sexta-feira

EM BUSCA DO OURO

 


EM BUSCA DO OURO (The gold rush, 1925, Charles Chaplin Productions, 83min) Direção, roteiro, montagem, música e produção: Charles Chaplin. Fotografia: Roland Thoteroh. Música: Max Terr. Direção de arte: Charles D. Hall. Elenco: Charlie Chaplin, Mack Swain, Tom Murray, Georgia Hale, Henry Bergman, Malcolm Waite. Estreia: 26/6/1925

2 indicações ao Oscar: Trilha Sonora Original, Som

Quinto filme mudo de maior bilheteria da história, "Em busca do ouro" é, em opinião compartilhada por público e crítica, um dos mais completos trabalhos de Charles Chaplin. Relançado em 1942 com uma trilha sonora nova e uma narração em off substituindo os cartões com legendas, concorreu ao Oscar em duas categorias (música original e som) e reafirmou sua posição como uma obra-prima de seu criador, já então consagrado como um dos maiores astros do cinema. Inspirado por um fato histórico - as dificuldades enfrentadas por garimpeiros na corrida do ouro no Alaska e no Klondike no final do século XIX - e ciente de que poderia extrair humor mesmo de situações trágicas, o cineasta criou uma sucessão de sequências brilhantes que entraram de imediato no inconsciente coletivo de gerações e mais gerações. Realizado com o perfeccionismo típico do cineasta, com locações nas geleiras de Serra Nevada, centenas de figurantes (reais garimpeiros) e efeitos visuais ainda hoje impressionantes - como a maquete de uma cabana que é parte essencial do clímax -, "Em busca do ouro" figura, não à toa, na lista de filmes preferidos de nomes tão díspares quanto Guillermo Del Toro, Richard Attenborough e Akira Kurosawa.

Considerado por Chaplin como o filme pelo qual ele gostaria de ser lembrado, "Em busca do ouro" teve problemas de ordem pessoal durante o processo de filmagens. Tudo começou quando o diretor iniciou um romance clandestino com Lita Grey, de apenas 16 anos de idade. Apaixonado, ele escreveu o principal papel feminino para sua nova atriz principal, mas foi obrigado a suspender as filmagens quando ela descobriu-se grávida. Durante os três meses de paralisação, Chaplin testou outras possibilidades - entre elas a futura estrela Carole Lombard - e chegou até Georgia Hale, que assumiu, então, o papel de Georgia, a dançarina por quem o protagonista cai de amores depois em um clube de dança. O casamento do diretor e Grey nasceu fadado ao fracasso - apesar dos dois filhos que tiveram durante seu relacionamento - e não demorou para que o insaciável cineasta se sentisse atraído também pela nova descoberta artística. O romance entre os dois surgiu durante as filmagens - mas acabou de tal modo que, no relançamento do filme, em 1942, o longo beijo final dos dois personagens acabou de fora da edição.


 

Caído em domínio público em 1953 devido a negligência do espólio de Chaplin, "Em busca do ouro" apresenta, em pouco mais de uma hora de duração, algumas das cenas mais lembradas da carreira do diretor. A dança dos pãezinhos, a refeição em que o protagonista serve os próprios sapatos (feitos de alcaçuz e que levou três dias para ser finalizada, levando-o a um hospital com um choque de glicose), a sequência em que seu companheiro (faminto) o imagina como um frango assado, a briga no salão de dança e a luta para que a cabana não despenque de um precipício durante uma tempestade de neve são momentos do mais puro humor chapliniano. Realizadas em uma época sem efeitos digitais e os recursos modernos, são um exemplo de execução e se mantém até hoje, quase um século depois, tão frescas e divertidas quanto antes. Provando-se ainda um talento ímpar para atingir todo tipo de público, Chaplin consegue fazer rir crianças e adultos, independente de classe social ou credo religioso - um alcance fenomenal sem precedentes e ainda sem herdeiros naturais.

Primeiro filme estrelado por Chaplin para a United Artists, estúdio do qual era sócio, "Em busca do ouro" reforça sua capacidade de transformar até mesmo situações extremas em fontes de humor e poesia. Inserindo seus personagens em um cenário onde podem acontecer ataques de urso, tempestades de neve, fome extrema, quedas em despenhadeiros e outros perigos naturais (e outros ainda causados pelos seres humanos que os cercam), o ator/diretor/produtor/roteirista encontra formas criativas de buscar a gargalhada (ou, no pior dos casos, um sorriso de ternura) e marcar de maneira indelével (mais uma vez) seu nome na história do cinema mundial - sem dizer uma única palavra.

quinta-feira

O GAROTO

 


O GAROTO (The kid, 1921, Charles Chaplin Productions, 68min) Direção,roteiro, montagem e produção: Charles Chaplin. Fotografia: Roland Totheroh. Direção de arte: Charles D. Hall. Elenco: Charlie Chaplin, Jackie Coogan, Edna Purviance, Carl Miller. Estreia: 16/01/21

