segunda-feira, 6 de junho de 2011

AMOR ALÉM DA VIDA

AMOR ALÉM DA VIDA (What dreams may come, 1998, Polygram Filmed Entertainment, 113min) Direção: Vincent Ward. Roteiro: Ron Bass, romance de Richard Matheson. Fotografia: Eduardo Serra. Montagem: David Brenner, Maysie Hay. Música: Michael Kamen. Figurino: Yvonne Blake. Direção de arte/cenários: Eugenio Zanetti/Cindy Carr, Josh Fifarek. Produção executiva: Ted Field, Erica Huggins, Scott Kroopf. Produção: Barnet Bain, Stephen Simon. Elenco: Robin Williams, Annabella Sciorra, Cuba Gooding Jr., Max Von Sydow. Estreia: 28/9/98

2 indicações ao Oscar: Direção de Arte/Cenários, Efeitos Visuais
Vencedor do Oscar de Efeitos Visuais

 Normalmente, quando um filme leva o Oscar de efeitos visuais logo se imagina que seja uma obra de ação recheada de explosões, alienígenas ou monstros assustadores. No entanto, felizmente os recursos com que o cinema brinda seus espectadores também podem servir a histórias com alto teor humano. É o que acontece com "Amor além da vida", belíssima história de amor, com toques espirituais dirigida com extrema sensibilidade pelo neozelandês Vincent Ward. Baseado em um romance de Richard Matheson - mesmo autor de "Em algum lugar do passado" - o filme é uma viagem pictória e emocional valorizado pela atuação delicada de Robin Williams, pelo visual arrebatador e pelo teor espiritualista capaz de emocionar qualquer espectador.

Williams, contido e carismático, vive o médico Chris Nelson, que vive uma felicidade de cartão postal com a esposa Annie (Annabella Sciorra), uma dedicada marchand. A harmonia da família é brutalmente interrompida quando eles perdem o casal de filhos pequenos em um acidente de carro. Depois de anos tentando fazer com que a esposa pare de se culpar pelo acidente, ele mesmo acaba se tornando vítima de um desastre automobilístico. Assim que chega no paraíso, que ele descobre ser particular (ou seja, criado por sua própria mente), ele reconhece um antigo mentor na pele de um jovem negro (Cuba Gooding Jr.), que lhe serve como cicerone. Enquanto encanta-se com a vida após a morte apresentada a ele, Chris fica sabendo de uma tragédia: não conseguindo sobreviver à falta que sente da família, Annie cometeu suicídio e, como consequência, não pode sair do inferno. Contando com a ajuda de um velho bibliotecário (Max Von Sydow), ele resolve buscar a mulher que ama, desafiando as regras estabelecidas. Em seu caminho à procura de Annie, novas e dramáticas revelações serão feitas e mais reencontros acontecerão.



O roteiro, escrito pelo mesmo Ronald Bass que levou o Oscar por "Rain Man" pode até ser descrita como piegas e um tanto exagerada. As tragédias que rondam a família Nelson soam um tanto forçadas, mas não há como negar que a maneira com que o roteirista desenvolve a odisséia do protagonista encontra um respaldo mais do que suficiente nos espetaculares efeitos criados para o filme. Poucas vezes se viu no cinema um visual tão deslumbrante e criativo (ainda que um pouco brega em determinados momentos). No filme de Ward, cada pessoa escolhe seu próprio paraíso, e Chris, ligado à arte e à pintura, tem um Éden majestoso, delicado e colorido. O destino de Annie, porém, bem mais trágico e pesado, dá lugar a um assustador inferno, que remete diretamente à "Divina Comédia", de Dante. O paraíso de sua filha, por sua vez, repete uma maquete que ela adorava quando criança, e assim por diante.

Tudo bem que o dramalhão corre solto em boa parte do filme, mas o esforço de Robin Williams em fugir de seu estereótipo de palhaço de plantão, os efeitos visuais inesquecíveis, o belíssimo desfecho e a atuação sensível de Annabella Sciorra (que ficou com um papel cobiçado por Annette Bening) compensam os escorregões e levam às lágrimas. Sem dúvida "Amor além da vida" é uma alternativa bem mais consistente ao xaroposo "Ghost, do outro lado da vida", que também trata do tema de vida após a morte mas sem o mesmo grau de sofisticação e inteligência.

4 comentários:

Kleber Godoy disse...

Olá,

Este filme é lindo... e gostamos do seu texto também.

Abraços,

Kleber e Jonathan

renatocinema disse...

O roteiro pode realmente ser descrita como piegas e exagerado, porém, é emocionante.

Não sou religioso, não sou espírita, nem nada semelhante. Fui assistir ao filme apenas como um homem apaixonado que tinha acabado de tomar um fora da namorada. Amei a história: piega, sentimental e feita para nos fazer chorar.

Uma bela opção para quem ainda acredita que o cinema pode apenas contar uma boa história de amor e superação.

Hugo disse...

Já escreverem praticamente tudo, é uma história feita especificamente para emocionar, o que agrada ao grande público.

E o visual é magnífico.

Abraço

Lileeloo disse...

já assisti n vezes, sempre choro!!
Comentários sempre muito pertinentee e inspirados.
Uma observação que você não fez, e não sei tb se concorda, por isso a pergunta: não acha que a parte em que Willians vai resgatar a esposa do inferno remete ao mito de Orfeu e Ariadne?