segunda-feira, 17 de julho de 2017

CAINDO NA REAL

CAINDO NA REAL (Reality bites, 1994, Universal Pictures, 99min) Direção: Ben Stiller. Roteiro: Helen Childress. Fotografia: Emmanuel Lubezki. Montagem: Lisa Churgin, John Spence. Figurino: Eugenie Bafaloukos. Direção de arte/cenários: Sharon Seymour/Maggie Martin. Produção executiva: Wm. Barclay Malcolm, Stacey Sher. Produção: Danny De Vito, Michael Shamberg. Elenco: Winona Ryder, Ethan Hawke, Ben Stiller, Steve Zahn, Janeane Garofalo, Swoosie Kurtz. Estreia: 18/02/94

Convencionou-se chamar de "Geração X" aquela formada pelos nascidos entre meados da década de 60 e final dos anos 70 - posteriores, portanto, ao Baby Boom ocorrido logo após a II Guerra Mundial. Mesmo cunhada pelo fotógrafo Robert Capa em 1950, ela serviu para definir um grupo específico de jovens que, vindos ao mundo no período pós-1960, enfrentavam um futuro ainda incerto e sem tanto otimismo. Em 1964, a jornalista Jane Deverson voltou a utilizar o termo em um ensaio para uma revista britânica - dessa vez descrevendo os integrantes do grupo como jovens que não respeitavam os padrões pré-estabelecidos e conservadores da geração anterior. Foi somente com o lançamento do livro "Geração X: contos para uma cultura acelerada" (91), de Douglas Coupland, no entanto, que o apelido pegou de vez - e tornou-se o carimbo de uma juventude cujo niilismo e desilusão eram marcas registradas. Hollywood não demorou em perceber que tinha em mãos um possível nicho e logo tratou de conceber a sua própria visão do fenômeno. "Vida de solteiro" (92), de Cameron Crowe, inaugurou o filão com largas doses de rock e humor, mas não agradou nas bilheterias e imediatamente pôs em dúvida o potencial comercial de filmes relacionados ao tema. Essa falta de interesse repentina - e até justificável - acabou sendo a maior dificuldade, então, no caminho de "Caindo na real", uma comédia dramática/romântica que tratava justamente dos conflitos e dúvidas de um grupo de amigos de vinte e poucos anos que, recém-saídos da universidade, precisam lidar com a nova realidade.

Escrito por uma jovem de apenas 19 anos, "Caindo na real" foi recusado por todos os estúdios de Hollywood - ressabiados com o fracasso de bilheteria de "Vida de solteiro" e temerosos a respeito de um filme sem grandes nomes que garantissem o retorno do investimento. Foi somente depois que a TriStar Pictures desistiu de vez do projeto, porém, que a Universal Pictures entrou na jogada - cobriu o orçamento de 11 milhões de dólares e atraiu Winona Ryder para o papel principal feminino, escrito por Helen Childress exatamente com a atriz em mente. Cansada de várias produções de época, Ryder imediatamente aceitou participar do filme e exigiu, como cláusula contratual, que Ethan Hawke fosse escalado para viver o protagonista masculino. Foi o relativo poder de Winona na época - uma das atrizes jovens mais populares e prestigiadas de sua geração - que também garantiu a presença de Janeane Garofalo, em um papel disputado por nomes em ascensão, como Gwyneth Paltrow, Anne Heche e Parker Posey: mesmo demonstrando problemas de comportamento durante as filmagens (o que ocasionou inclusive uma demissão, mais tarde revogada), Garofalo foi defendida por unhas e dentes por Winona, que a recomendou fervorosamente ao diretor do filme, o estreante Ben Stiller.


Conhecido da televisão americana, Stiller chegou a "Caindo na real" através dos produtores, que viram nele o diretor ideal para contar uma história sobre a juventude americana do começo da década de 90. Foi Stiller quem ajudou a roteirista a chegar a um roteiro final, alterando o foco central da trama: ao invés de simplesmente contar o dia-a-dia de quatro amigos recém-formados, ele preferiu voltar sua atenção para um triângulo amoroso que, como uma metáfora romântica, simbolizava as dúvidas que torturavam as mentes juvenis do momento: o amor rebelde e idealista ou o conforto de uma vida estável e profissionalmente enquadrada nos padrões da sociedade? Surgia assim o ponto crucial da questão, que renegava a ideia inicial (retratar a tal "geração X") para aproximar o filme de uma plateia mais ampla. Em parte deu certo: se não foi um assombroso sucesso, ao menos não comprometeu as carreiras dos envolvidos - e recebeu carinhosos elogios da crítica.

