornar-se "alguém" em Nova York, assim como sua conterrânea, a atriz Julie Black (que, apesar de aparentar sucesso, também tenta se dar bem na carreira, nem que tenha que dormir com quem passar pelo seu caminho). Em seu caminho para o topo, ele chega até a famosa boate e, protegido pelo proprietário Steve Rubell e dono de um belo corpo e um belo rosto, torna-se conhecido dentro das altas rodas sociais e artísticas da cidade. Ambicioso, ele acaba entrando em rota de colisão com seus melhores amigos, o bartender Greg e sua mulher Anita (que sonha em ser uma cantora disco) e descobre, quase tarde demais, que existem coisas mais importantes do que fama e prestígio.

Sim, "Studio 54" também tem uma lição de moral, o que dá um certo gostinho de desmancha-prazeres. Cristopher não tem a coragem necessária de ir fundo em alguns temas que poderiam ter transformado o filme em uma experiência mais bem-sucedida (a sexualidade dúbia de Rubell, por exemplo, ou até mesmo a decadência moral e psicológica de seu protagonista). Também não explora a contento todo o sex-appeal de Ryan Philippe no auge de sua beleza ou o talento histriônico de Mike Myers - que mesmo assim, esquiva-se gloriosamente de todos os problemas do roteiro.

Em resumo, "Studio 54" é um daqueles filmes ruins que conquistam mais pelo que pretendia ser do que pelo que realmente é. Sem maiores expectativas dá pra assistir inúmeras vezes (principalmente para quem é fã do período retratado). Mas não é tão bom quanto poderia.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...