RASGA CORAÇÃO (Rasga coração, 2018, Casa de Cinema de Porto Alegre/Globo Filmes, 115min) Direção: Jorge Furtado. Roteiro: Jorge Furtado, Ana Luiza Azevedo, Vicente Moreno, peça teatral de Oduvaldo Vianna Filho. Fotografia: Glauco Firpo. Montagem: Giba Assis Brasil. Figurino: Rosângela Cortinhas. Direção de arte: Fiapo Barth. Produtor associado: Guel Arraes. Elenco: Marco Ricca, Drica Moraes, Chay Suede, João Pedro Zappa, George Sauma, Luisa Arraes, Nelson Diniz, Anderson Vieira. Estreia: 06/12/18
Último texto dramático de Oduvaldo Vianna Filho - o Vianinha, conhecido do grande público por ser o criador e roteirista da primeira versão de "A grande família" - e um dos marcos do teatro brasileiro mesmo tendo estreado com seis anos de atraso por problemas com a censura, "Rasga coração" conseguiu, em sua primeira montagem, de 1979, emocionar até mesmo o irascível Nelson Rodrigues, não exatamente um entusiasta do autor, mas que declarou-a como uma das mais belas e fascinantes obras-primas do teatro nacional. Um retrato real, inteligente e visceral do choque de gerações e um brilhante inventário dos sonhos de revolução da juventude, a peça nunca pareceu tão atual quanto agora, quando o país atravessa uma de suas mais severas crises de intolerância política. Por isso não chega a surpreender o fato de que sua versão cinematográfica - pelas mãos do gaúcho Jorge Furtado, fã da obra original e um dos cineastas mais criativos do Brasil - pareça tão fresca e relevante. Ao se entregar sem medo à emoção e à potência dramática do texto de Vianinha e adequá-lo à realidade atual com respeito e inteligência, Furtado faz de seu novo filme o que pode ser considerado seu melhor trabalho - e isso que se trata do mesmo diretor de pérolas como "O homem que copiava" e "Saneamento básico: o filme", duas comédias das mais incríveis que se tem notícia na filmografia nacional.
Abdicando de seu estilo facilmente reconhecível e consagrado, Furtado entrega, em "Rasga coração", uma obra madura e sensível, sem artifícios narrativos que ofusquem a força de seus personagens e de sua mensagem. Consegue até mesmo fugir da armadilha tão comum de realizar apenas um teatro filmado: graças à edição do veterano Giba Assis Brasil, o espectador raramente lembra que está assistindo à adaptação de um texto cuja montagem se passava em um único cenário desdobrado em várias fases. Indo e voltando no tempo em flashbacks que revelam muito mais semelhanças entre as duas gerações retratadas do que elas mesmas gostariam de perceber, o filme mergulha o público em uma experiência tão gratificante quanto tensa, explorando as diversas camadas da narrativa de forma orgânica. É aos poucos que a plateia vai se dando conta de que as duas histórias que estão sendo contadas pelo diretor não se unem apenas devido à presença do mesmo personagem principal, mas também porque, por mais que o tempo passe, os problemas e as (tentativas de) solução parecem sempre os mesmos - e cada geração lida com eles da maneira que acha mais correta.
Enquanto no texto original a trama se desdobrava em três tempos distintos, na estupenda adaptação, feita por Furtado, Ana Luiza Azevedo e Vicente Moreno, o enredo enfoca apenas a relação entre pai e filho, corroída por diferenças que aparentemente não existiam. Manguari Pistolão (Marco Ricca, em uma interpretação rica em nuances) é funcionário público, leva uma vida razoavelmente estável ao lado da esposa Nena (Drica Moraes, sempre uma atriz avassaladora) e tem problemas apenas relacionados a trivialidades, como encaixar no orçamento as novas manias veganas do único filho, Luca (Chay Suede, surpreendente). Seu sonho é ver o rapaz cursando Medicina e abrindo um consultório com o dinheiro que ele vem economizando há anos, mas as coisas começam a sair do controle quando Luca informa aos pais que, SE fizer a faculdade, pretende praticar a medicina no interior, ajudando aos mais carentes. Os ideais do jovem apavoram sua mãe, mas fazem Manguari lembrar de sua juventude (quando é interpretado por João Pedro Zappa, protagonista do ótimo "Gabriel e a montanha"): durante a ditadura militar, ele e um grupo de amigos, entre os quais o excêntrico Lorde Bundinha (George Sauma) e o engajado Camargo Velho (Anderson Vieira), lutavam bravamente contra o regime, sonhando com uma sociedade mais justa e a liberdade de expressão - fatos que, obviamente, o colocavam em rota de colisão com o próprio pai (Nélson Diniz).
