quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A ÚLTIMA CEIA


A ÚLTIMA CEIA (Monster's ball, 2001, Lions Gate Films, 111min) Direção: Marc Forster. Roteiro: Milo Addica, Will Rokos. Fotografia: Roberto Schaefer. Montagem: Matt Chessé. Música: Asche and Spencer. Figurino: Frank Fleming. Direção de arte/cenários: Monroe Kelly/Leonard R. Spears. Produção executiva: Michael Burns, Michael Paseornek. Elenco: Billy Bob Thornton, Halle Berry, Heath Ledger, Peter Boyle, Sean Combs, Mos Def, Coronji Calhoun. Estreia: 26/12/01

2 indicações ao Oscar: Atriz (Halle Berry), Roteiro Original
Vencedor do Oscar de Melhor Atriz (Halle Berry)

Halle Berry foi a primeira (e até agora a única) negra a ganhar o Oscar de Melhor Atriz, abrindo um importante precedente na história do cinema. Bela e sensual, ela despojou-se de todo o seu arsenal sedutor para encarar sua personagem em "A última ceia", uma viúva amargurada e com uma vida infeliz, que se envolve em um romance melancólico com um homem igualmente desesperançado. Seu trabalho intenso e forte mereceu a estatueta, ainda que o fato de ela ter levado o prêmio no mesmo ano em que Denzel Washington foi eleito o Melhor Ator pelo banal "Dia de treinamento" tenha sido considerado por muitos como um ato de diplomacia da formal Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Especulações paranoicas à parte, a atuação de Berry é, sem dúvida, um atrativo e tanto ao filme de Marc Foster, um trabalho pesado, denso e dono de um ritmo que foge léguas dos dramas mais convencionais que costumam ganhar o Oscar. Ela vive Leticia, uma garçonete que acaba de ficar viúva do criminoso Lawrence Musgrove (o cantor Sean "Puff Daddy" Combs, se saindo melhor do que se poderia esperar), executado na cadeira elétrica. Como se viver ameaçada de despejo e ter perdido o marido em circunstâncias tão cruéis não fosse o suficiente, Leticia ainda passa por uma outra experiência devastadora, o que a leva a travar conhecimento com Hank Grotoski (Billy Bob Thornton), que acaba de passar por uma tragedia envolvendo seu filho único, Sonny (Heath Ledger começando a demonstrar que era um excelente ator), com quem mantinha uma relação fria e de quase ódio. Os dois começam uma relação baseada no apoio mútuo, mas, além de ter que enfrentar o racismo de Buck (Peter Boyle), pai de Hank - e até dele mesmo - Leticia também terá de enfrentar a revelação de que Hank e seu filho foram os guardas responsáveis pelos últimos dias de seu marido na prisão.

"A última ceia" não é um filme leve e recomendável a quem procura dramas pasteurizados ao estilo "Filme da Semana". Sem dar espaço para um mínimo de senso de humor ou leveza - até mesmo suas polêmicas cenas de sexo são secas, duras, sem glamour ou qualquer tipo de romantismo - o roteiro narra o encontro de seus protagonistas como uma válvula de escape, a última chance de viverem seus dias com menos peso e tristeza. Os personagens defendidos por Berry e Thornton (em um ano excepcional que também ofereceu a ele os filmes "O homem que não estava lá" e "Vida bandida") são duas pessoas desencantadas e cansadas da vida que levam, e isso se reflete em seus olhares desprovidos de empolgação ou paixão. Billy Bob vive um Hank cuja vida não passa de um dia-a-dia enfadonho e que vislumbra em Leticia uma possibilidade de redenção (e uma prova para si mesmo de que é capaz de sentir algo mais do que desprezo). Hale Berry interpreta Leticia como uma mulher que precisa de sustentação, de alguém que a apoie, de um respiro de tranquilidade e paz. E a cena final, de uma sutileza ímpar no cinema americano talvez incomode àqueles que procuram roteiros simplistas. Mas tem uma verdade e uma honestidade difícil de se encontrar em filmes comerciais.

3 comentários:

renatocinema disse...

Vi o filme no lançamento em dvd e concordo com seu comentário: não é um filme leve e recomendável a quem procura dramas pasteurizados.

É um filme tenso, doido e imperdível.

Cena de sexo que emociona e incomoda ao mesmo tempo.

Cristiano Contreiras disse...

Tenso e cruel, verdadeiro, um filme denso! Gosto muito. Acho que Berry mereceu o oscar, apesar das concorrentes serem tão fortes e marcantes quanto ela. Um filme já esquecido por muitos, uma pena. abs

Mateus Selle Denardin disse...

Um drama poderoso. Berry e Thornton estão excelentes. (Agora... não acho mesmo DIA DE TREINAMENTO banal, mas bem que aquele Oscar do Washington deveria ter ido para o Crowe, magnífico em UMA MENTE BRILHANTE)