A epígrafe de "O garoto" - "Um filme com um sorriso - e talvez uma lágrima" - é, sem dúvida, bastante apropriado. O primeiro longa-metragem de Charles Chaplin, depois de vários curtas geniais e aplaudidos unanimemente, é um conjunto perfeito de todos os elementos que sua filmografia englobaria a partir de então: humor físico de alta precisão, uma dose de sentimentalismo, uma simplicidade franciscana (que escondia as dificuldades oriundas do perfeccionismo do diretor) e a capacidade de extrair poesia da mais prosaica situação. Filmada por um período de cinco meses e meio - filmagens tão longas que incomodaram os financiadores do projeto, apavorados com a demora de finalização -, a primeira obra-prima de Chaplin foi realizada durante um período conturbado da vida pessoal do cineasta, que passava pelo divórcio de sua primeira mulher, Mildred Harris, e o fato de retratar o cotidiano pobre e miserável de pessoas em situação precária de vida provavelmente faz de "O garoto" um dos filmes mais pessoais e autobiográficos de sua carreira. 

Oriundo de uma infância de privações e dificuldades financeiras e emocionais, Charles Chaplin encontrou em Carlitos o alter-ego ideal: pobre, sem passado e/ou futuro, sozinho no mundo e invariavelmente solitário (mesmo quando acompanhado). Em "O garoto" seu protagonista não está sozinho - afinal sua vida encontra uma razão quando se depara com um bebê abandonado em um beco -, mas, apesar disso, vive na iminente possibilidade de perdê-lo para a justiça. Pobre, vivendo em condições quase insalubres (mas repleta de amor e afeto), ele ainda encontra espaço para ensinar ao menino, quando um pouco maior, maneiras pouco nobres de sobreviver às intempéries financeiras: trabalhando como vendedor de vidros, ele conta com a criança para que quebre as vidraças da cidade, por coincidência no exato momento em que ele está passando pelo local. Os moradores não percebem o esquema, mas o vagabundo criado por Chaplin não passa incólume ao olho da lei, representada na figura de um policial com cara de poucos amigos - um estereótipo frequente na obra do diretor. Além disso, outra ameaça surge repentinamente no horizonte da inusitada família: a mãe do menino, que o deixou para trás na juventude, hoje uma atriz consagrada, procura reencontrá-lo para compensar os anos de ausência.


 

Se "O garoto" apresenta a essência do cinema de Charles Chaplin, muito se deve à química impecável entre o astro e seu colega mirim, o pequeno Jackie Coogan, descoberto pelo cineasta durante um número de vaudeville com seu pai, também artista e parte do elenco do filme (em três papéis pequenos): expressivo e talentoso, o pequeno Coogan acabou passando por problemas financeiros antes mesmo de atingir a idade adulta, explorado pela mãe e pelo padrasto. Ainda antes de voltar a tornar-se famoso - como o Tio Fester da série "A família Monstro", dos anos 1960 - chegou a contar com o auxílio do próprio Chaplin, com quem se encontrou pela última vez em 1972, quando o cineasta retornou a Hollywood para receber seu único Oscar (e um ano depois do relançamento de seu filme, com nova edição e nova trilha sonora). E não apenas Coogan teve sua vida atrelada a de de Chaplin além do campo profissional. Uma das atrizes que trabalhavam como extra em "O garoto" - Lita Grey, que interpreta um dos anjos na sequência de sonho no final da produção, e que tinha apenas 12 anos durante as filmagens - se tornou esposa do celebrado diretor depois de, aos 16 anos de idade, descobrir que seu romance com Chaplin resultou em uma gravidez (o casamento durou dois anos e gerou dois filhos).

Mas, a despeito de seus bastidores e dramas fora das telas, "O garoto" se  mantém, mesmo mais de um século depois de seu lançamento, como uma obra quase irretocável. Quase? Sim. Apesar de oferecer momentos do mais puro lirismo, cenas de estampar um sorriso no rosto do mais taciturno espectador e fixar na memória do público uma dupla memorável de protagonistas, o filme se estende além do que precisava, com uma sequência onírica que só se justifica pela necessidade de alcançar o tempo que o define como longa-metragem. Tal pecadilho, no entanto, não atrapalha em nada o prazer de ver (ou rever) uma das comédias mais doces e sentimentais da história do cinema - e que, não é à toa, figura no topo das preferências de muitos fãs de Chaplin - como o cineasta Wayne Wang, que o considera seu filme preferido. Certamente muita gente acompanha a opinião de Wang.