O difícil relacionamento entre Manguari e seu pai começa a se redesenhar em seu contato com Luca quando o rapaz entra em rota de colisão com a escola onde estuda: ao lado da namorada e outros colegas, ele compra a briga de ideologia de gêneros (mais atual que o movimento hippie do original) e, suspenso, desperta no pai a velha paixão pela luta. Porém, as coisas não são exatamente como antes, e o que poderia ser consenso entre os dois se torna motivo de discórdia - o que alimenta ainda mais as memórias de Manguari a respeito de seus antigos amigos e de sua juventude militante. Ao intercalar presente e passado sem necessariamente se prender a uma fórmula banal, "Rasga coração" provoca uma reflexão pertinente e muito atual sobre a falta de diálogo e compreensão mútua, além de resgatar a velha, mas nunca ultrapassada, discussão sobre as semelhanças e diferenças entre gerações - e a conclusão de que, apesar de tudo que se faz, a tendência é sempre repetir os erros e/ou acertos anteriores. Apesar desse travo de certa amargura, o filme termina com uma ponta de esperança, ao apontar, discreta mas efetivamente, o caminho para a tolerância e a convivência pacífica. É um filme que faz jus à sua origem e orgulha a cinematografia nacional: emocionante, pungente, corajoso e imprescindível.
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MEU TIO MATOU UM CARA
MEU TIO MATOU UM CARA (Meu tio matou um cara, 2004, Casa de Cinema de
Porto Alegre/Natasha Filmes, 87min) Direção: Jorge Furtado. Roteiro:
Jorge Furtado, Guel Arraes, conto de Jorge Furtado. Fotografia: Alex
Sernambi. Montagem: Giba Assis Brasil. Música: André Moraes, Caetano
Veloso. Figurino: Rosângela Cortinhas. Direção de arte/cenários: Fiapo
Barth. Produção executiva: Nora Goulart, Luciana Tomasi. Produção: Guel
Arraes, Paula Lavigne. Elenco: Darlan Cunha, Sophia Reis, Lázaro Ramos,
Dira Paes, Aílton Graça, Renan Gioelli, Júlio Andrade, Janaina Kremer
Motta. Estreia: 31/12/04
Talvez a mais marcante característica da constante e simpática filmografia do diretor Jorge Furtado seja a despretensão que a permeia. Em filmes como "Houve uma vez dois verões" e "O homem que copiava", seus dois primeiros longas, o cineasta gaúcho nunca deixou de lado seu apego ao humor inteligente, um bairrismo encantador e orgulhoso e um naturalismo raro no cinema nacional, além do objetivo claro de contar histórias simples e banhadas em uma ingenuidade cativante. Em seu terceiro trabalho no formato, "Meu tio matou um cara", Furtado segue sem ambições a receita vitoriosa, ao adaptar um conto de sua própria autoria em uma trama policial sob o ponto de vista de um adolescente apaixonado pela melhor amiga. Leve e enxuto (tem pouco menos de uma hora e meia de duração, contando os créditos), seu filme serve como um alívio certeiro para a violência e a densidade temática que assolou o cinema brasileiro a partir de "Cidade de Deus".
A trama começa quando Éder (Làzaro Ramos, em sua segunda parceria com Furtado) chega à casa de seu irmão, Laerte (Aílton Graça), apavorado com o fato de ter assassinado, em legítima defesa, o ex-marido de sua namorada. Azarado por natureza - todas as suas inclinações empresariais foram por água abaixo sem deixar maiores vestígios - Éder acaba se tornando o assunto principal das conversas de seu sobrinho adolescente, Duca (Darlan Cunha), com a colega de classe/melhor amiga/paixão recolhida Isa (Sophia Reis, filha do cantor Nando Reis). Empolgada com a situação - que lhe permite sair da rotina do dia-a-dia - Isa se torna a parceira de Duca em suas visitas ao tio na cadeia e acaba, sem querer, envolvendo na situação outro amigo em comum, Kid (Renan Gioelli), também apaixonado por ela. Porém, quando conhece a namorada de Éder, a estonteante Soraia (Deborah Secco), o esperto Duca passa a desconfiar que seu tio está apenas servindo de bode expiatório para uma história bem mais complexa do que aparenta.
