terça-feira, 7 de junho de 2011

ELIZABETH

ELIZABETH (Elizabeth, the Virgin Queen, 1998, Polygram Filmed Entertainment/Working Title Productions, 124min) Direção: Shekar Kapur. Roteiro: Michael Hirst. Fotografia: Remi Adefarasian. Montagem: Jill Bilcock. Música: David Hirschfelder. Figurino: Alexandra Byrne. Direção de arte/cenários: John Myhre/Peter Howitt. Produção: Tim Beavan, Eric Fellner, Alison Owen. Elenco: Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Joseph Fiennes, Christopher Eccleston, Richard Attenborough, Fanny Ardant, Vincent Cassell, Daniel Craig, Kelly MacDonald, Emily Mortimer, Eric Cantona, Kathy Burke. Estreia: 13/10/98

7 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Atriz (Cate Blanchett), Fotografia, Trilha Sonora Original/Drama, Figurino, Direção de Arte/Cenários, Maquiagem
Vencedor do Oscar de Maquiagem
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz/Drama (Cate Blanchett)

É impressionante a capacidade que Hollywood tem de surpreender os fãs de cinema e apresentar astros e estrelas (ou ainda melhor, atores e atrizes de verdade) que surgem aparentemente do nada e se revelam a partir de então indispensáveis. Em 1999 isso aconteceu com uma irlandesa de nome Cate Blanchett. Protagonista de filmes pouco vistos pelo grande público - como "Oscar & Lucinda", com Ralph Fiennes - ela assombrou as plateias com sua impecável atuação em "Elizabeth", dirigido pelo indiano Shekhar Kapur. Na pele de uma das mais conhecidas monarcas do mundo, ela arrebatou um Golden Globe de melhor atriz dramática e deve estar até hoje se perguntando como é que foi perder o Oscar para Gwyneth Paltrow em "Shakespeare apaixonado". Dona de uma beleza não particularmente óbvia, Blanchett é o corpo e a alma do trabalho de Kapur, que, com um roteiro ágil de Michael Hirst, injeta adrenalina e sensualidade em um gênero que sofre grande preconceito da plateia mais jovem: os filmes de época.

Em 1558, a Inglaterra está em um período de grave crise econômica e religiosa, com a divisão violenta entre católicos e protestante. Quando a rainha Mary (Kathy Burke), católica, morre, ela deixa o trono nas mãos de sua irmã bastarda, Elizabeth (Cate Blanchett), filha de Henrique VIII e Ana Bolena. Protestante e portanto considerada herege, a jovem monarca passa a sofrer pressões para casar-se e ter filhos, para afirmar-se como líder de país em vias de entrar em conflito armado. Contando com o apoio do misterioso Sir Francis Walsingham (Geoffrey Rush) e a inimizade declarada do cruel Duque de Norfolk (Christopher Eccleston), ela desdenha da ideia de tornar-se esposa de qualquer homem que não seja aquele por quem é apaixonada, Robert Dudley (Joseph Fiennes).


O roteiro de Hirst acerta em concentrar seu foco nas intrigas palacianas mais do que nos problemas políticos da Inglaterra do período, o que poderia tornar tudo muito enfadonho para quem não tem domínio do assunto. Enquanto Norfolk trama sangrentas campanhas para destituir Elizabeth do trono, ela se deixa fragilizar pelo amor que sente por Dudley, um amor que será fundamental para que ela consiga perceber a importância da lealdade e da fidelidade. A transformação de Elizabeth - de jovem quase ingênua a uma das mulheres mais poderosas do mundo - é o grande trunfo do filme, e essa transição é interpretada com uma segurança ímpar por Blanchett, que lidera um elenco espetacular com desenvoltura e paixão. Ao lado de um discreto Geoffrey Rush (cuja personagem se mantém interessantemente dúbia por boa parte da projeção), de um sedutor Joseph Fiennes e de um assustador Christopher Eccleston, ela comanda um show de história e boa dramaturgia.

A caprichada reconstituição de época de "Elizabeth" é outro destaque do filme. O figurino impecável de Alexandra Byrne e a direção de arte de John Myhre (ambos indicados ao Oscar) não chamam a atenção para si mesmos, o que sempre é bastante elogiável, uma vez que filmes de época em muitas ocasiões dão mais atenção ao visual do que à trama. O castelo da rainha, os calabouços e todos os demais cenários são brilhantes exatamente porque parecem reais e não apenas construções artificiais. E a força da música original de David Hirschfelder dá o tom perfeito para a força da história desde as cenas iniciais que mostram os efeitos da Inquisição até seu desenlace, quando acontece definitivamente o nascimento da Rainha Elizabeth que liderou a Inglaterra até seu áureo período, chamado de "A era de ouro" - e que deu origem a uma sequência, realizada em 2007 sem a mesma qualidade do primeiro capítulo.

"Elizabeth" é um filme adulto, que trata a plateia com respeito e inteligência, sem romancear excessivamente o lado romântico da história e, ao mesmo tempo, buscando a aprovação de um público mais exigente. E é também um dos mais interessantes retratos de uma época fascinante em termos históricos e sociais. Contando ainda com uma avassaladora atuação da grandiosa Cate Blanchett, é programa obrigatório para os fãs do bom cinema histórico.

2 comentários:

renatocinema disse...

Não sou grande fã de filmes de época. Mas, esse é um ótimo filme. Tudo perfeito.

Do roteiro, caprichado ao ótimo casal de protagonistas Cate Blanchett e Joseph Fiennes.

O figurino realmente é outro destaque da produção.....e olha quem assume isso é um fã de cinema que nem liga muito para esse importante quesito no cinema.

Santiago. disse...

O filme é ótimo em tudo, junto com a Kate Winslet, Natalie Portman e Carey Mulligan (essa uma ótima promessa), acho a Blanchett uma das melhores da 'safra'.

E esse (a rainha virgem), é bem melhor que o (era de ouro, de 2007). Você já viu a Elizabeth da Bette Davis? Acho sem comparação, Bette realmente era brilhante, mas a Blanchett não deixa a desejar.

Abração,
Rodrigo.