quarta-feira

O CASAMENTO DOS MEUS SONHOS


O CASAMENTO DOS MEUS SONHOS (The wedding planner, 2001, Columbia Pictures, 103min) Direão: Adam Shankman. Roteiro: Pamela Falk, Michael Ellis. Fotografia: Julio Macat. Montagem: Lisa Zeno Churgin. Música: Mervyn Warren. Figurino: Pamela Whiters. Direção de arte/cenários: Bob Ziembicki/Barbara Munch. Produção executiva: Moritz Borman, Guy East, Nina R. Sadowsky, Chris Sievernich, Nigel Sinclair. Produção: Peter Abrams, Deborah Del Prete, Jennifer Gibgot, Robert L. Levy, Gigi Pritzker. Elenco: Jennifer Lopez, Matthew McConaughey, Bridgette Wilson-Sampras, Judy Greer, Justin Chambers, Kathy Najimi, Alex Rocco, Joanna Gleason, Kevin Pollack. Estreia: 26/01/2001

No começo dos anos 2000, Jennifer Lopez já era uma estrela. Em seu currículo como atriz já constavam produções com diretores consagrados, como Francis Ford Coppola ("Jack", de 1996), Oliver Stone ("Reviravolta", de 1997) e Steven Soderbergh ("Irresistível paixão", de 1998) e elogios da crítica especializada por seu trabalho em "Selena" (1996). Como cantora, já havia vendido mais de 8 milhões de cópias com seu álbum de estreia, "On the 6" (1999) e estava lançando seu segundo trabalho, "J.Lo" - que tinha expectativas de se tornar um sucesso ainda maior. Portanto, quando "O casamento dos meus sonhos" estreou, em janeiro de 2001, seu nome no cartaz de um filme já era um atrativo e tanto - e levando-se em conta que seu parceiro de cena, Matthew McConaughey, também já tinha um fã-clube feminino dos maiores, não chegou a ser surpresa a bilheteria acima dos 90 milhões de dólares do filme no mercado internacional. Mesmo sem apresentar nenhuma novidade e seguindo à risca a receita das comédias românticas, o filme de Adam Shankman provou que, mesmo contra tecnologias de ponta e estratégias milionárias de marketing, histórias de amor ingênuas e superficiais sempre terão espaço junto a seu público fiel.

Assumindo o lugar de Sarah Michelle Gellar - que não conseguiu conciliar as filmagens com as gravações da série "Buffy: a caça-vampiros" - e Minnie Driver (segundo afirmações da atriz em entrevistas), Jennifer Lopez não precisa fazer muito esforço no papel principal do filme. Ela interpreta Mary Fiore, uma bem-sucedida organizadora de casamentos que se esforça para tornar-se sócia da empresa onde trabalha, enquanto luta para superar o traumático fim de seu relacionamento. Jovem e bonita, ela é, também, constantemente pressionada pelo pai viúvo a encontrar um novo amor - a ponto de fugir dos avanços do bem intencionado amigo de infância Massimo (Justin Chambers, que anos depois se tornaria astro com a série "Grey's Anatomy"). Dedicada à carreira, Mary vê na milionária Fran Donnolly (Bridget Wilson-Sampras) a chance de finalmente atingir seus objetivos profissionais: planejar a festa de seu casamento parece o caminho certo para o sucesso. Porém, seu encontro com o médico Steve Edison (Matthew McConaughey) vira tudo do avesso: apaixonada, Mary vê no rapaz o homem ideal para resolver sua vida romântica, mas descobre, decepcionada, que ele é o noivo de sua mais promissora cliente.


 

Apostando nos clichês e sem medo de contar uma história sem nenhuma grande novidade, o roteiro de "O casamento dos meus sonhos"serve, na verdade, como um veículo para o estrelato de Jennifer Lopez: bela, carismática e dotada de um razoável timing cômico, Lopez deita e rola com uma personagem que não lhe exige mais do que fazer exatamente isso: ser bela, carismática e exercitar seus dotes em comédia - que, se não chegam a ser brilhantes, funcionam como um relógio. O roteiro não aprofunda nenhum personagem e nenhum conflito (como é comum aos filmes do gênero), mas a direção de Shankman - que em 2007 assinaria a versão para as telas do musical "Hairspray: em busca da fama" - se equilibra entre o burocrático e o elegante, disfarçando a fragilidade do enredo e até de algumas soluções um tanto quanto apressadas. É também uma pena que o filme não aproveite o talento de coadjuvantes como Kathy Najimi (que pouco aparece como a dona da empresa da protagonista), Judy Greer (especialista em roubar a cena mesmo em papéis pequenos) e Joanna Gleason (na pele da mãe da noiva que está em vias de ver o futuro marido nos braços de sua organizadora de casamentos). Nem mesmo Bridget Wilson-Sampras tem muito o que fazer, eclipsada pela química entre Lopez e Matthew McConaughey - que substituiu Brendan Fraser no último minuto e viu fortalecido seu status de galã romântico.