Co-produzido pela Natasha Filmes - companhia de Paula Lavigne de grande penetração nacional - e co-escrito por Guel Arraes, "Meu tio matou um cara" é, apesar de sua despretensão e simplicidade narrativa (com menos artifícios de linguagem que o habitual na obra do diretor), um passo adiante na carreira de Furtado. Não tanto por sua qualidade - "O homem que copiava" consegue ser melhor em todos os quesitos - mas pelo alcance da produção, que conseguiu inclusive uma trilha sonora original composta por ninguém menos que Caetano Veloso. No mais, a edição se mantém ágil e cadenciada, o visual é caprichado (mas sem os exageros que normalmente transformam os cenários em composições mais vistosas que a trama e os atores) e a direção de atores, como sempre, é a cereja do bolo. Se Lázaro Ramos tem relativamente pouco a fazer como Éder e Deborah Secco faz uso de seu status de símbolo sexual aparecendo seminua em praticamente todas as suas cenas, o elenco jovem acaba por chamar a atenção. Darlan Cunha transmite com perfeição o ar sonhador e esperto de Duca, facilitando ao espectador uma cumplicidade imprescindível, e Sophia Reis, linda, justifica a paixão de seu melhor amigo, além de não se deixar intimidar pelos colegas mais experientes. O vértice final do triângulo, Renan Gioelli, também não compromete.
Assim como os demais filmes de Jorge Furtado, "Meu tio matou um cara" é uma produção esperta, ligeira e bem-humorada, capaz de envolver o público sem maior esforço. Mesmo que o roteiro não se aprofunde em muitas das questões levantadas - e ter um final um tanto abrupto - é simpático o suficiente para que seus pecadilhos sejam facilmente perdoáveis. Um belo passatempo.
Talvez a mais marcante característica da constante e simpática filmografia do diretor Jorge Furtado seja a despretensão que a permeia. Em filmes como "Houve uma vez dois verões" e "O homem que copiava", seus dois primeiros longas, o cineasta gaúcho nunca deixou de lado seu apego ao humor inteligente, um bairrismo encantador e orgulhoso e um naturalismo raro no cinema nacional, além do objetivo claro de contar histórias simples e banhadas em uma ingenuidade cativante. Em seu terceiro trabalho no formato, "Meu tio matou um cara", Furtado segue sem ambições a receita vitoriosa, ao adaptar um conto de sua própria autoria em uma trama policial sob o ponto de vista de um adolescente apaixonado pela melhor amiga. Leve e enxuto (tem pouco menos de uma hora e meia de duração, contando os créditos), seu filme serve como um alívio certeiro para a violência e a densidade temática que assolou o cinema brasileiro a partir de "Cidade de Deus".
A trama começa quando Éder (Làzaro Ramos, em sua segunda parceria com Furtado) chega à casa de seu irmão, Laerte (Aílton Graça), apavorado com o fato de ter assassinado, em legítima defesa, o ex-marido de sua namorada. Azarado por natureza - todas as suas inclinações empresariais foram por água abaixo sem deixar maiores vestígios - Éder acaba se tornando o assunto principal das conversas de seu sobrinho adolescente, Duca (Darlan Cunha), com a colega de classe/melhor amiga/paixão recolhida Isa (Sophia Reis, filha do cantor Nando Reis). Empolgada com a situação - que lhe permite sair da rotina do dia-a-dia - Isa se torna a parceira de Duca em suas visitas ao tio na cadeia e acaba, sem querer, envolvendo na situação outro amigo em comum, Kid (Renan Gioelli), também apaixonado por ela. Porém, quando conhece a namorada de Éder, a estonteante Soraia (Deborah Secco), o esperto Duca passa a desconfiar que seu tio está apenas servindo de bode expiatório para uma história bem mais complexa do que aparenta.
Co-produzido pela Natasha Filmes - companhia de Paula Lavigne de grande penetração nacional - e co-escrito por Guel Arraes, "Meu tio matou um cara" é, apesar de sua despretensão e simplicidade narrativa (com menos artifícios de linguagem que o habitual na obra do diretor), um passo adiante na carreira de Furtado. Não tanto por sua qualidade - "O homem que copiava" consegue ser melhor em todos os quesitos - mas pelo alcance da produção, que conseguiu inclusive uma trilha sonora original composta por ninguém menos que Caetano Veloso. No mais, a edição se mantém ágil e cadenciada, o visual é caprichado (mas sem os exageros que normalmente transformam os cenários em composições mais vistosas que a trama e os atores) e a direção de atores, como sempre, é a cereja do bolo. Se Lázaro Ramos tem relativamente pouco a fazer como Éder e Deborah Secco faz uso de seu status de símbolo sexual aparecendo seminua em praticamente todas as suas cenas, o elenco jovem acaba por chamar a atenção. Darlan Cunha transmite com perfeição o ar sonhador e esperto de Duca, facilitando ao espectador uma cumplicidade imprescindível, e Sophia Reis, linda, justifica a paixão de seu melhor amigo, além de não se deixar intimidar pelos colegas mais experientes. O vértice final do triângulo, Renan Gioelli, também não compromete.
Assim como os demais filmes de Jorge Furtado, "Meu tio matou um cara" é uma produção esperta, ligeira e bem-humorada, capaz de envolver o público sem maior esforço. Mesmo que o roteiro não se aprofunde em muitas das questões levantadas - e ter um final um tanto abrupto - é simpático o suficiente para que seus pecadilhos sejam facilmente perdoáveis. Um belo passatempo.
