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O FANTASMA DA ÓPERA

O FANTASMA DA ÓPERA (The phantom of the Opera, 2004, Warner Bros, 143min) Direção: Joel Schumacher. Roteiro: Andrew Lloyd Webber, Joel Schumacher, musical de Andrew Lloyd Webber, romance de Gaston Leroux. Fotografia: John Mathieson. Montagem: Terry Rawlings. Figurino: Alexandra Byrne. Direção de arte/cenários: Anthony Pratt/Celia Bobak. Produção executiva: Jeff Abberley, Julia Blackman, Keith Cousins, Louise Goodsill, Paul Hitchcock, Ralph Kamp, Austin Shaw. Produção: Andrew Lloyd Webber. Elenco: Gerard Butler, Emmy Rossum, Patrick Wilson, Minnie Driver, Miranda Richardson, Ciaran Hinds, Simon Callow. Estreia: 22/12/04

3 indicações ao Oscar: Fotografia, Canção Original ("Learn to be lonely"), Direção de arte/cenários

Tinha tudo pra dar certo. A versão da Broadway já fazia parte do inconsciente coletivo mundial desde sua estreia, em 1986. O gênero musical estava em alta com o sucesso de filmes como "Moulin Rouge" e "Chicago". O orçamento milionário chegou aos 70 milhões de dólares. O diretor Joel Schumacher - apesar de vários tropeços na carreira - era o preferido do compositor Andrew Lloyd Weber desde o início do projeto. E, da ideia de levar o musical às telas até sua estreia propriamente dita, nomes como os de Kevin Spacey, John Travolta e Antonio Banderas foram cotados para o papel central. Então por que "O fantasma da ópera" - uma marca forte e amplamente reconhecível - deu com os burros n'água, ao contrário do que se esperava?

Tudo bem que a bilheteria mundial de 150 milhões de dólares não é nada desprezível, mas é inegável que a Warner esperava muito mais quando finalmente tirou do papel um projeto há muito acalentado. Baseado no romance de Gaston Leroux, o musical de Andrew Lloyd Weber - feito pelo compositor como presente para sua então esposa Sarah Brightman - não teve no cinema a mesma sorte do que sua trajetória nos palcos. Ao contrário do que Rob Marshall fez em "Chicago" - utilizar as canções em favor de sua história e abusar da linguagem cinematográfica em proveito da trilha sonora - Joel Schumacher não soube aproveitar a matéria-prima que tinha em mãos. Estendendo demais a duração de seu filme - quase duas horas e meia de projeção sem um ritmo adequado - e contando com um elenco mal escalado, Schumacher acabou realizando um musical enfadonho que nem mesmo o belíssimo visual ajuda a aguentar sem várias pausas e inúmeros bocejos.



Tudo começa muito bem, com a imponência que se espera de um musical. Na primeira sequência, um leilão na Ópera de Paris faz com que um misterioso milionário viaje mentalmente para o ano de 1870, quando a jovem Christine (Emmy Rossum, péssima) assume o papel central de uma superprodução do teatro, para despeito da estrela da companhia, Carlotta (Minnie Driver). Apaixonada por um amigo de infância, Raoul (Patrick Wilson), ela acaba sendo sequestrada por um misterioso ser que habita os subterrâneos do lugar (Gerard Butler). Escondido por trás de uma máscara por ter o rosto desfigurado e conhecido como "O Fantasma da Ópera", ele inspira Christine desde a infância e tem a obsessão de transformá-la em uma estrela com um musical composto por ele mesmo.

Visualmente exuberante, com uma fotografia deslumbrante de John Mathieson e uma reconstituição de época absolutamente perfeita, "O fantasma da ópera" se ressente basicamente de sua falta de ritmo e empatia com seus atores principais. O trio de protagonistas não conquista o espectador, nem consegue fazer com que a audiência se importe com seu destino. Se Gerard Butler é jovem demais para ser o fantasma do título, ao menos consegue se desimcumbir com relativa competência de seu desafio. Patrick Wilson é bonito e tem carisma, mas seu Raoul é chato e apático e Emmy Rossum (vista anteriormente como a filha assassinada de Sean Penn em "Sobre meninos e lobos") assumiu o papel que quase ficou nas mãos de Anne Hathaway mas não tem nem metade do carisma da futura Mulher-Gato. Salva-se Miranda Richardson, como a única personagem que sabe de toda a origem do fantasma.

É inegável que a maior qualidade de "O fantasma da ópera" - sua música grandiloquente e poderosa - ainda se mantém na versão cinematográfica, com algumas canções capazes de arrepiar aos fãs da obra original. Mas é muito pouco diante de tudo que o filme poderia ser. Mais um passo em falso na carreira de Joel Schumacher.

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