Responsável pelo cancelamento de um projeto semelhante que seria protagonizado por Jennifer Love Hewitt, "O casamento dos meus sonhos" é o que pode se chamar de filme-conforto. Seus personagens são velhos conhecidos do público-alvo (a romântica sonhadora com azar no amor, o galã comprometido com a mulher errada, a antagonista fútil), a história é previsível até o osso, a trilha sonora é suave e com uma canção feita para vender discos (a canção que toca nos créditos finais é "Love don't coast a thing", da própria Jennifer Lopez) e os coadjuvantes servem como contraponto humorístico à trama romântica. Se não entrega mais do que propõe é justamente por sua intenção em servir à plateia como mais uma coleção de clichês a que sua plateia possa recorrer quando necessitar de duas horas de diversão sem compromisso. "O casamento dos meus sonhos" é o equivalente cinematográfico de uma caixa de bombons ou um pote de sorvete nos momentos de crise. Esperar mais dele é um erro, mas aceitar suas limitações é o caminho para um passatempo agradável e leve.

 

terça-feira

A PIOR PESSOA DO MUNDO


A PIOR PESSOA DO MUNDO (Verdens verste menneske, 2021, Oslo Pictures/MK2 Productions/Film i Vast, 128min) Direção: Joachim Trier. Roteiro: Joachim Trier, Eskil Vogt. Fotografia: Kasper Tuxen. Montagem: Olivier Bugge Coutté. Música: Ola Flottum. Figurino: Ellen Daheli Ystehede. Direção de arte/cenários: Roger Rosenberg/Mirjam Veske. Produção executiva: Dyveke Bjorkly Graver, Tom Kjeseth, Joachim Trier, Eskil Vogt. Produção: Andrea Beretsen Ottmar, Thomas Robsahm. Elenco: Renate Reinsve, Anders Danielsen Lie, Herbert Nordrum. Estreia: 08/7/2021 (Festival de Cannes)

2 indicações ao Oscar: Melhor Filme Internacional, Roteiro Original

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes: Melhor Atriz (Renate Reinsve) 

Ao contrário do que podem fazer acreditar as redes sociais e os filmes tipicamente hollywoodianos, a vida não é feita de escolhas fáceis. Optar por um caminho - seja ele profissional, romântico ou familiar - significa, por definição, que é preciso abandonar todos os outros, e isso é, ninguém pode negar, definitivamente árduo e doloroso. Nessa trajetória rumo ao amadurecimento, feridas são abertas, pessoas são magoadas e é constante a sensação de que a felicidade de uns provavelmente será a infelicidade de outros. E é justamente esse sentimento de angústia que atormenta a vida de Julie, a protagonista da comédia dramática "A pior pessoa do mundo" - que representou a Noruega na disputa pela estatueta de melhor filme internacional no Oscar 2022. Indicado também na categoria de roteiro original, o filme de Joachim Trier aposta na aparente simplicidade de sua trama para envolver o espectador em uma narrativa que equilibra com rara felicidade um humor sutil, um drama que dribla miraculosamente o sentimentalismo e elementos de comédia romântica - sem que se transforme, no processo, em uma mixórdia de gêneros aleatórios. Inteligente e verossímil, é também, a prova cabal de que o cinema fora de Hollywood há muito deixou de lado o rótulo de hermético ou intelectual.

Julie - interpretada por Renate Reinsve, premiada como melhor atriz no Festival de Cannes 2021 - está chegando aos trinta anos e se encontra em várias encruzilhadas. Profissionalmente não consegue decidir-se definitivamente por nenhuma carreira - medicina, psicologia e fotografia são suas opções, com maior tendência à última. Familiarmente, sente-se presa à mágoa que sente por ser preterida pelo próprio pai. E romanticamente, então, é ainda pior. Envolvida seriamente com Aksel (Anders Danielsen Lie) - alguns anos mais novo e quadrinista profissional -, ela percebe, angustiada, que não compartilha com ele os desejos de formar uma nova família. Tal situação a leva a sentir-se atraída por Eivind (Herbert Nordrum), um barista com quem se sente mais à vontade e mais próxima do que pode se chamar de felicidade. Porém, as coisas não são assim tão fáceis - e qualquer decisão que toma a leva por caminhos que podem não ter mais volta. Incapaz de sentir-se totalmente firme dos rumos de sua vida e por consequência agindo de forma a machucar a quem ama, Julie por vezes se torna o que mais temia: a pior pessoa do mundo.