O HOMEM QUE COPIAVA
O
HOMEM QUE COPIAVA (O homem que copiava, 2003, Casa de Cinema de Porto
Alegre/Sony Pictures, 124min) Direção e roteiro: Jorge Furtado.
Fotografia: Alex Sernambi. Montagem: Giba Assis Brasil. Figurino:
Rosângela Cortinhas. Direção de arte/cenários: Fiapo Barth/Silvia
Guerra, Bolivar Lauda, Marnei Pereira. Produção executiva: Nora Goulart,
Luciana Tomasi. Elenco: Lázaro Ramos, Leandra Leal, Luana Piovani,
Pedro Cardoso, Júlio Andrade, Paulo José. Estreia: 13/6/03
Depois de testar seu talento como realizador de longas-metragens com o simpático e despretensioso "Houve uma vez dois verões", o cineasta gaúcho Jorge Furtado - conhecido pela coleção de prêmios acumulados pelo curta "Ilha das flores" - fez o que todo mundo esperava que ele fizesse: deu mais um passo à frente em sua brilhante carreira. Mais ambicioso - em termos artísticos e narrativos - e mais comercial - por ter em seu elenco nomes conhecidos nacionalmente, como Lázaro Ramos, Leandra Leal e Luana Piovani - "O homem que copiava" consegue ser ainda melhor do que o primeiro filme de Furtado, com uma trama inteligente e repleta de desdobramentos que torna impossível ao espectador adivinhar o que vem pela frente. Utilizando-se de diferentes linguagens para contar sua história de amor e contravenção, Furtado apresenta um misto de comédia, romance e filme policial que lhe assegura, sem favor nenhum, como um dos mais criativos cineastas brasileiros de sua geração - e isso sem deixar de lado seu estilo próprio e suas raízes.
O personagem central do filme é André (Lázaro Ramos), um jovem de classe média baixa que mora em Porto Alegre e trabalha como operador de fotocopiadora - ou simplesmente como "o cara do xerox". Ganhando um salário que não lhe permite quase nenhuma espécie de luxo, ele sonha ganhar a vida como desenhista, enquanto leva uma rotina pacata entre o trabalho e o lar, que divide com a mãe e a paixão por Sílvia (Leandra Leal), uma jovem que mora no prédio em frente ao seu e que espiona com seu binóculo comprado com a economia de um ano de salário. Tentando aproximar-se da garota - que trabalha em uma loja de roupas femininas - ele acaba caindo na tentação de falsificar uma nota de 50 reais com a nova máquina de cópias coloridas de seu patrão. O que poderia ser apenas uma escorregadela ética acaba, porém, se transformando em algo maior quando entra em cena o ambicioso e pouco inteligente Cardoso (Pedro Cardoso, sensacional), que, na tentativa de seduzir a bela Marinês (Luana Piovani) - colega de André - convence o rapaz a manter-se no ramo. Quando o tímido e desajeitado homem da copiadora troca a nota de 50 reais em um estabelecimento comercial, tem início uma série de eventos imprevisíveis e perigosos que ameaçam a integridade dos quatro.
Imprevisível e extremamente divertido - Furtado é um mestre em diálogos inteligentes e bem-humorados - "O homem que copiava" funciona em todos os níveis narrativos que apresenta, graças ao ritmo ágil imposto pela edição do competente Giba Assis Brasil (também cineasta) e ao roteiro recheado de reviravoltas, desvios e saltos cronológicos que, ao invés de confundir o público, apenas aumenta sua curiosidade em relação ao destino de seus protagonistas - todos eles fracassados em maior ou menor grau, e todos eles em busca da redenção financeira que seu ato desonesto pode lhes acarretar. Em um de seus maiores méritos, o roteiro abdica de qualquer tipo de julgamento moral, cobrindo André e companhia de um manto de isenção que praticamente ignora o fato de que todos estão cometendo graves infrações à lei (acredite, falsificar uma nota de 50 dólares é apenas o começo de tudo). Em especial dando à André uma aura de inocência quase infantil - característica que Lázaro Ramos aproveita com extrema sensibilidade - o filme foge das discussões sociopolíticas para manter seu foco no que realmente interessa: uma história boa o bastante para prender o espectador do início ao fim.