O centro da trama é Lelaina Pierce (Winona Ryder), uma jovem que, enquanto trabalha como assistente de um programa de televisão apresentado pelo arrogante Grant Gubler (John Mahoney), sonha em lançar um documentário sobre ela e seus melhores amigos, todos em momentos decisivos de suas vidas. Troy Dyer (Ethan Hawke) é um músico em constante busca por reconhecimento e um lugar ao sol; Vickie Miner (Janeane Garofalo) trabalha em uma loja de roupas e se preocupa com a possibilidade de ter contraído AIDS; e Sammy Gray (Steve Zahn) tenta lidar com as dúvidas a respeito de sua sexualidade. Unidos, os quatro atravessam um período de mudanças em suas trajetórias, mas é Lelaine quem irá precisar tomar a mais difícil decisão: encarar sua paixão por Troy e embarcar em uma vida mais próxima do que sonha ou ficar ao lado de Michael Grates (Ben Stiller), o executivo de uma emissora de TV que pode lhe proporcionar uma estabilidade profissional e financeira? Winona Ryder nem precisa se esforçar muito para convencer na pele de Lelaina - linda e carismática, ela é a escolha ideal para liderar o elenco. Ben Stiller faz uma estreia promissora, dotando seu filme de ritmo e leveza apropriados, ilustrados com uma trilha sonora das mais adequadas e uma simpatia natural, que dá a seus personagens complexidades surpreendentes em uma produção voltada para um público mais afeito a efeitos visuais do que sutilezas dramáticas. Só por essa coragem, "Caindo na real" já merece aplausos.

sábado, 15 de julho de 2017

OS GRITOS DO SILÊNCIO

OS GRITOS DO SILÊNCIO (The killing fields, 1984, Goldcrest Films International, 141min) Direção: Roland Joffé. Roteiro: Bruce Robinson. Fotografia: Chris Menges. Montagem: Jim Clark. Música: Mike Oldfield. Figurino: Judy Moorcroft. Direção de arte/cenários: Roy Walker. Produção: David Puttnam. Elenco: Sam Waterston, Haing S. Ngor, John Malkovich, Julian Sands, Craig T. Nelson. Estreia: 02/11/84

7 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Roland Joffé), Ator (Sam Waterston), Ator Coadjuvante (Haing S. Ngor), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem
Vencedor de 3 Oscar: Ator Coadjuvante (Haing S. Ngor), Fotografia, Montagem
Vencedor do Golden Globe de Ator Coadjuvante (Haing S. Ngor) 

Alguns críticos reclamaram de sentimentalismo, mas é inegável que a utilização da bela "Imagine", do cantor John Lennon na cena final de "Os gritos do silêncio" é um choque dos mais bem-vindos: sua letra utópica e sua melodia delicada fazem um contraste sublime com a violência, a dor e o desespero mostrados pelo cineasta Roland Joffé em quase duas horas e meia de duração. Um comentário otimista à dureza da história contada, a música do ex-beatle encerra uma jornada das mais intensas do cinema da década de 80, um grito contra a guerra e suas consequências nefastas e um filme que justificou plenamente - em termos cinematográficos - todos os elogios e prêmios que conquistou, incluindo as sete indicações ao Oscar e suas três merecidas estatuetas. Uma história real escrita pelo jornalista Sydney Schanberg e adaptada para as telas por Bruce Robinon, "Os gritos do silêncio" ainda mantém sua força de denúncia e sua grande capacidade de emocionar - em especial graças à honestidade que emana de cada uma de suas sequências.

Nitidamente apaixonado pela história de seu primeiro longa-metragem - e que já havia sido cobiçada por ninguém menos que Stanley Kubrick -, Roland Joffé mergulha sem reservas em um pesadelo claustrofóbico, adiantando em alguns anos o que Oliver Stone faria com seus filmes sobre a Guerra do Vietnã (e, sem dourar a pílula, escancarando um dos mais sangrentos e dolorosos episódios do século XX). Com uma narrativa crua e direta, Joffé abandona o lirismo de Francis Ford Coppola e seu "Apocalypse now" (79) para criar, com a ajuda da oscarizada fotografia de Chris Menges, um filme que trai seu passado de documentarista e suas preocupações político-sociais através de um visual sujo, realista e sem retoques. O público até pode demorar a embarcar na viagem - seu primeiro ato não deixa de ser um tanto confuso, justamente para dar a sensação de urgência e desespero dos personagens -, mas depois que isso acontece é impossível ficar indiferente. "Os gritos do silêncio" é uma obra repleta de grandes acertos - e os maiores estão diante do espectador, nas figuras inesquecíveis de seus atores principais, Sam Waterston e Haing S. Ngor.


