terça-feira, 17 de julho de 2012

ELEFANTE

ELEFANTE (Elephant, 2003, HBO Films, 81min) Direção e roteiro: Gus Van Sant. Fotografia: Harris Savides. Montagem: Gus Van Sant. Figurino: Marychris Mass. Direção de arte: Benjamin Hayden. Produção executiva: Diane Keaton, Bill Robinson. Produção: Danny Wolf. Elenco: Alex Frost, Eric Deulen, John Robinson, Elias McConnell, Jordan Taylor, Carrie Finklea. Estreia: 18/5/03 (Festival de Cannes)

Vencedor da Palma de Ouro (Festival de Cannes): Melhor Filme e Melhor Diretor (Gus Van Sant)

Uma das mais trágicas tendências entre a adolescência norte-americana no final do século XX dizia respeito a massacres cometidos em escolas secundárias: por motivos às vezes inexplicáveis - e às vezes inacreditáveis em sua simplicidade - alunos invadiam as instituições e abriam fogo contra colegas, funcionários e professores. A mais conhecida dessas tragédias deu origem ao extraordinário documentário "Tiros em Columbine" - que deu a Michael Moore um merecido Oscar - e inspirou "Elefante", com o qual o cineasta Gus Van Sant conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2003. Optando por um viés fictício - e portanto tendo mais liberdade para desenvolver suas ideias a respeito do tema - o diretor (que ficou conhecido por obras polêmicas como "Drugstore cowboy" e "Garotos de programa" mas enfrentou um período de pouca criatividade em Hollywood, comandando filmes quadradinhos como "Gênio indomável") mostra os bastidores do desastre, acompanhando, através de uma edição inteligente, a manhã de um grupo de estudantes que (com exceção dos perpetradores da barbárie) não tinham a menor ideia de que estavam vivendo seus últimos momentos de vida.

Em sua narrativa fragmentada, "Elefante" - cujo título se refere, segundo o cineasta, aos problemas óbvios que as pessoas insistem em ignorar - lembra os melhores momentos de Van Sant. Fotografado em tons naturalistas por Harris Savides, o filme assume um tom semi-documental, enquanto apresenta - sem apelar para os tradicionais clichês - um retrato nada agradável e nem um pouco saudável da juventude ianque. Enquanto os "vilões" são mostrados de forma isenta de julgamentos, suas vítimas assumem papéis nada lisonjeiros. O diretor e roteirista aponta sua câmera para nerds, jovens bulímicas e para um casal apaixonado como uma testemunha silenciosa de um grupo desfuncional de estudantes, perdidos em suas ambições e sonhos. A edição (também a cargo de Van Sant) é essencial nessa proposta, encaixando todas as suas peças como um enorme quebra-cabeças, onde a imagem final - a tragédia - faz todo o sentido do mundo.



Batizando suas personagens com os mesmos nomes de seus atores, o roteiro também aproxima o público de seus pensamentos mais tenebrosos, fazendo as vezes de confessor involuntário. São as câmeras de Van Sant que registram, de forma despojada a ponto de parecer desleixo, conversas aparentemente banais que desvendam a falta de consciência social e a quase futilidade da adolescência americana. Mesmo que force a barra em alguns momentos - o beijo gay entre os protagonistas é absolutamente desnecessário - "Elefante" é um documento forte e interessante de uma das mais assustadoras faces da juventude dos EUA. É diferente, é surpreendente e é quase incômodo. Mas é um grande filme.

Um comentário:

Anônimo disse...

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