terça-feira, 28 de maio de 2013

A OUTRA





A OUTRA (The other Boleyn girl, 2008, Columbia Pictures/Focus Features, 115min) Direção: Justin Chadwick. Roteiro: Peter Morgan, romance de Phillippa Gregory. Fotografia: Kieran McGuigan. Montagem: Paul Knight, Carol Littleton. Música: Paul Cantelon. Figurino: Sandy Powell. Direção de arte/cenários: John-Paul Kelly/Sara Wan. Produção executiva: Scott Rudin, David M. Thompson. Produção: Alison Owen. Elenco: Natalie Portman, Eric Bana, Scarlett Johansson, Kristin Scott-Thomas, Jim Sturgess, David Morrissey, Benedict Cumberbatch, Eddie Redmayne, Juno Temple. Estreia: 15/02/08 (Festival de Berlim)


Os dramas relacionados à vida e governo do Rei Henrique VIII sempre interessaram ao cinema. Filmes como "Os amores de Henrique VIII" (1933) - que deu o Oscar de melhor ator a Charles Laughton - e "O homem que não vendeu sua alma" (1966) - estrelado por Robert Shaw e Paul Scofield e vencedor do prêmio máximo da Academia - trataram do assunto com seriedade e cuidado. Porém, nem sempre a veracidade histórica é o suficiente para agradar ao grande público, que prefere uma versão mais romanceada dos fatos. Ao menos é o que devem pensar os produtores da série de TV "The Tudors" e do filme "A outra" - homônimo de um drama de Woody Allen lançado em 1988 - baseado em romance de Phillippa Gregory. Enquanto no seriado o rei é interpretado pelo magérrimo (e um tanto andrógino) Jonathan Rhys-Meyers, no filme de Justin Chadwick (estreando como cineasta) ele é vivido pelo másculo e viril Eric Bana. Basta uma rápida olhada em qualquer imagem do monarca para perceber que nenhum dos dois atores chega perto da verdade, ao menos em termos físicos. Mas esse é apenas o menor dos problemas.

O romance de Gregory - parte de uma série de livros a respeito da dinastia Tudor - é um calhamaço que detalha com precisão os costumes da época em que se passa, transmitindo ao leitor uma visão bem nítida das situações vividas. O roteiro de Peter Morgan - também autor do script de "A rainha" - não tem muito esse cuidado, preferindo dedicar-se ao aspecto romanesco da trama, que trata do triângulo amoroso formado entre Henrique e as duas irmãs Bolena, Mary (Scarlett Johansson) e Ana (Natalie Portman), que, como todos sabem, acabou por dar-lhe uma filha, Elizabeth, que governou o país por muitos anos (e deu origem a dois filmes estrelados por Cate Blanchett). A opção por tratar a história como uma novela global dá certo do ponto de vista dramático - o elenco é acima de críticas - mas não empolga como cinema.


A falta de ousadia da direção de Chadwick compromete o resultado final de "A outra", tornando-o um filme pálido, principalmente levadas em conta as possibilidades imensas da história contada. Ainda assim, seu elenco - em especial Natalie Portman - é razão suficiente para elevá-lo acima da média. Portman, com seu jeito angelical escondendo objetivos nada nobres, rouba o filme, engolindo todos à sua volta - com a possível exceção da sempre ótima Kristin Scott-Thomas no papel de sua mãe. A bela Natalie esmaga a apática Scarlett Johansson sem fazer muita força, sendo beneficiada por uma personagem bem mais interessante, ainda que provida de escolhas nada éticas. É ela quem move o filme, que peca também por um ritmo claudicante e por um final anticlimático.

Para quem não sabe, a história é a seguinte: o casamento do rei Henrique VIII (Eric Bana fazendo o possível com uma personagem mal escrita) com Catarina de Aragão (Ana Torrent) está por um fio, devido à incapacidade da rainha de lhe dar um filho homem. Maquiavélico, o duque de Norfolk (David Morrissey), homem de confiança do rei, tem a ideia de apresentar ao monarca sua sobrinha Ana Bolena (Portman). Depois de tentar sem sucesso seduzí-lo, Ana vê sua irmã Mary (Scarlett Johansson) tornar-se sua amante. Uma gravidez de risco põe Mary de cama, e Anna tem novamente uma chance de provar-se mais digna de subir ao trono de rainha - nem que para isso precise tirar Catarina e sua irmã do caminho.

A história é realmente muito forte e interessante, mas acaba diluída por um roteiro condescendente e fraco, que só é valorizado pelo elenco, pela produção caprichada e por Natalie Portman, sempre uma atriz muito maior do que suas personagens.

Um comentário:

Mª de Lourdes disse...

Esse filme é f.a.n.t.á.s.t.i.c.o!! Eu amei a história da Ana Bolena aqui interpretada pela linda e talentosa atriz Natalie Portman, sutil e soberba, carregou o filme nas costas "por assim dizer", seguida de um elenco igualmente maravilhoso! Todavia, o enredo e o roteiro poderiam ser melhores explorados, considerando-se ser essa, uma história baseada em fatos reais e detalhes interessantes que resultaram, inclusive, no rompimento do vínculo entre o Rei Henrique VIII e a Igreja Católica, regado a muitas provocações acirradas junto ao Papado!
De qualquer forma o filme é muito bonito e rico nas fotografias dos vestuários e locações.
Parabéns pelo blog. Adorei!!