sábado, 14 de agosto de 2010

NOS BASTIDORES DA NOTÍCIA


NOS BASTIDORES DA NOTÍCIA (Broadcast news, 1987, 20th Century Fox, 133min) Direção e roteiro: James L. Brooks. Fotografia: Michael Ballhaus. Montagem: Richard Marks. Música: Bill Conti. Figurino: Molly Maginnis. Direção de arte/cenários: Charles Rosen/Jane Bogart. Casting: Ellen Chenoweth. Produção executiva: Polly Platt. Produção: James L. Brooks. Elenco: William Hurt, Holly Hunter, Albert Brooks, Lois Chiles, Joan Cusack, Jack Nicholson, Robert Prosky. Estreia: 16/12/87

7 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Ator (William Hurt), Atriz (Holly Hunter), Ator Coadjuvante (Albert Brooks), Roteiro Original, Fotografia, Montagem

Tudo bem que o Oscar de 1987 já tinha dono desde o início, com "O último imperador", de Bernardo Bertolucci sendo o favorito desde sempre. Mas é difícil entender os motivos que levaram a Academia a escolher "Nos bastidores da notícia" como um dos cinco indicados a seu prêmio máximo. Ainda que bastante correto, com diálogos inteligentes e um elenco adequado, o filme de James L. Brooks não encanta em momento algum, longe das grandes emoções de seu trabalho anterior - e este sim multi-oscarizado - "Laços de ternura".

"Nos bastidores da notícia" usa o mundo dos telejornais como pano de fundo para uma comédia romântica e uma crítica ácida às pessoas obcecadas com o sucesso profissional - além de também cutucar sem muita delicadeza a superficialidade que ronda o por trás das câmeras de uma emissora de televisão. A protagonista é Jane Craig (vivida com delicadeza por Holly Hunter, que substituiu Debra Winger poucos dias antes do início das filmagens e concorreu a seu primeiro Oscar), a talentosa e dedicada produtora de um programa jornalístico de Washington. Dada a choros repentinos e incontroláveis, Jane é uma control-freak absoluta que nem desconfia que desperta a paixão enlouquecida de Aaron Altman (Albert Brooks), seu colega de trabalho, um homem inteligente, culto e sensível que sofre por não ter o visual apropriado para ser âncora de telejornal. "O mundo não seria perfeito se insegurança e desespero nos tornassem atraentes?", dispara ele em uma de suas conversas íntimas com ela.

A relação amigável entre Jane e Aaron sofre um abalo quando entra em cena Tom Granick (William Hurt), um jornalista galã que tem tudo que Aaron deseja: sucesso, mulheres e uma aparência que lhe abre todas as portas. Apesar de não ser exatamente um gênio, Tom acaba conquistando o amor de Jane, e o triângulo amoroso formado por eles acaba chegando à sua vida profissional.


Assim como já havia feito em "Laços de ternura", em "Nos bastidores da notícia" James L. Brooks aposta todas as suas fichas nas relações inter-humanas entre seus protagonistas, que, mais uma vez são extremamente verossímeis, repletos de qualidades e defeitos. Incoerentes como boa parte das pessoas reais, as personagens criadas por Brooks encontram nos atores escalados por ele intérpretes à altura da responsabilidade. Não foi à toa que não apenas Hunter concorreu ao Oscar, mas também William Hurt e Albert Brooks. Hurt deita e rola na pele do sedutor Tom Granick e Brooks entrega uma atuação perfeita em sua insegurança como o sensível Aaron. Juntos, os três valem a sessão do filme. No entanto, não deixa de ser um exagero as suas generosas sete indicações ao Oscar.

Inteligente e simpático, "Nos bastidores da notícia" ainda conta com a participação especialíssima de Jack Nicholson (em atuação não-creditada) e a inspirada atuação da ótima Joan Cusack. Pode não ser uma obra-prima, mas é acima da média.

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