quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ATRAÇÃO FATAL


ATRAÇÃO FATAL (Fatal attraction, 1987, Paramount Pictures, 119min) Direção: Adrian Lyne. Roteiro: James Dearden. Fotografia: Howard Atherton. Montagem: Peter E. Berger, Michael Kahn. Música: Maurice Jarre. Figurino: Ellen Mirojnick. Direção de arte/cenários: Mel Bourne/George DeTitta. Casting: Risa Bramon, Billy Hopkins. Produção: Stanley R. Jaffe, Sherry Lansing. Elenco: Michael Douglas, Glenn Close, Anne Archer, Ellen Hamilton Latzen, Stuart Pankin, Fred Gwyne. Estreia: 18/9/87

6 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Adrian Lyne), Atriz (Glenn Close), Atriz Coadjuvante (Anne Archer), Roteiro Adaptado, Montagem

O bem-sucedido advogado Dan Gallagher (Michael Douglas) vive há nove anos um casamento quase impecável com a bela Beth (Anne Archer), com quem tem uma filha pequena. Caindo na rotina de um relacionamento estável, Dan acaba tendo um caso com a sedutora Alex Forest (Glenn Close), uma mulher solteira e aparentemente bem resolvida. No entanto, o que para Dan seria apenas um romance passageiro para matar o tempo em um fim de semana de solidão acaba tornando-se um pesadelo quando Alex, grávida, ameaça expor o fim de semana que passaram juntos. Quanto mais Dan tenta fugir da ex-amante mais ela se aproxima, disposta a acabar com a família do homem que a rejeitou.

Na época de seu lançamento, em 1987 - quando a AIDS começava a espalhar sua ameaça mortal indiscriminadamente -, esse filme, dirigido pelo esteta Adrian Lyne ganhou manchetes do mundo todo, causando polêmicas sem fim. Sucesso de bilheteria e indicado para vários Oscar, inclusive de melhor filme, direção, atriz e roteiro, a trágica história de amor e ressentimento entre Dan Gallagher e Alex Forest apavorou os maridos da América e do continente e acabou servindo como uma luva para os interesses de um país a cada dia mais assustadoramente conservador.


Deixando de lado análises sociais, o fato é que “Atração fatal” serve muito bem a seus propósitos de assustar e prender o público do início ao fim. O roteiro de James Dearden (que, dizem, foi inspirado em sua ex-namorada, a atriz Sean Young) nem demora muito a chegar ao que interessa. Em quinze minutos de ação, o tórrido caso entre os protagonistas, ilustrados por cenas de sexo pra lá de quentes já acabou e a vilã (interpretada com uma dose de exagero por Glenn Close, que ficou marcada pela personagem) começa a mostrar suas garras. Aos poucos, ela se transforma de doce amante em psicótica e enlouquecida algoz, chegando ao ponto de cozinhar o coelhinho de estimação da filha do casal - uma das cenas mais famosas da história do cinema desde então.

"Atração fatal" foi a segunda maior bilheteria de 1987 nos EUA, um sucesso estrondoso que acabou se refletindo nas indicações ao Oscar. Até mesmo o normalmente rechaçado Adrian Lyne arrumou sua vaga entre os candidatos à estatueta de diretor, o que prova a força com que o filme bateu no inconsciente americano. Os reacionários de plantão não poderiam ter encontrado um veículo melhor para disseminar seus ideais de instituição familiar, e a Academia de Hollywood, como bom baluarte de "bons sentimentos" assinou embaixo. Tudo bem que "Atração" não levou nenhum prêmio, mas com certeza é bem mais lembrado pelo público do que o vencedor do ano, o épico "O último imperador".

Apesar do final moralista – a ponto de o filme acabar com o close de um porta-retrato mostrando a feliz família principal – que insiste em colocar o bem (a família) contra o mal (a amante deixada de lado) em uma guerra física e violenta, o filme de Lyne cumpre o que promete. A edição ágil, a trilha sonora competente e principalmente a interpretação de Close - que ficou com um papel que foi cogitado para praticamente TODAS as atrizes de Hollywood em atividade na época - , dão o tom exato à obra, que grudou feito tatuagem na mente dos maridos dos anos 80.

Um comentário:

@Raspante disse...

Ia pegar este filme semana passada, mais acabei pegando outro filme. Mais não sabia que a história era tão.."emocionante" hahaha.
Preciso ver!