Praticamente desconhecido à época do lançamento, Waterston foi uma aposta ousada e corajosa do diretor e seu produtor, David Puttnam, que desafiaram o desejo do estúdio de ter um astro de maior popularidade encabeçando o elenco. Nomes dispostos a encarar o desafio não faltavam: Dustin Hoffman, Roy Scheider e Alan Arkin foram alguns dos atores interessados, mas todos eles acabavam desistindo diante dos perigos que poderiam correr durante as filmagens na Tailândia - na verdade, perigos devidamente ampliados por Joffé e Puttnam como forma de desencorajar os intérpretes que poderiam ameaçar sua escolha por Waterston. No final das contas, a aposta deu muito certo - em um trabalho discreto mas extremamente eficaz, Waterston é capaz de transmitir toda a vasta gama de emoções de seu personagem (coragem, medo, indignação, remorso, orgulho, saudade) sem precisar apelar para excessos de qualquer tipo. Sua atuação lhe rendeu uma indicação ao Oscar e ao Golden Globe - e um dos papéis mais consistentes de sua carreira. Na pele do jornalista Sydney Schanberg, correspondente do New York Times na Guerra do Camboja do começo dos anos 70, ele serve como reflexo do espectador, tomando contato com um mundo de violência extrema e regras arbitrárias que põem a sua vida e de seus colegas em risco - especialmente a de seu intérprete local, Dith Pran, que se separa da própria família para ficar ao lado do repórter no pior momento do conflito. Pran, um homem íntegro e corajoso, é a segunda metade de um par inesquecível das telas... principalmente quando se sabe a história por trás do ator que lhe dá vida, Haing S. Ngor.

Formado em Medicina no Camboja, Ngor se viu obrigado a esconder sua condição por saber que os soldados do Khmer Vermelho - que invadiram o país em 1975 - estavam assassinando pessoas de nível intelectual superior contrários à sua ideologia. Isso não impediu, no entanto, que ele fosse preso e torturado, além de ter perdido a mulher e o filho recém-nascido na hora do parto (a esposa não quis chamá-lo para não denunciar sua profissão). Depois de fugir para a Tailândia e os EUA, foi escolhido por Joffé para interpretar Dith Pran - e só aceitou o papel que lhe trazia tantas más recordações porque o cineasta estava com imensas dificuldades em encontrar um ator cambojano para o filme, uma vez que a política do Khmer também perseguia artistas. O resultado não poderia ter sido mais satisfatório, porém: unanimemente elogiado pela crítica, Ngor levou pra casa o Golden Globe e o Oscar de ator coadjuvante (segunda vez na história do prêmio em que a estatueta ficava com um ator não-profissional).

O fato é que a mistura de narrativa semidocumental com um elenco afiado - que conta com um jovem John Malkovich em papel coadjuvante - faz de "Os gritos do silêncio" um filme obrigatório. Forte, doloroso e pungente, mas igualmente imprescindível como retrato da desumanidade da guerra. Um enorme acerto de Roland Joffé já em seu primeiro trabalho em longa-metragens.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

UM DIA A CASA CAI

UM DIA A CASA CAI (The money pit, 1986, Universal Pictures, 91min) Direção: Richard Benjamin. Roteiro: David Giler. Fotografia: Gordon Willis. Montagem: Jacqueline Cambas. Música: Michel Colombier. Figurino: Ruth Morley. Direção de arte/cenários: Patrizia von Brandenstein/George DeTitta Sr.. Produção executiva: David Giler, Steven Spielberg. Produção: Kathleen Kennedy, Art Levinson, Frank Marshall. Elenco: Tom Hanks, Shelley Long, Alexander Godunov, Maureen Stapleton, Joe Mantegna. Estreia: 26/3/86

Quando estrelou a comédia "Um dia a casa cai", em 1986, Tom Hanks já tinha pelo menos um grande sucesso de bilheteria no currículo - "Splash: uma sereia em minha vida" (84), em que vivia uma história de amor com a sereia interpretada por Daryl Hannah. Foi graças ao filme de Richard Benjamin, no entanto, que o astro teria seu primeiro contato com aquele que o dirigiria inúmeras vezes no futuro, frequentemente com grande sucesso de crítica e público: Steven Spielberg, aqui assinando como produtor executivo. E se em colaborações vindouras a dupla seria presença constante nas cerimônias de premiação com obras de impacto como "O resgate do soldado Ryan" (98) e "Ponte dos espiões" (2015), seu primeiro encontro não poderia ter sido mais despretensioso. Refilmagem de um clássico de 1948 estrelado por Cary Grant e Myrna Loy e chamado "Lar... meu tormento", "Um dia a casa cai" é uma comédia rasgada e assumidamente pastelão, feita com o único objetivo de arrancar gargalhadas da plateia e fazê-la esquecer dos problemas por uma hora e meia. Deu certo: não apenas rendeu quatro vezes o seu custo no mercado doméstico e alavancou a carreira de Hanks como também entrou direto na lista dos clássicos dos anos 80. E para isso nem precisou ser genial, mas apenas competente!

