terça-feira, 5 de julho de 2011

STIGMATA


STIGMATA (Stigmata, 1999, MGM Pictures, 103min) Direção: Rupert Wainwright. Roteiro: Tom Lazarus, Rick Ramage, história de Tom Lazarus. Fotografia: Jeffrey L. Kimball. Montagem: Michael J. Duthie, Michael R. Miller. Música: Elia Cmiral, Billy Corgan. Figurino: Louise Frogley. Direção de arte/cenários: Waldemar Kalinowski/Florence Fellman, Marco Niro. Produção: Frank Mancuso Jr. Elenco: Patricia Arquette, Gabriel Byrne, Jonathan Pryce, Nia Long, Thomas Kopache, Portia De Rossi. Estreia: 10/9/99

É impressionante como, no mesmo ano em que um filme como "O sexto sentido" consegue tirar o gênero "terror" do limbo das produções requentadas e previsíveis, algo "Stigmata" tenha chegado aos cinemas. Repleto dos mais insuportáveis clichês, o filme do inglês Rupert Wainwright até fez relativo sucesso de bilheteria, mas sua pretensa modernidade (que chamou a atenção da plateia jovem) apenas disfarça mal seus inúmeros defeitos, que começam com a atuação pífia de sua protagonista Patricia Arquette.

Irmã caçula de Rosanna Arquette, Patricia estava em vias de se casar com Nicolas Cage (seu parceiro de cena em "Vivendo no limite") quando estrelou este terror que bebe na fonte de obras memoráveis como "O exorcista", mas que jamais atinge metade de suas pretensões. Fraca como atriz e não particularmente bela, Patricia vive Frankie Paige, uma cabeleireira "descolada" (leia-se com vestuário alternativo, anéis excêntricos e visual pseudo-moderno) que, de uma hora pra outra passa a sofrer violentos ataques que os médicos julgam tratar-se de epilepsia. Ferida fisicamente (o que os amigos acham que é consequência de uma tentativa de suicídio), ela chama a atenção de um padre de vanguarda, Andrew Kiernan (Gabriel Byrne), que passa a desconfiar que ela está sofrendo o que se chama, na religião católica, de "estigmas", idênticos aos sofridos por Cristo na cruz e por São Francisco de Assis. Enquanto espera o desenlace da investigação - que pode culminar com a morte da jovem - ele descobre uma conspiração que envolve os altos escalões do Vaticano, que tentam impedir que evangelhos proibidos venham à luz.



"Stigamata", além de tentar esconder seu roteiro sofrível através de uma fotografia esfumaçada e uma iluminação que se julga criativa, é um poço de preconceitos. Logicamente as origens do sofrimento de Frankie vem de um terço que ela recebe de presente da própria mãe, que o adquiriu em uma viagem ao... Brasil. Além dessa perpetuação da ideia de que somos fontes de tudo que é ruim em termos religiosos (pelo menos não incluiram o candomblé na receita), o filme ainda acha que é inteligente e esperto utilizar uma jovem sem fé e descrente como mensageira de um padre extremamente católico. Os diálogos entre Frankie e o Padre Kiernan chegam a ser constrangedores, em parte devido à ruindade do texto, em parte culpa da apatia de Arquette e de sua absoluta falta de química com Gabriel Byrne. E nunca é demais lembrar: para um filme ter uma edição ágil ele não precisa necessariamente deixar o espectador tonto ou enjoado...

No final da projeção de "Stigmata" - cujo final é tão deprimente quanto o filme como um todo - fica-se a certeza de que modernizar um gênero não significa virá-lo do avesso, acrescentar uma trilha sonora techno e filmá-lo como se fosse um drogado. É preciso uma inteligência e uma sensibilidade que nunca aparecem no filme de Wainwright. Desperdício de tempo!

2 comentários:

renatocinema disse...

Discordo, humildemente.

Não acho Patricia Arquette tão ruim assim.

Longe dela ser uma boa atriz. Mas, existem milhares do nível dela pelos cinemas.

Acho que como quebra galho e passatempo, funciona.

Lileeloo disse...

TB NÃO GOSTO DELA, MAS QDO FUI ASSITIR AO FILME, ATÉ ACHEI INTERESSANTE - PRINCIPALMENTE PELO GABE BYRNE, MEU GALÃ SEX APPEL DA ÉPOCA RSRSRRSRS.