 

O roteiro de "A pior pessoa do mundo" é um achado. Tanto pode seguir a cartilha do naturalismo, criando personagens verossímeis e situações facilmente identificáveis por qualquer espectador quanto pode apostar no caminho contrário - o primeiro encontro real entre Julie e Eivind, por exemplo, acontece enquanto o mundo à sua volta parece estático, como se não existisse de verdade. Os personagens criados por Joachim Trier e Eskil Vogt são, ao mesmo tempo, adoráveis e falíveis - dotados, portanto, de defeitos e qualidades intrinsecamente humanos. E a atuação de seu elenco, tanto principal quanto coadjuvante, é digna de aplausos entusiasmados. Se Anders Danielsen Lie chama a atenção com um personagem complexo e multidimensional - com direito a reviravoltas dramáticas e até mesmo um surpreendente nu frontal -, é Renate Reinsve que faz do filme uma pequena obra-prima: escolhida pelo diretor às vésperas de abandonar a carreira de atriz e investir no ramo da marcenaria (!!), Reinsve simplesmente torna Julie uma das mais fortes protagonistas femininos do cinema das últimas décadas. Dotada de uma série aparentemente inesgotável de nuances, a jovem vencedora do Festival de Cannes consegue até mesmo mudar de feições, de acordo com cada momento da trama: sexy, insegura, ousada, traumatizada, angustiada, decidida, apaixonada.... sempre que Julie está em cena, seus sentimentos são facilmente reconhecidos no rosto comum (mas nem por isso esquecível) de sua intérprete. Como se fosse uma página em branco, pronta para transmitir os anseios de sua personagem, Reinsve rouba o filme inteiro para si - não à toa, é sua imagem que estampa o principal cartaz da produção e sua personalidade a inspiração para a história.

"A pior pessoa do mundo" é um filme delicioso, uma prova inconteste de que a simplicidade narrativa nem sempre significa pobreza de ideias ou falta de criatividade. Ao retratar gente cujos desejos e traumas refletem os mesmos que qualquer um da plateia, a trama de Joachim Trier acaba por devolver ao público tanto sua capacidade de refletir quanto de sonhar, sem deixar de, nesse meio-tempo, lembrar que o cinema não serve apenas como válvula de escape ou sessão de terapia: perfeitamente equilibrado entre esses dois pontos, é, segundo palavras do diretor, "uma comédia romântica feita para aqueles que não gostam de comédias românticas". Ou seja, é a vida real com verniz de fantasia - não aliena completamente e não machuca com profundidade. Imperdível!


sexta-feira

CYRANO


CYRANO (Cyrano, 2021, MGM Pictures/Working Title Films/BRON Studios, 123min) Direção: Joe Wright. Roteiro: Erica Schmidt, musical de sua autoria, peça teatral original de Edmond Rostand. Fotografia: Seamus McGarvey. Montagem: Valerio Bonelli. Música: Aaron Dessner, Bryce Dessner. Figurino: Massino Cantini Parrini, Jacqueline Durran. Direção de arte/cenários: Sarah Greenwood/Katie Spencer. Produção executiva: Matt Berninger, Carin Besser, Jason Cloth, Aaron Dessner, Bryce Dessner, Aaron L. Gilbert, Erica Schmidt, Sheeraz Shah, Kevin Ulrich, Lucas Webb, Sarah-Jane Robinson. Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, Guy Helley. Elenco: Peter Dinklage, Haley Bennett, Kelvin Harrison Jr., Ben Mendelsohn, Monica Dolan, Glen Hansard. Estreia: 02/9/2021 (Festival de Telluride)

Indicado ao Oscar de Figurino

Escrita por Edmond Rostand em 1897, "Cyrano de Bergerac" tornou-se, com o passar do tempo, uma das peças teatrais mais montadas da história - e um ícone cultural dos mais duradouros, atravessando gerações sempre com o mesmo sucesso. Parte da responsabilidade de tal perenidade deve-se ao cinema, que em várias ocasiões aproveitou-se para adaptar o texto do dramaturgo francês para as telas - caso da versão estrelada por José Ferrer em 1950 (que deu ao ator o Oscar da categoria) e da transposição estrelada por Gérard Depardieu em 1990 (que também foi indicada à estatueta de melhor ator). A mais nova tradução de Rostand para o público cinéfilo, lançada em 2021, prova que, apesar de tudo, a força de sua história ainda se presta a novos olhares e inovações estilísticas. Dirigido por Joe Wright, "Cyrano" não apenas ousa em transformar a tragédia em musical como altera o principal elemento do texto, fazendo de seu protagonista não um homem que sofre com um nariz descomunal, mas um talentoso soldado torturado por sua condição de anão. Beneficiado com o talento inegável de Peter Dinklage - aproveitando o sucesso de seu trabalho na série "Game of thrones" -, o Cyrano de Wright em nada deixa a desejar em relação a seus antecessores, apesar de ter sido praticamente ignorado pela Academia e outras cerimônias de premiação.

