segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

CASABLANCA



CASABLANCA (Casablanca, 1942, Warner Bros., 102min) Direção: Michael Curtiz. Roteiro: Julius G. & Philip G. Epstein, Howard Koch, baseado na peça teatral de Murray Burnet e Joan Alison. Fotografia: Arthur Edeson. Montagem: Owen Marks. Música: Max Steiner. Elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Peter Lorre, Claude Rains, Conrad Veidt, Sydney Greenstreet. Estreia: 07/12/42

8 indicações ao Oscar: Filme, Diretor (Michael Curtiz), Ator (Humphrey Bogart), Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original
Vencedor de 3 Oscar: Melhor Filme, Diretor (Michael Curtiz), Roteiro Adaptado


"Este pode ser o início de uma bela amizade." "Nós sempre teremos Paris." "Esse barulho... são canhões ou o meu coração batendo?" "Os alemães estavam vestindo cinza, você azul..." "Eu sou um bêbado. - Então isso faz de você um cidadão do mundo..."
Em quantos filmes escritos hoje em dia você pode fazer uma lista de frases memoráveis como as citadas acima? Pois todas elas fazem parte do roteiro de um único filme, que era escrito conforme as filmagens andavam e que, inspirado em uma peça teatral nunca montada, acabou levando o Oscar da categoria. Diálogos deliciosos, uma história empolgante, um elenco impecável e uma trilha sonora inesquecível e pronto: nascia um clássico, ainda que na época ninguém ousasse considerar outra hipótese que não um fracasso - os Oscar de filme, diretor e roteiro provaram que todos os que previam sua derrocada estavam redondamente enganados. "...E o vento levou" pode ser a epítome dos filmes épicos, mas em termos de romance, nenhum filme bate "Casablanca". Sua atmosfera passional e a química invejável do casal central não encontrou, até hoje, um concorrente à altura. Quer provas? Tente resistir quando Ingrid Bergman - no seu momento mais fascinante da carreira - pede a Sam que toque "As time goes by" e repare na troca de olhares entre ela e Humphrey Bogart. Ainda não achou nada de espetacular? Então vá na locadora e alugue todos os filmes do Chuck Norris, porque não tem mais salvação.

Durante a II Guerra, inúmeros foragidos do III Reich são obrigados a passar por uma cidade chamada Casablanca, localizada no Marrocos francês, em busca de um caminho seguro para permanecerem vivos. Entre esses foragidos está Victor Laszlo (Paul Henreid), líder da resistência procurado desesperadamente pelas autoridades. Laszlo chega à Casablanca em busca de um par de salvo-condutos que lhe seria vendido pelo ambicioso Ugarte (Peter Lorre), que é preso e morto pouco antes de sua chegada. Só quem sabe o paradeiro dos documentos é Rick Blaine (Humphrey Bogart), um misterioso e cínico americano que já tivera seus dias de idealismo e parou no país depois de uma decepção amorosa. Rick, que no fundo ainda tem uma alma nobre fica tentado a ajudar Laszlo, mas entra em um dilema mortal quando descobre que a esposa do herói de guerra é a mesma Ilsa (Ingrid Bergman) com quem ele teve um romance inesquecível em Paris e que fez dele o homem amargo no qual ele se transformou.


O que faz de "Casablanca" mais do que apenas um filme romântico da era de ouro de Hollywood não é apenas seu roteiro excepcional - como se "apenas" fosse palavra a ser utilizada aqui. A bela fotografia em preto-e-branco (que utiliza o visual dos filmes noir em voga na época, em especial nos produtos da Warner Bros.) deslumbra o mais crítico dos espectadores e a trilha sonora de Max Steiner é de aplaudir de pé. Não bastasse comentar a ação discretamente - que é a função de uma trilha sonora de qualidade - ela ainda conta com a belíssima "As time goes by", que virou símbolo inequívoco de romantismo e não por acaso tornou-se a música de abertura dos filmes da Warner - e o documentário sobre o estúdio não chama-se "You must remember this" à toa.

Não é difícil entender a trama do filme do húngaro Michael Curtiz (que ganhou o Oscar de melhor diretor por seu trabalho). Difícil é escolher a melhor cena de um filme repleto delas. Será a batalha de hinos dentro do Rick's? Ou o flashback contando a história de amor dos protagonistas? Será o reencontro dos dois? Ou a cena final, onde Ilsa tem que escolher entre ficar com Rick ou embarcar com Victor (cena esta copiada no último capítulo da novela "Roque Santeiro")? São tantos momentos mágicos que é tarefa das mais árduas pensar em Ronald Reagan (ele mesmo, que viria a ser presidente dos EUA décadas mais tarde) no papel de Rick Blaine ou qualquer outra atriz como Ilsa. Assim como seus personagens, eles ficarão impressos para sempre nas retinas e nos corações românticos como o casal mais apaixonado da história do cinema. Afinal, "a kiss is still a kiss"...

PS - Em 1999 tive a oportunidade única de assistir a "Casablanca" no cinema, em um pequeno festival em comemoração ao aniversário da Warner Bros. Foi uma experiência indescritível.

Um comentário:

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