Dotado de um senso de ritmo ágil e quase anárquico, "Um dia a casa cai" é uma comédia ligeira que não exige de seu público mais do que a vontade de se divertir sem pensar muito. Com um roteiro linear que flerta escancaradamente com o absurdo, o cineasta Richard Benjamin se contenta em orquestrar com precisão uma sinfonia de destruição que é, também, uma crítica sutil à especulação imobiliária galopante dos anos Reagan, uma época que deu origem aos hoje criticados yuppies - e cujo senso moral e conservador afetou também a produção cinematográfica de Hollywood, que passou a dar mais valor a filmes que pudessem ser consumidos por toda a família. "Um dia a casa cai" serve como uma luva para tais propósitos - mas nem por isso deixa de ser engraçado e ligeiramente ácido. A persona desenvolvida por Hanks - o homem comum, de fácil identificação com a plateia e propenso a sofrer de forma estoica e séria ao caos à sua volta - serve como uma luva nas pretensões do roteiro, e sua parceria com Shelley Long (de longa cancha na comédia) é das mais felizes - mais até do que poderia ter sido com a escolha inicial do diretor, Kathleen Turner.


A trama é simples até demais: precisando urgentemente sair do apartamento onde estava morando, Walter Fielding (Tom Hanks) encontra um negócio da China quando compra uma mansão de uma senhora em vias de abandonar o país - um achado inacreditável. O que Fielding não tem a menor ideia é que o casarão (aparentemente em perfeitas condições) está caindo aos pedaços, literalmente. Enquanto lida com dezenas de operários na reforma da propriedade - nem todos exatamente sendo profissionais exemplares -, ele ainda tem que se preocupar com a ameaça representada por Max Beissart (Alexander Godunov), um maestro internacionalmente famoso que vem a ser o ex-marido de Anna (Shelley Long), sua namorada: o músico ainda tem esperanças de recomeçar o casamento, e, apesar de apaixonada por Walter, Anna precisa da segurança que o rapaz ainda não lhe proporciona. A mudança e suas subsequentes desventuras irão fortalecer o relacionamento - ou acabar de vez com ele.

Criando cenas quase nonsense, de um humor direto e simples, Richard Benjamin faz de "Um dia a casa cai" um programa irretocável para quem busca entretenimento rápido. Com sequências milimetricamente construídas com o objetivo de fazer rir sem precisar pensar muito, o filme se inscreve na tradição das comédias físicas de Chaplin e Buster Keaton - sem o lirismo do primeiro e a seriedade do segundo - e confirma Tom Hanks como um dos atores mais versáteis de sua geração dois anos antes de sua primeira indicação ao Oscar (ainda por uma comédia, a delicada "Quero ser grande"). Já demonstrando um carisma acima da média e desenvoltura para realizar qualquer tipo de humor, Hanks é, junto com a direção de arte criativa (que desmonta um cenário ao invés de construí-lo), o maior trunfo de um filme que, se não chega a ser inesquecível, é, ao menos, parte da memória afetiva de boa parte dos cinéfilos de sua época. Já está de bom tamanho para algo tão despretensioso!

terça-feira, 11 de julho de 2017

PEGGY SUE: SEU PASSADO À ESPERA

PEGGY SUE: SEU PASSADO À ESPERA (Peggy Sue got married, 1986, TriStar Pictures, 103min) Direção: Francis Ford Coppola. Roteiro: Jerry Leichtling, Arlene Sarner. Fotografia: Jordan Cronenweth. Montagem: Barry Malkin. Música: John Barry. Figurino: Theadora Van Runckle. Direção de arte/cenários: Dean Tavoularis/Marvin March. Produção executiva: Barrie M. Osborne. Produção: Paul R. Gurian. Elenco: Kathleen Turner, Nicolas Cage, Joan Allen, Helen Hunt, Sofia Coppola, Barbara Harris, Jim Carrey, Don Murray, Barry Miller, Kevin J. O'Connor. Estreia: 05/10/86

3 indicações ao Oscar: Atriz (Kathleen Turner), Fotografia, Figurino

A carreira de Francis Ford Coppola se divide entre produções ambiciosas (que tanto podem agradar em cheio quanto serem solenemente ignoradas pelo público) e filmes menores, de baixo orçamento e pretensões ainda menores. Em 1986, ele estava vindo do fracasso comercial do épico musical "Cotton Club" (84) quando acertou a mão com um drama romântico, delicado e sensível que refletia a nostalgia generalizada em relação à uma época mais inocente dos EUA, pré-assassinato de John Kennedy e Guerra do Vietnã. Projeto herdado da diretora Penny Marshall (que foi afastada pelos produtores por ser considerada inexperiente para um filme que já era tido pelo estúdio como uma produção relativamente grande), "Peggy Sue: seu passado à espera" não apenas deu à Kathleen Turner um dos maiores papéis de sua carreira (e uma subsequente indicação ao Oscar de melhor atriz) como contava com um jovem Jim Carrey em papel coadjuvante e revelou o nome de Nicolas Cage à plateia (ainda que em uma atuação um tanto equivocada e questionada pelo próprio diretor).

