quarta-feira, 22 de junho de 2011

CORAÇÕES APAIXONADOS

CORAÇÕES APAIXONADOS (Playing by heart, 1998, Miramax Films, 121min) Direção e roteiro: Willard Carroll. Fotografia: Vilmos Zsigmond. Montagem: Pietro Scalia. Música: John Barry. Figurino: April Ferry. Direção de arte/cenários: Missy Stewart/Cindy Carr. Produção executiva: Guy East, Paul Feldsher, Nigel Sinclair, Bob Weinstein, Harvey Weinstein. Produção: Willard Carroll, Meg Liberman, Tom Wilhite. Elenco: Sean Connery, Gena Rowlands, Angelina Jolie, Ryan Philippe, Madeleine Stowe, Dennis Quaid, Gillian Anderson, Ellen Burstyn, Jay Mohr, Anthony Edwards, Jon Stewart, Patricia Clarkson. Estreia: 18/12/98

Filmes com várias estórias aparentemente independentes que se cruzam no final já fazem parte de quase um sub-gênero em Hollywood. De Robert Altman a Quentin Tarantino, vários diretores já se aventuraram, com resultados os mais variados, a assinar filmes assim. Por isso não deixa de ser surpreendente quando um exemplar do estilo consegue ultrapassar as expectativas e conquistar o espectador. Mesmo sendo escrito e dirigido pelo praticamente desconhecido Willard Carroll, o drama romântico "Corações apaixonados" é bom o suficiente para prender a atenção do público, contando para isso com uma equipe de causar inveja a qualquer veterano.

Por não ser exatamente um nome de peso, o cineasta cercou-se de um time de colaboradores de primeira linha. Do diretor de fotografia Vilmos Zsigmond (Oscar por "Contatos imediatos de terceiro grau") ao editor Pietro Scalia (Oscar por "JFK" e "Falcão negro em perigo"), passando pelo maestro John Barry e os experientes atores Sean Connery, Ellen Burstyn e Gena Rowlands, os créditos do filme são um desfile dos mais talentosos profissionais da sétima arte. No entanto, nada disso adiantaria se Carroll não tivesse em mãos um belo trunfo: o roteiro esperto e ágil. Inteligentemente, ele não criou um petardo emocional como "Magnólia" ou um besteirol ralo como "Pret-a-porter": dosando muito bem elementos comoventes com cenas de uma graça sincera e leve, o diretor conseguiu um equilíbrio raro, fazendo com que todas as estórias que conta sejam dignas de interesse, mesmo porque o elenco estava em dias inspirados.



Os veteranos Sean Connery e Gena Rowlands vivem Hannah e Paul, um casal que, às vésperas de completar 40 anos de casamento, se envolvem em uma crise quando a esposa, apresentadora de um programa de TV nos moldes de Ana Maria Braga descobre a foto de uma antiga paixão do marido. A química entre os atores é orgânica, e o texto é divertido e caloroso (poucas vezes se viu o James Bond mais famoso das telas tão à vontade). Angelina Jolie (pré-Oscar, pré-Brad Pitt e pré-símbolo sexual absoluto) e Ryan Philippe são Joan e Keenan, dois jovens que se conhecem em uma danceteria e passam a viver um romance titubeante graças à resistência do rapaz, oriunda de um traumatizante relacionamento anterior. Jolie é pura alegria de viver e carisma, em um papel feito sob medida, e Philippe se sai relativamente bem, sem precisar explorar o corpo, como fez em "Studio 54".

Madeleine Stowe e Anthony Edwards (da série "Plantão Médico") são os amantes Gracie e Roger, cuja relação nunca sai dos quartos de hotel, apesar dos apelos dele (talvez seja a trama menos interessante, ainda que revele uma pequena surpresa nas cenas finais). Gillian Anderson (da série "Arquivo X") interpreta a diretora de teatro Meredith, que tenta afastar o pretendente Trent (Jon Stewart) por medo de sofrer (e Anderson tem um insuspeito timing cômico). Dennis Quaid é Hugh, aparentemente um mentiroso contumaz que tenta seduzir mulheres em bares contando as mais absurdas histórias de tristeza (e o então marido de Meg Ryan deita e rola no papel, demonstrando um talento que viria a crescer ainda mais nos anos seguintes). E finalmente Ellen Burstyn é Mildred, uma mulher que acompanha os últimos momentos do filho Mark (Jay Mohr), vítima da AIDS. É a história mais triste do filme, mas contada com delicadeza e com a excelência de Burstyn.

Tentar adivinhar como essas estórias irão se cruzar é apenas um dos prazeres que se tem ao assistir a “Corações apaixonados”. Engraçado, comovente, romântico, é uma pequena pérola em meio às explosões e tiroteios que povoam as telas de cinema. Para ser descoberto!

Um comentário:

renatocinema disse...

Gostei do filme.

O roteiro, meio fora do comum como todos de hoje, agrada pelo romantismo e pela entrega ao amor.

Atuações tocantes e que merecem destaque.

Amei a fotografia.