Na verdade, a versão de Wright é uma adaptação indireta do clássico de Rostand. Sua origem é a reinvenção do texto original, criada pela dramaturga Erica Schmidt e montada em 2018 em Connecticut - e no ano seguinte em teatros off-Broadway, em Nova York. Sem a necessidade de uma fidelidade absoluta ao clássico, o cineasta - autor de adaptações de obras como "Orgulho e preconceito" (2005) e "Anna Karenina" (2012), além do excepcional "Desejo e reparação" (2007) - explora todas as possibilidades visuais da trama com uma liberdade encantadora e uma sensibilidade irresistível. Até mesmo seus artifícios para modernizar a forma de contar a história - e evitar o tédio que um texto em versos poderia causar a um público menos paciente - soam orgânicos e inteligentes, valorizados por uma reconstituição de época cuidadosa e uma fotografia (de Seamus McGarvey) cujo maior mérito é não tentar se sobrepor à trama e aos personagens. As canções - em especial a bela "Close my eyes", com a participação de Glen Hansard, do filme "Apenas uma vez" (2007) - conseguem integrar-se à narrativa com elegância ímpar, e se a escalação de Dinklage para o papel-título soa genial, o mesmo pode ser dito da escolha de Kelvin Harrison Jr. para viver o galã Christian - pela primeira vez um ator negro assume (ao menos nas telas) o papel do antagonista romântico (e involuntário) da história de amor entre Cyrano e a bela Roxanne.


 

Apesar das alterações oriundas da adaptação feita por Schmidt - que é casada com o ator Peter Dinklage -, a trama do filme permanece, em sua essência, a mesma: o protagonista é o romântico e sensível Cyrano, apaixonado pela doce Roxanne (Haley Bennett), e que esconde de todos o seu amor, ciente de que sua aparência física jamais permitirá uma aproximação maior entre eles. Corajoso e dotado de grande inteligência, o enamorado soldado francês vê sua situação ficar ainda mais complicada quando um colega, Christian (Kelvin Harrison Jr.), também cai de amores pela bela e voluntariosa jovem. Bonito mas sem muito conteúdo intelectual, Christian recorre a Cyrano para que este escreva versos sentimentais que possam conquistá-la: a farsa dá certo, e Roxanne se deixa seduzir, sem desconfiar que, na verdade, está encantada pela alma de seu velho amigo. Tudo poderia seguir indefinidamente se não fosse um outro problema no caminho do inusitado triângulo amoroso: o poder de um outro apaixonado por Roxanne, que, rejeitado, resolve mandar Christian (e Cyrano) para o campo de batalha.

Sem contar com um orçamento milionário que poderia lhe colocar como um grande épico - em especial nas cenas de batalha, cuja economia é muito bem disfarçada pelo talento do cineasta em criar soluções visuais criativas -, "Cyrano" acabou por passar quase despercebido pelo grande público, perdido entre as produções com maior visibilidade e marketing. Joe Wright - um diretor que entende como poucos as engrenagens do cinemão clássico - extrai o máximo do que lhe é oferecido, brindando o espectador com um espetáculo de extremo bom gosto, ainda que sem a opulência que se poderia esperar de uma produção de época. Com um começo um tanto confuso - um problema que se resolve muito a contento logo em seguida - e a sensação de estranhamento em relação à inclusão de canções em um material tão conhecido, o filme acaba por envolver principalmente pelo talento inquestionável de seu elenco, pela inteligência em contornar o que poderiam ser problemas e pela sensibilidade de uma história atemporal e emocionante. E é impossível não se deixar conquistar pelo carisma de Peter Dinklage, um Cyrano de Bergerac com todos os atributos para ingressar no rol de seus mais clássicos intérpretes.

 

quinta-feira

O BOM PATRÃO

 


O BOM PATRÃO (El buen patrón, 2021, Básculas Blanco/Crea SGR/ICAA, 116min) Direção e roteiro: Fernando León de Aranoa. Fotografia: Pau Esteve Birba. Montagem: Vanessa Marimbert. Música: Zeltia Montes. Figurino: Fernando García. Direção de arte/cenários: César Macarrón. Produção executiva: Pilar de Heras, Marisa Fernández Armenteros, Laura Fernández Espeso, Eva Garrido, Patricia de Muns. Produção: Fernando León de Aranoa, Javer Méndez, Jaume Roures. Elenco: Javier Bardem, Manolo Solo, Almudena Amor, Óscar de La Fuente, Sonia Almarcha, Fernando Albizu, Tarik Rimli. Estreia: 21/9/2021

A Balanças Blancos é uma tradicional fábrica, com décadas de história e a reputação de ser um dos ambientes de trabalho mais generosos do país. Seu presidente, Blanco (Javier Barden), inclusive, insiste em declarar que seus funcionários são como membros da família e que são eles os maiores responsáveis por seus sucesso e perenidade. Às vésperas da visita de uma comissão que poderá escolher a empresa para receber um diploma de excelência, porém, a aparência de exemplar tranquilidade do local começa a ruir. Em pouco mais de uma semana, caberá a Blanco lidar com uma série de problemas de ordem pessoal e profissional que põem em xeque sua capacidade de liderar não apenas seus empregados, mas principalmente suas relações familiares e de amizade. E tudo começa com dois acontecimentos aparentemente sem conexão: a tentativa de ajudar o filho delinquente de um antigo operário ao dar-lhe um emprego na loja da mulher e a demissão de outro empregado, que, revoltado, inicia uma manifestação na frente do prédio da empresa, acompanhado dos filhos pequenos e chamando cada vez mais a atenção da mídia.