Na verdade, a presença de Cage esteve por um fio principalmente por sua insistência em utilizar-se de um tom de voz que tanto Coppola (seu próprio tio) e os produtores simplesmente odiaram desde o princípio. O fato de Cage ter vencido a disputa diz muito sobre sua personalidade persuasiva, mas é inegável que sua presença desequilibra o resultado final - quando Penny Marshall estava no comando da produção, por exemplo, os nomes cotados para viver o protagonista masculino foram os de Tom Hanks, Dennis Quaid e Sean Penn, todos atores bem menos excêntricos e de registro mais sutil. Sempre que Cage entra em cena, o filme assume um tom mais debochado, contrastando com o lirismo impresso pela fotografia de Jordan Cronenweth (também indicada ao Oscar) e pela trilha sonora leve e onírica, a cargo de John Barry e canções populares do começo dos anos 60. Felizmente a presença do ator não atrapalha o desempenho luminoso de Kathleen Turner, que transborda emoção e graça em cada diálogo.


Substituindo Debra Winger, que abandonou o projeto depois de um acidente de bicicleta, Turner está plenamente à vontade em cena, convencendo tanto como a dona-de-casa frustrada de 43 anos em vias de divorciar-se quanto como a adolescente atônita ao descobrir seu poder inexplicável de mudar os rumos de sua vida quando acorda em 1960. Aproveitando-se de um roteiro que explora o humor, o romantismo e o surreal da situação, a atriz revelada por Lawrence Kasdan em "Corpos ardentes" (81) entrega uma performance encantadora e tão mágica quanto o enredo: Peggy Sue, uma mulher desiludida com o fim de seu casamento com o namorado de adolescência, Charles Bodell (Nicolas Cage), vai quase à contragosto a uma festa para celebrar o reencontro de seus colegas de escola. Coroada rainha da festa, ela subitamente desmaia e, para sua surpresa/deleite/angústia, desperta em 1960, quando ainda não estava definitivamente comprometida com o futuro marido. Percebendo a possibilidade de modificar seu destino, ela resolve tentar a sorte com outro rapaz, o sensível e rebelde poeta Michael Fitzsimmons (Kevin J. O'Connor) - mas para isso ela terá de desvencilhar-se de Charles, completamente apaixonado por ela.

Equilibrando seu filme entre as decisões amorosas da protagonista e a forma como ela passa a lidar com a novidade temporal de sua vida - o reencontro com a irmã caçula, o contato com os avós já falecidos, a tentativa de ajudar Charles em sua carreira musical lhe dando de bandeja um sucesso ainda não lançado dos Beatles, sua associação com o gênio da escola, Richard Norvick (Barry Miller) -, Coppola dirige "Peggy Sue" com mão leve, sem jamais pesar o drama e preferindo sublinhar o tom lúdico do roteiro, em contraste com o humor acelerado e juvenil de "De volta para o futuro", dirigido por Robert Zemeckis um ano antes e que também brincava com viagens no tempo. Felizmente evitando explicações mirabolantes para a situação central - e também uma solução fácil e insatisfatória -, o filme fecha sua trama de forma coerente e emocionante, sem trair o público ou transfigurar seus personagens. Um entretenimento adulto e um dos melhores Francis Ford Coppola da década de 80!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

JOGA A MAMÃE DO TREM

JOGA A MAMÃE DO TREM (Throw momma from the train, 1987, Orion Pictures, 88min) Direção: Danny De Vito. Roteiro: Stu Silver. Fotografia: Barry Sonnenfeld. Montagem: Michael Jablow. Música: David Newman. Figurino: Marilyn Vance-Straker. Direção de arte/cenários: Ida Random/Anne D. McCulley. Produção executiva: Arne L. Schmidt. Produção: Larry Brezner. Elenco: Billy Cristal, Danny De Vito, Anne Ramsey, Rob Reiner, Kim Greist, Kate Mulgrew. Estreia: 11/12/87

Indicado ao Oscar de Atriz Coadjuvante (Anne Ramsey)

Em 1951, Alfred Hitchcock lançou um de seus mais emblemáticos filmes, "Pacto sinistro", baseado em um romance de Patricia Highsmith - e cujo tema central, a transferência de culpa, era um de seus preferidos. Quase quarenta anos mais tarde, comprovando a perenidade e importância de sua obra como referência cultural, uma comédia de humor negro chegava às telas inspirada em sua premissa e, apesar da inteligência acima da média do roteiro - e da falta de efeitos visuais de última geração e de grandes astros em seu elenco -, faturou alto nos EUA, com uma bilheteria de quase 60 milhões de dólares. Estreia do ator Danny De Vito como diretor, "Joga a mamãe do trem" também conseguiu um fato raro: driblou a resistência da Academia de Hollywood em levar comédias ao Oscar e deu à veterana Anne Ramsey uma indicação à estatueta de atriz coadjuvante.


