quinta-feira, 13 de junho de 2013

OS ESTRANHOS

OS ESTRANHOS (The strangers, 2008, Rogue Pictures, 86min) Direção e roteiro: Bryan Bertino. Fotografia: Peter Sova. Montagem: Kevin Greutert. Música: tomandandy. Figurino: Susan Kaufman. Direção de arte/cenários: John D. Kretschmer/Missy Berent. Produção executiva: Joe Drake, Mark D. Evans, Kelli Konop, Trevor Macy, Sonny Mallhi. Produção: Doug Davison, Nathan Kahane, Roy Lee. Elenco: Scott Speedman, Liv Tyler. Estreia: 30/5/08

Em uma época onde os filmes de terror apelam com frequência cada vez maior ao sobrenatural e aos efeitos visuais, não deixa de ser surpreendente que algo como "Os estranhos" tenha sido realizado. Feito com cerca de 10 milhões de dólares - o que não paga nem um terço do salário dos grandes astros hollywoodianos - e protagonizado por um casal de atores de apenas razoável popularidade, o filme de estreia do cineasta Bryan Bertino é daqueles capazes de fazer o espectador pular da poltrona e roer as unhas de aflição do início ao fim. Tudo graças a uma edição de som espetacular, um roteiro que dá mais importância à sugestão do que ao explícito e a algumas palavrinhas no início da projeção: baseado em fatos reais.

Ainda que essas palavras não sejam exatamente verdadeiras - segundo o diretor e roteirista ele inspirou-se em uma vaga memória de infância e em alguns crimes da família Manson - isso fica insignificante diante da qualidade do terror apresentado pelo filme. Contando basicamente com dois atores centrais - e um elenco de apoio que sustenta a ação em momentos pontuais - "Os estranhos" é uma aula de narrativa de suspense, que daria orgulho ao mestre Hitchcock. Quase totalmente realizado com uma câmera na mão, o que acentua o clima de angústia e urgência da história, o filme de Bertino (que quase foi assinado pelo Mark Romanek de "Marcas de uma obsessão") é opressivo e claustrofóbico na medida certa. É, também, uma pequena obra-prima do gênero.


Construindo o suspense aos poucos, o roteiro começa apresentando seus protagonistas, o jovem casal James (Scott Speedman) e Kristen (Liv Tyler), que chegam à casa de campo da família do rapaz depois de uma noite que não correu exatamente como o esperado: apaixonado pela namorada, ele acaba de pedí-la em casamento e está decepcionado com sua recusa. O clima pesado entre os dois, porém, não é nada perto do que está por vir. O que começa com batidas repetidas na porta - e com estranhos pedindo informações a respeito de pessoas que eles não conhecem - termina com uma noite do mais puro desespero: um grupo de três desconhecidos passa a aterrorizá-los, impedindo-os de abandonar a propriedade.

É admirável a maneira com que o cineasta estreante consegue manter o nível de tensão constante, utilizando para isso elementos básicos como o silêncio e a sensação de desamparo da protagonista, vivida com garra e esforço pela bela Liv Tyler, que transmite com perfeição os sentimentos de pânico de sua personagem. É Tyler quem comanda o espetáculo, deixando a Scott Speedman a árdua tarefa de buscar atos de heroísmo em circunstâncias tão carregadas de medo. O pavor com que os dois se descobrem prisioneiros inocentes de uma brincadeira mortal é dividido com a plateia, que embarca sem reversas na trama urdida pelo roteiro. Tenso e angustiante, "Os estranhos" é o típico filme de deixar qualquer um com medo de dormir com as luzes apagadas.

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