segunda-feira, 16 de agosto de 2010

SETEMBRO


SETEMBRO (September, 1987, 82min) Direção e roteiro: Woody Allen. Fotografia: Carlo Di Palma. Montagem: Susan E. Morse. Figurino: Jeffrey Kurland. Direção de arte/cenários: Santo Loquasto/George DeTitta Jr. Casting: Juliet Taylor. Produção executiva: Charles H. Joffe, Jack Rollins. Produção: Robert Greenhut. Elenco: Denholm Elliott, Mia Farrow, Dianne Wiest, Jack Warden, Sam Waterston, Elaine Stritch. Estreia: 18/12/87

É inegável que, como diretor e roteirista de comédias sofisticadas e inteligentes, Woody Allen é imbatível. No entanto, seu lado mais sombrio, profundo e melancólico muitas vezes agrada a crítica mas afugenta a audiência. Foi assim com "Interiores", de 1978 e o mesmo repetiu-se com "Setembro", feito quase uma década depois. Filmado quase como uma peça de teatro - sem muitos closes e com muitos planos longos - o 18º longa da carreira de Allen é um de seus menos louvados. Injustamente!

A trama de "Setembro" se passa em uma casa de praia em Vermont, no final de verão particularmente desgastante emocionalmente para a frágil Lane (Mia Farrow), que, recém-saída de uma profunda crise nervosa se apaixona pelo escritor Peter (Sam Waterston), que alugou a casa para escrever seu novo livro. Assediado pela mãe de Lane, a ex-modelo Diane (Elaine Stritch) - cujo passado conta com uma tragédia que abalou a vida da filha - para que escreva sua biografia, Peter se encanta com Stephanie (Dianne Wiest), a melhor amiga de Lane, uma mulher casada e romanticamente confusa. Enquanto tenta lidar com sua problemática relação com a mãe e tenta conquistar o amor de Peter, Lane desperta a paixão de um vizinho mais velho, Howard (Denholm Elliott).

A ciranda amorosa-romântica criada por Allen até pode lembrar alguns de seus filmes anteriores, mais notadamente "Hannah e suas irmãs", também estrelado por Farrow e Wiest. Mas em "Setembro" o senso de humor do cineasta é deixado de lado, o que colabora para o clima quase claustrofóbico imposto pela sóbria fotografia de Carlo Di Palma. As personagens, aqui, não relaxam frequentando museus ou visitando o Central Park. Na opressiva trama escrita por Allen na casa de verão de sua então mulher Mia Farrow, viver é complicado, tomar decisões é sacrificante, encarar a realidade é difícil. Lane tem que conviver com um trauma do passado, que praticamente destruiu sua vida, e a impede de ter uma relação saudável com sua mãe, que, em contrapartida, não deixa que nenhum problema a atinja com a devida força. Stephanie luta contra o desejo por Peter, porque não quer magoar Lane nem destruiur seu próprio casamento. E Howard, apaixonado por Lane, deseja arrancá-la da tristeza e da prostação emocional, mas esbarra na fragilidade da própria moça.

Woody Allen filmou "Setembro" duas vezes por achar a primeira versão insatisfatória. Substituiu Maureen O'Sullivan (mãe de Farrow na vida real) por Elaine Stricht (que entregou uma performance bastante distinta de sua personagem), Charles Durning por Denholm Elliot e Sam Shepard por Sam Waterston (sendo que Shepard já substituía Christopher Walken). Ainda achando que o filme não estava à altura do que imaginava, pensou em refilmar uma terceira versão. Ainda bem que não o fez!

"Setembro" tem diálogos belíssimos, interpretações intensas e uma melancolia deslumbrante. Não é para ser assistido em momentos de crise emocional, mas é um trabalho fascinante de um diretor extremamente inteligente e talentoso.

Um comentário:

Jenifer Torres disse...

Woody Allen parece vinho: não envelhece nunca.