Conhecida do grande público por seu trabalho como Mamma Fratelli, a matriarca do crime na comédia juvenil "Os goonies" (87), Ramsey foi a escolha mais do que perfeita de De Vito para encarnar a irascível e cruel mãe do aspirante a escritor Owen (o próprio diretor em momento inspirado) - e fonte de todos os seus males e inseguranças. Mesmo sofrendo de constantes dores durante as filmagens, devido a uma cirurgia feita para tratar um câncer na garganta, a atriz simplesmente rouba todas as cenas em que aparece, oferecendo ao filme um tom de história em quadrinhos que equilibra com precisão os momentos menos histriônicos do roteiro de Stu Silver. Sempre que Owen e sua mamãezinha querida estão em cena, o filme abandona a narrativa mais convencional - repleta de diálogos espertos e citações culturais - para mergulhar no absurdo: é a chance que o diretor tem em mostrar criatividade e versatilidade, ensaiando um humor negro que chegaria ainda mais longe em seu trabalho seguinte, "A guerra dos Roses" (89), estrelado por Michael Douglas e Kathleen Turner. Chegando quase ao pastelão, De Vito diverte a plateia, mas é quando ele flerta com o suspense e com a comédia de situações é que demonstra o quão acertada foi sua primeira experiência na cadeira de diretor.



Na verdade, a realização de "Joga a mamãe do trem" começou com um pequeno impasse, relativo a um detalhe imprescindível para a trama: os direitos de imagem de "Pacto sinistro", de posse da Warner Bros, que não parecia inclinada a cedê-los para uma produção de outro estúdio (no caso, a Orion Pictures). A solução apareceu na forma de uma troca comercial aparentemente vantajosa para ambos os lados: para poder utilizar trechos da obra de Hitchcock, a Orion cedia à Warner os direitos de sua bem-sucedida comédia "Arthur, o milionário sedutor" (81), para que o estúdio fizesse a continuação que estava em seus planos. A vantagem dupla foi apenas aparente, no entanto, já que, enquanto "Joga a mamãe do trem" se tornava um dos quinze filmes mais vistos de 1987, "Arthur 2" naufragava violentamente nas bilheterias. O sucesso do filme de De Vito, mais do que afirmar que nem sempre o público é previsível, mostrava também que, por trás de sua diminuta figura, havia um talento inversamente proporcional também como cineasta.

Em seu primeiro filme, De Vito interpreta Owen Lift, um solteirão tímido e inseguro que sonha em tornar-se escritor - a despeito de não demonstrar muito talento na função e viver humilhado por sua quase sádica mãe (Anne Ramsey). Ele frequenta as aulas de redação ministradas por Larry Donner (Billy Cristal), um autor frustrado e amargurado pelo fato de ter seu livro roubado pela ex-mulher - agora famosa e milionária. Preso em um bloqueio criativo devido ao trauma, Donner é procurado pelo insistente Owen em busca de conselhos, mas interpreta mal uma dica do escritor e, depois de assistir ao filme de Hitchcock, acredita que a solução para os problemas de ambos é um assassinato cruzado: ele viaja, então, para matar a ex-mulher de Donner, e o persegue para fazê-lo cumprir sua parte no trato e dar fim à sua beligerante genitora. Obviamente, as coisas não saem como previstas, e é aí que o roteiro e a direção, somados ao elenco impagável, transformam "Joga a mamãe do trem" em um passatempo divertido e inteligente e em uma das comédias mais relevantes dos anos 80.

domingo, 9 de julho de 2017

SURPRESAS DO CORAÇÃO

SURPRESAS DO CORAÇÃO (French kiss, 1995, Polygram Filmed Entertainment/20th Century Fox, 111min) Direção: Lawrence Kasdan. Roteiro: Adam Brooks. Fotografia: Owen Roizman. Montagem: Joe Hutshing. Música: James Newton Howard. Figurino: Joanna Johnston. Direção de arte/cenários: Jon Hutman/Kara Lindstrom. Produção executiva: Charles Okun. Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, Kathryn F. Galan, Meg Ryan. Elenco: Meg Ryan, Kevin Kline, Timothy Hutton, Jean Reno, François Cluzet. Estreia: 05/5/95

