quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ORGULHO E PRECONCEITO

ORGULHO E PRECONCEITO (Pride & Prejudice, 2005, Focus Features/Universal Pictures, 127min) Direção: Joe Wright. Roteiro: Deborah Moggach, romance de Jane Austen. Fotografia: Roman Osin. Montagem: Paul Tothill. Música: Dario Marianelli. Figurino: Jacqueline Durran. Direção de arte/cenários: Sarah Greenwood/Katie Spencer. Produção executiva: Liza Chasin, Debra Hayward. Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, Paul Webster. Elenco: Keira Knightley, Matthew McFayden, Judi Dench, Rosamund Pike, Carey Mulligan, Donald Sutherland, Brenda Blethyn, Jena Malone, Talulah Riley. Estreia: 25/7/05

4 indicações ao Oscar: Atriz (Keira Knightley), Trilha Sonora Original, Figurino, Direção de arte/cenários

Publicado em 1813, o romance "Orgulho e preconceito" acabou tornando-se o mais popular e amado dentre toda a obra da escritora inglesa Jane Austen - também autora de obras conhecidas que foram adaptadas para o cinema, como "Razão e sensibilidade" e "Emma". Transformado em filme pela primeira vez em 1940 - com Greer Garson e Laurence Olivier nos papéis principais - a história de amor entre a orgulhosa Elizabeth Benneth e o circunspecto Mr. Darcy sempre esteve no inconsciente coletivo das milhares de leitoras que nunca deixaram que a obra caísse no esquecimento. Porém, depois de uma bem-sucedida adaptação para a tv britânica em 1995 - mesmo ano em que Austen tornou-se febre entre os estúdios de cinema - parecia que não havia mais espaço para mais uma releitura. Foi aí que entrou em cena o cineasta Joe Wright, estreando com o pé direito no cinema.

Nascido em 1972 e egresso da televisão inglesa, Wright surpreendeu crítica e público ao assinar um filme elegante e que mantinha em perfeito equilíbrio o romance e o senso de humor da obra de Austen - algo que o bem mais experiente Ang Lee também havia conseguido na versão de "Razão e sensibilidade" de 1995. Sem preocupar-se com as adaptações anteriores, Wright construiu seu filme como se fosse uma história de amor inédita e surpreendente, e seu frescor fica patente logo em suas primeiras cenas, onde ele apresenta a barulhenta e vital família Bennett, liderada por um Donald Sutherland particularmente inspirado e uma Brenda Blethyn mostrando porque era uma das inglesas preferidas da Academia no final dos anos 90 - quando concorreu ao Oscar por "Segredos e mentiras" e "Little Voice, a voz de uma estrela". Os veteranos atores vivem os pais de uma ninhada de cinco meninas, todas em idade de arrumar um marido - de preferência ricos e bem educados. A protagonista é sua primogênita, Elizabeth (Keira Knightley), de personalidade forte e ideias à frente de seu tempo, que a levam a declinar de propostas tidas como irrecusáveis. Seu jeito pouco afeito às convenções sociais acabam por aproximá-la - e ao mesmo tempo afastá-la - do aparentemente esnobe Mr. Darcy (Matthew Macfadyen), um rico proprietário vizinho de sua família.



Tirando proveito do estilo gracioso e um tanto sardônico do romance de Jane Austen, "Orgulho e preconceito" é um vitorioso principalmente por não ter vergonha das origens plenamente folhetinescas e romanescas de seu original. O roteiro - que contou com a colaboração preciosa e não creditada de Emma Thompson - ao mesmo tempo em que descreve o estilo de vida de sua época com carinho e romantismo não deixa de criticá-lo de maneira sutil e divertida. A história de amor entre Elizabeth e Mr. Darcy, por exemplo, cede espaço em muitos momentos, para tramas paralelas sempre bastante interessantes e com os dois pés fincados no classicismo vitoriano de sua autora - tramas repletas de reviravoltas, mal-entendidos e principalmente amores eternos e dramáticos. E Wright tem a sorte - ou o talento de escolha - para contar com um elenco extraordinário, onde Donald Sutherland e Brenda Blethyn são apenas a ponta do iceberg.

Na pele de Elizabeth Bennett, a frágil Keira Knightley - em alta na época pelo sucesso de "Piratas do Caribe" - oferece uma de suas atuações mais felizes, onde mescla a força de sua personagem com uma delicadeza ímpar diante do amor. Matthew Macfadyen cria um Mr. Darcy impecável, rivalizando com dois grandes intérpretes da personagem, Laurence Olivier e Colin Firth. Mesmo que soe muito mais antipático do que deveria em um filme que apesar de tudo é uma história de amor, Macfadyen faz o contraponto perfeito à sutileza de Knightley - indicada ao Oscar por seu desempenho. Juntos, eles conseguem conquistar a audiência, que passa a torcer por seu final feliz logo que os dois cruzam os olhares - e dos quais vão adiante com diálogos de uma mordacidade deliciosa.

Fotografado com requinte e dono de uma reconstituição de época brilhante, "Orgulho e preconceito" não faz feio diante de suas versões anteriores, revelando em Joe Wright um cineasta competente e criativo - qualidades que seu trabalho seguinte, o estarrecedor "Desejo e reparação" deixaria ainda mais claro. Um programa obrigatório para os românticos.

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