sábado

ACUSADOS


ACUSADOS (The accused, 1988, Paramount Pictures, 111min) Direção: Jonathan Kaplan. Roteiro: Tom Topor. Fotografia: Ralf Bode. Montagem: O. Nicholas Brown, Jerry Greenberg. Música: Brad Fiedel. Figurino: Trish Keating. Direção de arte/cenários: Richard Kent Wilcox/Barry W. Brolly. Casting: Sally Dennison, Julie Selzer. Produção: Stanley R. Jaffe, Sherry Lansing. Elenco: Jodie Foster, Kelly McGillis, Bernie Coulson, Carmen Argenziano, Leo Rossi, Ann Hearn. Estreia: 14/10/88

Vencedor do Oscar de Melhor Atriz (Jodie Foster)
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz/Drama (Jodie Foster)


Quando assistiu a "Acusados" pela primeira vez, Jodie Foster achou sua atuação tão ruim que considerou seriamente abandonar Hollywood e dedicar-se à carreira acadêmica. Quando, alguns meses depois, ela ganhou o Oscar de melhor atriz por seu trabalho, felizmente mudou de ideia. E até mesmo quem considerava que Glenn Close era imbatível na categoria, por "Ligações perigosas" é obrigado a admitir que Foster é a melhor coisa do filme. Sorte de Foster - que em pouco tempo estrearia como diretora e levaria uma segunda estatueta, por "O silêncio dos inocentes", sorte dos fãs de cinema e sorte principalmente do filme em si, um drama de tribunal formulaico e, não fosse por ela, esquecível. Sem maiores arroubos de criatividade no roteiro e uma direção anêmica, "Acusados" poderia facilmente ser classificado como um telefilme, tamanha é sua falta de energia. Mas Jodie, definitivamente, faz toda a diferença.

A personagem de Foster é Sarah Tobias, uma garçonete de boca suja, chegada em fumar um baseado de vez em quando e sem grandes pudores. Uma noite, ela vai parar em um bar onde trabalha uma amiga. Tencionando um flerte de leve para provocar o namorado, com quem acabou de brigar, ela acaba sendo violentamente estuprada por três homens, enquanto outros os incitavam e encorajavam com aplausos e gritos de incentivo. Humilhada e machucada, ela conta com a ajuda da advogada Kathryn Murphy (Kelly McGillis) para colocar seus agressores atrás das grades. As coisas não correm conforme o esperado e eles são absolvidos depois de um acordo judiciário. Sentindo-se traída, Sarah desconta a raiva na advogada, que, tocada em seus brios de mulher e profissional, tem a idéia de processar os homens que testemunharam o ato de violência.


E é só isso. O filme não faz muito além de contar sua história, sem desenvolver as suas personagens principais, tão frágeis quanto o roteiro, superficial a ponto de não se aprofundar em nenhuma das inúmeras questões que poderia suscitar. O relacionamento e a solidariedade entre as protagonistas principais, por exemplo, não é discutido a contento, nem muito menos o machismo que as leva a unirem-se mesmo quando seu futuro não aponta para algo muito feliz. Kelly McGillis se deixa levar pela apatia de sua personagem e nem está particularmente bela como em “Top Gun” e “A testemunha”, seus dois filmes mais conhecidos - e isso que ela mesma foi vítima de estupro, em 1982, o que a fez trocar, ao menos na tela, o papel de vítima pelo de advogada. Jonathan Kaplan, o diretor, em alguns anos trocaria o cinema pela TV, dirigindo vários episódios de "Plantão médico".

É somente Jodie Foster, com seu imenso talento que faz sua Sarah Tobias tornar-se maior que o roteiro e a direção e salvar “Acusados” da total mediocridade. E isso que foi apenas a quarta opção para o papel... Como diria Alanis Morissette, isn't ironic??

Um comentário:

chuck large disse...

Não acredito que Judie Foster algum dia pensou em abandonar a carreira de atriz, ainda bem que ela desistiu da ideia, seria uma perda imensa para o cinema.
Com a Judie, eu apenas vi "O Silêncio dos Inocentes", vi mais um ou dois filmes com a atriz mais não me lembro dos nomes agora. Mas, enfim, acho ela uma ótima atriz e quero ver "Acusados" filme que nem conhecia....

Abs,
cigarrosefilmes.blogspot.com

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