E se boa parte dos méritos de "O homem que copiava" é do Jorge Furtado roteirista, não é possível esquecer que também digno de elogios é o Jorge Furtado diretor de atores: até mesmo Luana Piovani está convincente em cena, na pele da exuberante Marinês, objeto de desejo do ambicioso Cardoso e que acaba entrando no esquema como parte importante do desenrolar da trama. Leandra Leal também se destaca, criando uma Sílvia aparentemente passiva que, em um momento crucial, se transforma em uma mocinha das mais interessantes do cinema nacional moderno - tudo sem perder a coerência dramática ou o nível da interpretação. E Pedro Cardoso, mesmo repetindo o estilo de interpretação que lhe deu fama, sai-se extraordinariamente bem, com uma química impecável com Lázaro Ramos em cenas memoráveis, de um humor sutil e perspicaz.
Empolgante, brilhante e divertido, "O homem que copiava" é um dos melhores filmes brasileiros desde a retomada, apesar de muitas vezes ser esquecido nas listas feitas por críticos e ditos especialistas. A anos-luz da estética marginal do cinema de Chico Assis ou das produções pasteurizadas da Globo Filmes, é um meio-termo altamente satisfatório entre os dois estilos. É popular sem ser medíocre, é inteligente sem ser pedante e é bem acabado sem deixar que isso se torne seu maior atrativo. É, enfim, um programaço.
Depois de testar seu talento como realizador de longas-metragens com o simpático e despretensioso "Houve uma vez dois verões", o cineasta gaúcho Jorge Furtado - conhecido pela coleção de prêmios acumulados pelo curta "Ilha das flores" - fez o que todo mundo esperava que ele fizesse: deu mais um passo à frente em sua brilhante carreira. Mais ambicioso - em termos artísticos e narrativos - e mais comercial - por ter em seu elenco nomes conhecidos nacionalmente, como Lázaro Ramos, Leandra Leal e Luana Piovani - "O homem que copiava" consegue ser ainda melhor do que o primeiro filme de Furtado, com uma trama inteligente e repleta de desdobramentos que torna impossível ao espectador adivinhar o que vem pela frente. Utilizando-se de diferentes linguagens para contar sua história de amor e contravenção, Furtado apresenta um misto de comédia, romance e filme policial que lhe assegura, sem favor nenhum, como um dos mais criativos cineastas brasileiros de sua geração - e isso sem deixar de lado seu estilo próprio e suas raízes.
O personagem central do filme é André (Lázaro Ramos), um jovem de classe média baixa que mora em Porto Alegre e trabalha como operador de fotocopiadora - ou simplesmente como "o cara do xerox". Ganhando um salário que não lhe permite quase nenhuma espécie de luxo, ele sonha ganhar a vida como desenhista, enquanto leva uma rotina pacata entre o trabalho e o lar, que divide com a mãe e a paixão por Sílvia (Leandra Leal), uma jovem que mora no prédio em frente ao seu e que espiona com seu binóculo comprado com a economia de um ano de salário. Tentando aproximar-se da garota - que trabalha em uma loja de roupas femininas - ele acaba caindo na tentação de falsificar uma nota de 50 reais com a nova máquina de cópias coloridas de seu patrão. O que poderia ser apenas uma escorregadela ética acaba, porém, se transformando em algo maior quando entra em cena o ambicioso e pouco inteligente Cardoso (Pedro Cardoso, sensacional), que, na tentativa de seduzir a bela Marinês (Luana Piovani) - colega de André - convence o rapaz a manter-se no ramo. Quando o tímido e desajeitado homem da copiadora troca a nota de 50 reais em um estabelecimento comercial, tem início uma série de eventos imprevisíveis e perigosos que ameaçam a integridade dos quatro.
Imprevisível e extremamente divertido - Furtado é um mestre em diálogos inteligentes e bem-humorados - "O homem que copiava" funciona em todos os níveis narrativos que apresenta, graças ao ritmo ágil imposto pela edição do competente Giba Assis Brasil (também cineasta) e ao roteiro recheado de reviravoltas, desvios e saltos cronológicos que, ao invés de confundir o público, apenas aumenta sua curiosidade em relação ao destino de seus protagonistas - todos eles fracassados em maior ou menor grau, e todos eles em busca da redenção financeira que seu ato desonesto pode lhes acarretar. Em um de seus maiores méritos, o roteiro abdica de qualquer tipo de julgamento moral, cobrindo André e companhia de um manto de isenção que praticamente ignora o fato de que todos estão cometendo graves infrações à lei (acredite, falsificar uma nota de 50 dólares é apenas o começo de tudo). Em especial dando à André uma aura de inocência quase infantil - característica que Lázaro Ramos aproveita com extrema sensibilidade - o filme foge das discussões sociopolíticas para manter seu foco no que realmente interessa: uma história boa o bastante para prender o espectador do início ao fim.