Recordista histórico em indicações ao Goya - o Oscar espanhol -, com vinte indicações, "O bom patrão" levou seis estatuetas, incluindo melhor filme, direção, ator e roteiro original. Não chega a ser surpresa, quando se assiste à produção de Fernando León de Aranoa: um equilíbrio perfeito entre comédia e drama - com pitadas de suspense e uma dose generosa de crítica social -, o filme apresenta um protagonista falível e humanamente verossímil que ganha o público justamente por seus erros. Lógico que o carisma e o talento de Javier Bardem ajudam muito nesse quesito, mas o roteiro delicioso é tão repleto de camadas, de detalhes e de ironias que é difícil não se deixar envolver sem muito esforço. Contada em capítulos - cada um dedicado a um dia da atribulada semana de Blanco -, a trama de Aranoa vai se tornando, aos poucos, um acúmulo de situações problemáticas que apenas empurram a plateia em direção à empatia quase absoluta pelo personagem central, mesmo sendo ele desprovido de muitos escrúpulos. O que começa com um certo humor sombrio vai gradualmente assumindo contornos trágicos - e a direção firme do cineasta dribla magistralmente as armadilhas que surgem a cada cena, além de distanciar-se do tom de deboche explícito que a trama poderia assumir e aproximá-la de uma fábula repleta de cinismo sobre o mundo capitalista e a hipocrisia da sociedade como um todo.

 


Se não, vejamos: incomodado com a presença incômoda do ex-funcionário - que acampa, junto com os filhos, diante da fábrica, munido de um megafone e de uma vontade férrea de chamar toda a atenção possível da mídia -, Blanco faz o possível e o impossível para removê-lo da vista da comissão governamental, que pode aparecer a qualquer dia para inspecionar a empresa e confirmar seu status de exemplar. Para isso, não hesita em apelar para a lei - e até para meios heterodoxos e violentos a ponto de piorar ainda mais a situação. Não bastasse isso, o empresário precisa lidar com a queda de rendimento de seu braço direito, Miralles (Manolo Solo), que está deixando a crise em seu casamento atrapalhar a vida profissional - e é evidente que Blanco irá se intrometer nas relações extraconjugais do casal para tentar resolver as contendas, mesmo que para isso tenha que envolver outras pessoas na questão. Por fim, o incansável patrão se deixa seduzir pela nova estagiária, a jovem Liliana (Almudena Amor), apenas para descobrir que tal romance casual pode ter desdobramentos inusitados - e quase cruéis.

Dominado por um espetacular Javier Bardem - que apesar disso deixa espaço de sobra para interpretações superlativas de todo o elenco, mesmo aqueles em participações pequenas -, "O bom patrão" é uma amostra de que o cinema espanhol sobrevive muito bem mesmo sem a sombra de Pedro Almodóvar, seu maior representante junto ao público médio. Fernando León de Aranoa é um cineasta que conduz sua história com um visual sóbrio, um humor quase sofisticado e sutileza, deixando entrever nas entrelinhas uma crítica contundente ao sistema de classes e ao jogo social da burguesia - no discurso de Blanco, todos formam uma mesma família, mas na prática, conforme os interesses vão se revelando, as regras mudam e deixam notar um tecido que está esperando o primeiro puxão para romper completamente. Blanco tenta demonstrar, por todo o filme, uma falsa sensação de controle, mas não é preciso muito para que sua aflição transpire por uma série de atos desesperados que, ao invés de ajudar, apenas pioram o quadro. Os risos que "O bom patrão" desperta são nervosos, quase cínicos - e é isso que faz dele uma joia rara, um filme que, de modo inteligente, une o riso e a reflexão como forma de entretenimento da mais alta qualidade.

quarta-feira

ARGENTINA, 1985

 


ARGENTINA, 1985 (Argentina, 1985, 2022, La Unión de los Ríos/Kenya Films/Infinity Hills, 140min) Direção: Santiago Mitre. Roteiro: Santiago Mitre, Mariano Llinás, Martín Mauregui (colaborador). Fotografia: Javier Julia. Montagem: Andrés Pepe Estrada. Música: Pedro Osuna. Figurino: Mônica Toschi. Direção de arte/cenários: Micaela Saiegh. Produção executiva: Phin Glynn, Cindy Teperman. Produção: Victoria Alonso, Santiago Carabante, Chino Darín, Ricardo Darín, Axel Kuschevatzky, Agustina Llambi Campbell, Santiago Mitre, Federico Posternak, Ana Taleb. Elenco: Ricardo Darín, Peter Lanzani, Alejandra Fletchner, Paula Ransenberg. Estreia: 03/9/2021 (Festival de Veneza)

