sexta-feira, 1 de julho de 2011

UM LUGAR CHAMADO NOTTING HILL


UM LUGAR CHAMADO NOTTING HILL (Notting Hill, 1999, Polygram Filmed Entertainment/Working Title Films, 124min) Direção: Roger Michell. Roteiro: Richard Curtis. Fotografia: Michael Coulter. Montagem: Nick Moore. Música: Trevor Jones. Figurino: Shuna Harwood. Direção de arte/cenários: Stuart Craig/Stephenie McMillan. Produção executiva: Tim Bevan, Richard Curtis, Eric Fellner. Produção: Duncan Kenworthy. Elenco: Julia Roberts, Hugh Grant, Rhys Ifans, Richard McCabe, Hugh Bonneville, Alec Baldwin. Estreia: 13/5/99

Nada como uma equipe inglesa para que o público relembre como comédias românticas não precisam necessariamente caprichar na glicose para garantir bilheteria e sucesso de crítica. E nada como uma estrela do porte de Julia Roberts (novamente alçada à maior estrela da América graças ao sucesso de “O casamento do meu melhor amigo”) para conferir glamour a uma história tão fantasiosa e ao mesmo tempo tão real quanto “Um lugar chamado Notting Hill”.

Fantasiosa porque conta a história de amor entre um homem comum – no caso o proprietário de uma pequena livraria de guias de viagem em um bairro tranquilo de Londres – e uma das mulheres mais famosas do mundo – uma atriz hollywoodiana, o que mais poderia ser?. Real porque, ao invés de tratar a história como um romance água-com-açúcar, repleto de glamour e estereótipos, trata seus personagens com carinho e inteligência, entregando a eles diálogos espertos o bastante para trair sua origem britânica e personalidades fascinantes mas verossímeis.



Na pele de Will, o jovem inglês abandonado pela esposa – que o trocou por um homem com a cara de Harrison Ford, segundo suas próprias palavras – que vive cercado pelos amigos fiéis, está Hugh Grant, voltando às boas da crítica e do público que o elevou ao estrelato com “Quatro casamentos e um funeral” em 1994 – sintomaticamente outra comédia romântica escrita pelo mesmo Richard Curtis de “Notting Hill”. Sem carregar nas costas o peso de uma expectativa exagerada que o havia vitimado pós-escândalo com a prostituta Divine Brown, Grant mostra que ainda tem o mesmo talento e carisma de antes, acrescido de uma maturidade bem-vinda. Sua atuação como homem apaixonado por uma diva de cinema e sem certeza de ser correspondido é de uma delicadeza ímpar, que encontra um par perfeito no sorriso inconfundível de Julia Roberts, com a carreira novamente nos trilhos do sucesso.

Também mais madura do que em seus tempos de “Uma linda mulher” – o filme que a lançou como estrela e lhe deu uma indicação ao Oscar – Roberts brilha em uma personagem perigosamente parecida com ela mesma, mas da qual ela inteligentemente extrai detalhes que a transformam, por incrível que pareça, não na Anna Scott atriz bem-sucedida e milionária mas sim na Anna, uma mulher como as outras – e como ela mesma diz em uma frase brilhante, “sou apenas uma garota em frente a um homem, pedindo a ele que a ame.”

Contando ainda com um elenco de coadjuvantes afiadíssimos - em especial o celebrado Rhys Ifans como Spike, o melhor amigo de Will - e com diálogos engraçados e humanos, que brincam com a cultura pop e com suas idiossincrasias – a cena em que Grant participa das entrevistas de lançamento de um filme de Roberts é genial – o filme do desconhecido Roger Mitchell é também vitorioso por fazer crer, em suas duas horas de duração, que uma das mais belas e famosas mulheres do mundo pode tranquilamente se apaixonar por um homem comum. E não é de fantasias que supostamente o cinema é feito?

4 comentários:

Pandora disse...

Esse filme é simplesmente lindo!!!

Martica disse...

acho que o nome da personagem de Julia Roberts é Anna SCOTT e não Anna SMITH como descrito no post. Vi esse filme umas 20 vezes!

Clenio disse...

Está coberta de razão, Martica. O erro crasso já foi corrigido. Obrigado pelo toque.

Igor Motta disse...

Esse filme é chatissimo...tão água com açúcar que eu dormi vendo ele 3 vezes!