E se boa parte dos méritos de "O homem que copiava" é do Jorge Furtado roteirista, não é possível esquecer que também digno de elogios é o Jorge Furtado diretor de atores: até mesmo Luana Piovani está convincente em cena, na pele da exuberante Marinês, objeto de desejo do ambicioso Cardoso e que acaba entrando no esquema como parte importante do desenrolar da trama. Leandra Leal também se destaca, criando uma Sílvia aparentemente passiva que, em um momento crucial, se transforma em uma mocinha das mais interessantes do cinema nacional moderno - tudo sem perder a coerência dramática ou o nível da interpretação. E Pedro Cardoso, mesmo repetindo o estilo de interpretação que lhe deu fama, sai-se extraordinariamente bem, com uma química impecável com Lázaro Ramos em cenas memoráveis, de um humor sutil e perspicaz.
Empolgante, brilhante e divertido, "O homem que copiava" é um dos melhores filmes brasileiros desde a retomada, apesar de muitas vezes ser esquecido nas listas feitas por críticos e ditos especialistas. A anos-luz da estética marginal do cinema de Chico Assis ou das produções pasteurizadas da Globo Filmes, é um meio-termo altamente satisfatório entre os dois estilos. É popular sem ser medíocre, é inteligente sem ser pedante e é bem acabado sem deixar que isso se torne seu maior atrativo. É, enfim, um programaço.
sexta-feira
HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES
HOUVE
UMA VEZ DOIS VERÕES (Houve uma vez dois verões, 2002, Casa de Cinema de
Porto Alegre, 75min) Direção e roteiro: Jorge Furtado. Fotografia: Alex
Sernambi. Montagem: Giba Assis Brasil. Música: Leo Henkin. Figurino:
Rosângela Cortinhas. Direção de arte/cenários: Ana Luiza Azevedo/Fiapo
Barth. Produção: Nora Goulart, Luciana Tomasi. Elenco: André Arteche,
Ana Maria Mainieri, Pedro Furtado, Júlia Barth, Marcelo Aquino, Jananína
Kremer Motta. Estreia: 2002
Bem-sucedido roteirista de televisão e internacionalmente premiado com seu curta-metragem "Ilha das flores", o gaúcho Jorge Furtado fez a escolha certa quando resolveu estrear no comando de um longa: deixando de lado toda e qualquer pretensão, ele escolheu um gênero querido pelo público (a comédia romântica adolescente), abdicou de astros da telinha carregados de vícios artísticos e resolveu cantar seu quintal - mais especificamente, o litoral do Rio Grande do Sul e sua capital, Porto Alegre - na história de idas e vindas de um amor juvenil embalada por uma trilha sonora vibrante (também recheada de músicos do sul) e banhada em um humor quase ingênuo. "Houve uma vez dois verões" - cujo sabor de nostalgia já começa no título que homenageia o clássico "O verão de 42", de Robert Mulligan - é um trunfo de simplicidade e delicadeza, capaz de agradar sua plateia sem fazer muito esforço.
Tudo começa no final de um verão em uma praia do litoral gaúcho, quando o adolescente Chico (André Arteche, ótimo), virgem, tímido e romântico, conhece a extrovertida e sedutora Roza (Ana Maria Mainieri) em um fliperama. De um flerte desajeitado surge sua primeira experiência sexual, mas a menina desaparece assim como surgiu, deixando-o sem uma única pista sobre sua localização. Alguns meses mais tarde, já em Porto Alegre, o rapaz é procurado por sua ex-futura namorada, que lhe revela estar grávida e pede dinheiro para realizar um aborto. Mesmo triste com a situação, o rapaz lhe dá a grana, apenas para descobrir, logo em seguida, que ela desapareceu novamente. Quando descobre, junto ao amigo Juca (Pedro Furtado, filho do diretor), que ela deu o mesmo golpe em vários outros homens, Chico decide procurá-la novamente para tirar satisfações. É aí que tem início uma história repleta de idas e vindas, em que seu amor será testado diversas vezes.
Enxuto e de narrativa ágil - pouco mais de 75 minutos de projeção - "Houve uma vez dois verões" usa e abusa da maior qualidade do Jorge Furtado roteirista (diálogos afiados e inteligentes, com um senso de humor de fácil assimilação mas nunca simplório) e demonstra a segurança do Jorge Furtado diretor. Tirando interpretações espontâneas e simpáticas do elenco jovem - em especial do iniciante André Arteche, que transmite sem dificuldade toda gama de sentimentos de seu personagem, demonstrando pleno domínio de seu ofício - o cineasta faz um pequeno inventário de gírias, sotaques e costumes de seu estado, registrando com sua câmera paisagens conhecidas dos gaúchos e apresentando-as a uma plateia mais ampla, com carinho e sensibilidade. De comunicação direta com seu público, Furtado faz rir de situações cotidianas e banais, ressaltando sempre o ridículo de cada momento sem tirar-lhe a essência humana: até mesmo personagens secundários são tratados com respeito por seu roteiro, uma espécie de treino para seu filme posterior, o ótimo "O homem que copiava", bem mais ambicioso e igualmente bem-sucedido em seus objetivos de entreter sem compromisso.