Desde sua estreia como cineasta em 1981, com o neonoir "Corpos ardentes", o roteirista Lawrence Kasdan sempre demonstrou uma versatilidade ímpar, percorrendo praticamente todos os estilos com inteligência e talento. Foi assim com os dramas "O reencontro" (83) e "Grand Canyon: ansiedade de uma geração" (91), a comédia de humor negro "Te amarei até te matar" (90), o romance de "O turista acidental" (88) e os westerns "Silverado" (85) e "Wyatt Earp" (94). Não chega a ser uma surpresa, portanto, que seu nome esteja por trás de "Surpresas do coração", sua primeira (e até agora única) investida na comédia romântica. Tampouco é surpreendente que, como aval para sua estreia, ele tenha contado com a providencial ajuda daquela que, na metade dos anos 90, era o principal nome de Hollywood no gênero: Meg Ryan. Uma das produtoras do filme, Ryan é a cara do projeto, uma produção agradável, divertida e inofensiva que, se não chega a ser memorável, ao menos é um passatempo bastante sofisticado, emoldurado por belas paisagens francesas e por um roteiro esperto que brinca com as diferenças culturais entre EUA e França - além de contar com um belo elenco e a fotografia inspirada de Owen Roizman em seu último trabalho.

Como frequentemente acontece no mundo do cinema, "Surpresas do coração" caiu nas mãos de Kasdan na hora certa: esgotado depois das problemáticas filmagens de "Wyatt Earp" - realizado com grande ambição mas recebido com frieza pelo público e pela crítica - e querendo um período de férias, ele encontrou, no roteiro de Adam Brooks, a desculpa perfeita para passar um tempo na França ao mesmo tempo em que trabalhava em um projeto menos grandioso. Sem poder contar com a presença de Gérard Depardieu (para quem o protagonista masculino foi escrito), o cineasta resolveu a questão da melhor forma possível e chamou para o elenco um amigo pessoal, parceiro habitual e, ainda mais importante, um ator sensacional. Em seu quinto trabalho com Kasdan, o premiado e sempre imprevisível Kevin Kline acrescenta um tempero a mais no filme, em uma personificação impagável de anti-galã - com direito a visual desleixado, mau-humor constante... e um charme incontestável.


A trama começa quando Kate (Meg Ryan), uma americana em vias de casar-se com o noivo, Charlie (Timothy Hutton), e assumir cidadania canadense, descobre, da pior maneira possível, que ele desistiu do compromisso depois de apaixonar-se por uma jovem francesa em sua viagem a Paris. Desesperada para reconquistá-lo, ela supera sua fobia de voar e resolve viajar ao encontro do novo casal. No avião, ela senta ao lado de Luc Teyssier (Kevin Kline), um típico francês falastrão e estranhamente interessado em suas histórias. Na verdade, o que Kate não sabe e só irá descobrir muito depois - quando já for tarde para tomar qualquer providência a respeito - é que Luc é um conhecidíssimo ladrão de joias que escondeu um valioso colar em sua mochila, juntamente com uma muda com a qual planeja começar um vinhedo em sua terra natal. Roubada por um antigo comparsa de Luc e sem possibilidade de voltar para casa, só resta à Kate reencontrar Charlie - e para isso, ela conta com a ajuda inesperada do adorável criminoso.

"Surpresas do coração" é o que se pode esperar de um filme estrelado por Meg Ryan. Assim como em todos os seus trabalhos anteriores do estilo, a atriz é simpática, engraçada e desajeitada na medida certa para a identificação da plateia feminina e interesse da masculina. Tal previsibilidade é, ao mesmo tempo, o maior trunfo e o calcanhar de Aquiles do filme: enquanto oferece ao público o que ele deseja quando se trata de uma comédia romântica (belas paisagens, personagens adoráveis, bons momentos de humor, uma trilha sonora inspirada), o trabalho de Kasdan não surpreende em momento algum, seguindo com lealdade canina todos os passos de uma produção do gênero. É lógico que o desempenho de Kevin Kline acrescenta prestígio ao filme (assim como o elenco francês, que inclui Jean Reno e François Cluzet, além do vencedor do Oscar Timothy Hutton), mas desta vez Kasdan não imprime uma marca diferencial, uma releitura que dê sua personalidade ao filme. É uma comédia romântica simples e eficiente, mas sem a intensidade de seus trabalhos anteriores - o que talvez seja algo proposital, afinal ele queria férias, não é verdade? No final das contas, para os fãs de Ryan, Kline e comédias românticas em geral, é um prato saboroso. Para o resto do público, é um passatempo dos mais divertidos - o que já é muito mais do que se pode dizer de boa parte de seus congêneres.

sábado, 8 de julho de 2017

TRÊS MULHERES, TRÊS AMORES

TRÊS MULHERES, TRÊS AMORES (Mystic Pizza, 1988, The Samuel Goldwyn Company, 104min) Direção: Donald Petrie. Roteiro: Amy Jones, Perry Howze, Randy Howze, Alfred Uhry, estória de Amy Jones. Fotografia: Timothy Suhrstedt. Montagem: Don Brochu, Marion Rothman. Música: David McHugh. Figurino: Jennifer Von Meyerhauser. Direção de arte/cenários: David Chapman/Clay Griffith. Produção executiva: Samuel Goldwyn Jr.. Produção: Mark Levinson, Scott Rosenfelt. Elenco: Annabeth Gish, Julia Roberts, Lily Taylor, Vincent D'Onofrio, Conchata Ferrell, William R. Moses, Adam Storke, Matt Damon. Estreia: 21/10/88