Vencedor do Golden Globe de Melhor Filme Internacional

As cicatrizes que a ditadura militar deixou na sociedade argentina ainda se fazem sentir no país, mesmo depois de quatro décadas após seu final. Pelo menos é que dizem filmes como "A história oficial" (1985), de Luis Puenzo - que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro - e o novo "Argentina, 1985", o fascinante petardo do diretor Santiago Mitre que surge como um potencial candidato ao Oscar 2023 na mesma categoria. Porém, enquanto a obra-prima de Puenzo direcionava suas câmeras a um olhar mais particular sobre o trágico período político encerrado em 1983 (com a história de uma professora descobrindo as origens de sua pequena filha adotiva), a produção de Mitre se debruça explicitamente sobre os crimes cometidos pelos militares - estupros, assassinatos, torturas - para fazer uma espécie de inventário de suas atrocidades e, por consequência, alertar sobre os perigos de que voltem a acontecer. Momentoso, sóbrio e inteligente, o filme, estrelado pelo sempre ótimo Ricardo Darín, surge na hora apropriada, mas seu sucesso não deve ser creditado somente à sua importância política: "Argentina, 1985" é cinema de primeira linha, um filmaço que consegue unir, em duas horas e meia de projeção, entretenimento e relevância histórica.

O filme de Mitre elege como protagonista o promotor público Julio Strassera (Ricardo Darín), escalado para ser o responsável pelo julgamento dos militares de alta patente acusados da violenta repressão  contra os críticos ao governo ditatorial que dominou o país entre 1963 e 1983. Contando com o apoio do jovem advogado Luis Moreno Ocampo (Juan Pedro Lanzani) - que entra em rota de colisão com a família, formada por apoiadores do regime - e um grupo de estagiários cuja vontade de ganhar a causa é inversamente proporcional a sua pouca idade, Strassera aceita a missão contra a vontade, ciente das consequências de um julgamento tão polêmico. Porém, conforme as sessões avançam e as ameaças contra ele, sua mulher e seus filhos aumentam, ele vê aumentar cada vez mais sua sede de justiça - especialmente diante de depoimentos contundentes das vítimas, que estabelecem um grau de crueldade e violência impossíveis de ignorar. Strassera sabe que a condenação dos réus é a única forma de evitar que tal atrocidade venha a repetir-se.

 

Fugindo do tom semi-documental que fatalmente acomete produções de teor político, "Argentina, 1985" não abre mão, no entanto, de deixar bem clara as suas intenções de desenterrar o passado sombrio do país. O roteiro, perfeitamente equilibrado entre dramas pessoais e questões jurídicas que jamais descambam para a verborragia técnica que poderia afastar o espectador, não hesita em explicitar, através de testemunhas e documentos, toda a fúria sanguinária de homens que tentavam, através da força física e psicológica, destruir seus inimigos políticos da forma mais vil. São momentos como esses, em que vítimas narram suas dores, que fazem do filme de Santiago Mitre um petardo histórico e emocional, em contraponto à frieza de todas as sequências em que são discutidos detalhes de bastidores. Em especial no terço final da produção, o cineasta parece abraçar definitivamente o desejo de comover a plateia, encaminhando-a para um clímax arrepiante e, melhor ainda, perfeitamente acurado e fiel aos fatos.

É admirável que o roteiro de "Argentina, 1985" - escrito por Mitre e Mariano Llinás - consiga a façanha de ser, ao mesmo tempo, informativo e dramaticamente consistente. Apesar de dedicar boa parte de sua narrativa a um estudo fidedigno dos processos jurídicos retratados e dos documentos oficiais, a trama encontra espaço suficiente para humanizar seus protagonistas e aproximá-los do espectador mais comum. Enquanto Strassera precisa lidar com as ameaças que sofre para abandonar o julgamento - em sequências tensas e editadas com precisão -, Ocampo sente na pele as consequências de enfrentar um sistema de violência ao tornar-se um pária dentro da própria família. Para isso, o diretor recebe o auxílio impecável de um elenco exemplar, liderado por Ricardo Darín, mais uma vez brilhante: um dos produtores do filme (ao lado do filho, o também ator Chino Darín), o astro mais popular do cinema argentino faz mais um gol de placa - e com o Golden Globe em mãos, corre o delicioso risco de voltar à cerimônia da Academia, que em 2010 premiou o hoje quase clássico "O segredo dos seus olhos". Forte e tocante, "Argentina, 1985" é nada menos que obrigatório.

EM BUSCA DO OURO

  EM BUSCA DO OURO (The gold rush, 1925, Charles Chaplin Productions, 83min) Direção, roteiro, montagem, música e produção: Charles Chapli...