Com uma trilha sonora que mistura rock, pop, regravações de clássicos americanos e que une músicos gaúchos e de projeção nacional (Pato Fu e Cássia Eller em sua última gravação, uma releitura de "Nasci para chorar") para acompanhar as aventuras e desventuras românticas de Chico e Roza, "Houve uma vez dois verões" é uma espécie de excelente ensaio para Jorge Furtado antes de afileirar-se entre os melhores cineastas brasileiros de sua geração. Engraçado, leve e modesto, é também uma comédia de deixar qualquer um com um sorriso estampado nos lábios. Seu único defeito é ser tão curto.
Bem-sucedido roteirista de televisão e internacionalmente premiado com seu curta-metragem "Ilha das flores", o gaúcho Jorge Furtado fez a escolha certa quando resolveu estrear no comando de um longa: deixando de lado toda e qualquer pretensão, ele escolheu um gênero querido pelo público (a comédia romântica adolescente), abdicou de astros da telinha carregados de vícios artísticos e resolveu cantar seu quintal - mais especificamente, o litoral do Rio Grande do Sul e sua capital, Porto Alegre - na história de idas e vindas de um amor juvenil embalada por uma trilha sonora vibrante (também recheada de músicos do sul) e banhada em um humor quase ingênuo. "Houve uma vez dois verões" - cujo sabor de nostalgia já começa no título que homenageia o clássico "O verão de 42", de Robert Mulligan - é um trunfo de simplicidade e delicadeza, capaz de agradar sua plateia sem fazer muito esforço.
Tudo começa no final de um verão em uma praia do litoral gaúcho, quando o adolescente Chico (André Arteche, ótimo), virgem, tímido e romântico, conhece a extrovertida e sedutora Roza (Ana Maria Mainieri) em um fliperama. De um flerte desajeitado surge sua primeira experiência sexual, mas a menina desaparece assim como surgiu, deixando-o sem uma única pista sobre sua localização. Alguns meses mais tarde, já em Porto Alegre, o rapaz é procurado por sua ex-futura namorada, que lhe revela estar grávida e pede dinheiro para realizar um aborto. Mesmo triste com a situação, o rapaz lhe dá a grana, apenas para descobrir, logo em seguida, que ela desapareceu novamente. Quando descobre, junto ao amigo Juca (Pedro Furtado, filho do diretor), que ela deu o mesmo golpe em vários outros homens, Chico decide procurá-la novamente para tirar satisfações. É aí que tem início uma história repleta de idas e vindas, em que seu amor será testado diversas vezes.
Enxuto e de narrativa ágil - pouco mais de 75 minutos de projeção - "Houve uma vez dois verões" usa e abusa da maior qualidade do Jorge Furtado roteirista (diálogos afiados e inteligentes, com um senso de humor de fácil assimilação mas nunca simplório) e demonstra a segurança do Jorge Furtado diretor. Tirando interpretações espontâneas e simpáticas do elenco jovem - em especial do iniciante André Arteche, que transmite sem dificuldade toda gama de sentimentos de seu personagem, demonstrando pleno domínio de seu ofício - o cineasta faz um pequeno inventário de gírias, sotaques e costumes de seu estado, registrando com sua câmera paisagens conhecidas dos gaúchos e apresentando-as a uma plateia mais ampla, com carinho e sensibilidade. De comunicação direta com seu público, Furtado faz rir de situações cotidianas e banais, ressaltando sempre o ridículo de cada momento sem tirar-lhe a essência humana: até mesmo personagens secundários são tratados com respeito por seu roteiro, uma espécie de treino para seu filme posterior, o ótimo "O homem que copiava", bem mais ambicioso e igualmente bem-sucedido em seus objetivos de entreter sem compromisso.
Com uma trilha sonora que mistura rock, pop, regravações de clássicos americanos e que une músicos gaúchos e de projeção nacional (Pato Fu e Cássia Eller em sua última gravação, uma releitura de "Nasci para chorar") para acompanhar as aventuras e desventuras românticas de Chico e Roza, "Houve uma vez dois verões" é uma espécie de excelente ensaio para Jorge Furtado antes de afileirar-se entre os melhores cineastas brasileiros de sua geração. Engraçado, leve e modesto, é também uma comédia de deixar qualquer um com um sorriso estampado nos lábios. Seu único defeito é ser tão curto.