Kat está em vias de iniciar a faculdade em Yale, mas aceita um trabalho extra de babá - até que não consegue controlar seus sentimentos e se envolve em uma relação destinada ao fracasso; sua irmã, Daisy, sensual e extrovertida, inicia um namoro com um rapaz de classe social superior à sua, surda aos avisos de que seu final não tem como ser feliz; e Jojo, que acabou de abandonar o noivo no altar, tenta reconquistá-lo a despeito de seu medo de compromissos e de sua libido à flor da pele serem problemas a superar para que a relação vingue. As três jovens trabalham como garçonetes em uma pizzaria de uma pequena cidade de Connecticut chamada Mystic e, além de lutarem por sua felicidade, são as protagonistas de um adorável pequeno filme chamado "Três mulheres, três amores", primeiro longa-metragem do cineasta Donald Petrie e responsável pelos primeiros papéis de destaque de um trio de atrizes que iria se destacar na década de 90 - sem falar que uma delas iria se tornar um dos maiores nomes do cinema americano do final do século XX: lançado no final de 1988, foi um dos filmes que chamaram a atenção do público e da crítica para uma bela e sorridente candidata a estrela: Julia Roberts.

Às vésperas de ser indicada pela primeira vez ao Oscar - como coadjuvante de "Flores de aço" (89) - e conhecer o estrelato absoluto com "Uma linda mulher" (90) - que lhe colocou novamente no páreo por uma estatueta que só viria uma década mais tarde -, Roberts já demonstrava, em "Três mulheres, três amores", o carisma e o talento que o público estava em vias de celebrar. Mérito também dos produtores, que a testaram para o papel da doidivanas Jojo mas resolveram acertadamente escalá-la para viver a voluptuosa Daisy, uma personagem capaz de explorar todas as facetas de sua capacidade dramática, e deixar Jojo nas mãos de Lily Taylor, também dando seus primeiros passos no cinema e se encaminhando para ser uma das queridinhas do cenário independente. Seu desempenho é repleto de uma jovialidade e de uma energia quase palpáveis, especialmente quando ao lado de Vincent D'Onofrio, que, na pele de seu atônito noivo católico, Bill - que não entende a fixação da noiva em sexo e seu medo de compromissos: juntos, Taylor e D'Onofrio proporcionam ao filme o toque de humor apropriado, que equilibra a determinação de Daisy e o romantismo de Kat - a personagem mais centrada e, justamente por isso, a mais surpreendente das três protagonistas.





Sensível e responsável, Kat resolve se dividir entre o emprego de garçonete na pizzaria e um trabalho de babá para a filha pequena do arquiteto Tim (William R. Moses), cuja esposa está viajando a trabalho. Enquanto aguarda o momento de embarcar para a universidade, ela começa a passar tempo demais com a menina e, por consequência, com seu pai, o que a leva a um romance inesperado e pouco recomendável - especialmente para alguém tão romântica e responsável. Nem mesmo sua irmã, Daisy, é tão inconsequente: apesar de namorar um rapaz rico, Charlie (Adam Storke), Daisy jamais se permite ser magoada ou inferiorizada, e usa de sua personalidade forte para impor seu ponto de vista mesmo que isso arrisque seu relacionamento. Juntas, as três se completam e dão força umas às outras - uma espécie de família abençoada pela dona do restaurante, Leona (Conchata Ferrell), cujo ingrediente secreto de seu molho unanimemente elogiado ela insiste em manter apenas para si.

Leve e despretensioso, "Três mulheres, três amores" (que quase ganhou uma sequência nos anos 90) se tornou o cartão de visitas de Donald Petrie, um diretor que especializou-se em comédias e episódios de séries de televisão até que, em 2000, tirou a sorte grande com "Miss Simpatia", um enorme sucesso de bilheteria estrelado por Sandra Bullock - e que redefiniu os rumos de sua carreira, levando-o para a seara das comédias românticas ("Como perder um homem em dez dias", de 2003, também surpreendeu positivamente). Já em seu primeiro filme, ele demonstra um bom senso de ritmo, de carinho pelos personagens e, ainda mais importante, a capacidade de criar identificação entre público e a história a ser contada. Pode parecer pouco, mas quando os créditos finais sobem e a plateia se despede das três moçoilas que lhe fizeram companhia nos últimos 100 minutos, pode-se perceber que nem todo cineasta consegue causar tanta simpatia e leveza. Uma ótima sessão da tarde adulta!