quinta-feira
SANEAMENTO BÁSICO, O FILME
SANEAMENTO BÁSICO, O FILME (Saneamento básico, 2007, Globo Filmes/Casa de Cinema de Porto Alegre, 112min) Direção e roteiro: Jorge Furtado. Fotografia: Jacob Solitrenick. Montagem: Giba Assis Brasil. Música: Leo Henkin. Figurino: Rosângela Cortinhas. Direção de arte/cenários: Fiapo Barth. Produção executiva: Nora Goulart, Luciana Tomasi. Elenco: Fernanda Torres, Wagner Moura, Camila Pitanga, Bruno Garcia, Lázaro Ramos, Paulo José, Tonico Pereira, Janaina Kremer. Estreia: 20/7/07
Sorte do cinema nacional que ele pode contar com Jorge Furtado. Dono de uma inteligência, de um sarcasmo e de um talento raros, o cineasta gaúcho consegue, com seus filmes, fugir de todos os clichês que imperam na produção nacional, fazendo filmes que são um sopro de leveza e despretensão em comparação com obras que já nascem com o objetivo de ganhar o Oscar ou fazer bonito em festivais internacionais. A filmografia de Furtado - que inclusive fez um arrastão nos tais festivais com seu curta "Ilha das Flores" - é simples, é direta, é eficaz e, acima de tudo, é acessível. Filmes como "Houve uma vez dois verões" e "O homem que copiava" dialogam sem firulas com uma fatia de público que parece ter sido esquecida em tempos de pauladas como "Central do Brasil" e "Cidade de Deus". "Saneamento básico, o filme" segue essa vertente de maneira ainda mais explícita e talvez por isso mesmo, ainda mais engraçada e bem-sucedida.
Ao situar sua ação em uma pequena cidade da serra gaúcha, com uma população de descendentes de italianos, Furtado já de cara demonstra que não tenciona alçar maiores voos cosmopolitas: ele conhece suas personagens, sabe de onde vieram e para onde vão, e elas não vão muito mais longe do que Porto Alegre. Essa falta de pretensão é a primeira das inúmeras qualidades de seu filme - afinal, não dizia Tolstói que para ser universal deve-se começar pintando a própria aldeia? As demais qualidades - o texto divertido, o elenco impecável, a trama absurda - vão sendo apresentadas aos poucos, e é impossível não deliciar-se com todas elas. Irônico e mordaz, o roteiro de Furtado também é, acima de tudo, uma ode de amor ao cinema como arte - ainda que essa camada seja tão sutil que pode passar despercebida diante de tanto bom humor.
Quando o filme começa, um grupo de moradores da pequena cidade de Linha Cristal está reunido para tomar providências sobre a construção de uma fossa para o tratamento do esgoto que anda incomodando a população. Escolhida como representante do grupo para reivindicar a obra por parte da Prefeitura, Marina (Fernanda Torres) descobre que não existe mais dinheiro para tal. Porém, quando fica sabendo que existe uma verba de dez mil reais para a produção de um vídeo (desde que ele tenha a ecologia como tema), Marina chega à conclusão, junto com seu marido, Joaquim (Wagner Moura) de que eles precisam realizar o curta-metragem de ficção solicitado pelo governo. A partir daí, eles reunem a família para criar "O monstro da fossa", um vídeo de terror escrito, dirigido, produzido e estrelado por eles mesmos.
Impossível não assistir-se a "Saneamento básico" sem lembrar-se de "Ed Wood", a sensacional biografia do cineasta dirigido por Tim Burton em 1994. Os dois filmes retratam com perfeição como a criatividade e a paixão por uma causa podem deixar os orçamentos nababescos de lado. Enquanto Wood ainda contava com o então decadente Bela Lugosi para estrelar seus filmes, porém, a turma de Linha Cristal apela para toda e qualquer possibilidade para terminar seu filme, repleto de defeitos mas cheio de boa-vontade. É assim que Silene (Camila Pitanga), irmã de Marina, assume o papel de heroína do filme e seu noivo, Fabrício (Bruno Garcia) vira uma das vítimas do monstro. É pela falta de atores que seu pai, Otaviano (Paulo José) é escalado para o papel de cientista - e se apaixona pela arte de atuar. E é por esse amor ao cinema (de guerrilha, indigente, pobre em dinheiro mas rico em paixão) que "Saneamento básico" conquista de vez a plateia.
Recheado de diálogos fantásticos valorizados pelos incríveis Fernanda Torres e Wagner Moura,
que lideram um elenco nunca aquém de genial - que pinta e borda em cenas nunca menos do que hilariantes, em especial durante as filmagens do curta - e dono de uma história local mas facilmente identificável em qualquer parte do planeta, "Saneamento básico" ainda dá, de leve, uma cutucada na burocracia governamental, na arrogância dos jovens artistas e na falta de interesse pelos problemas reais enfrentados pelas pequenas - e grandes - cidades brasileiras. Está de ótimo tamanho para uma comédia tão despretensiosa!
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