domingo, 26 de setembro de 2010

SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS (Dead Poets Society, 1989, Touchstone Pictures, 128min) Direção: Peter Weir. Roteiro: Tom Schulman. Fotografia: John Seale. Montagem: William Anderson. Música: Maurice Jarre. Direção de arte/cenários: Wendy Stites/John Anderson. Casting: Howard Feuer. Produção: Steven Haft, Paul Junger Witt, Tony Thomas. Elenco: Robin Williams, Ethan Hawke, Robert Sean Leonard, Josh Charles, Kurtwood Smith, Melora Walters. Estreia: 09/6/89

4 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Peter Weir), Ator (Robin Williams), Roteiro Original
Vencedor do Oscar de Roteiro Original

É preciso dar a mão à palmatória: de vez em quando o público médio consegue surpreender até o mais cético dos especialistas em mercado. Foi isso que aconteceu com "Sociedade dos poetas mortos". Lançado no mesmo ano - e na mesma temporada competitiva - que "Indiana Jones e a última cruzada" e o marketing agressivo e espalhafatoso do primeiro "Batman" de Tim Burton, o belo filme dirigido pelo australiano Peter Weir não só conseguiu a proeza de concorrer a 4 importantes Oscar - filme, direção, ator e roteiro original - como ainda por cima arrecadou quase 100 milhões de dólares somente nos EUA. Mesmo contando com a protagonização de Robin Williams, então um astro considerável, o sucesso do filme foi uma grande surpresa principalmente devido a uma particularidade: ao contrário de explosões, humor escatológico e sexo selvagem, a trama de Tom Schulman versava sobre poesia, amizade, esperança e sonhos despedaçados. Ou seja, nada que chamasse a atenção do público, pelo menos aparentemente.

Passada em 1959 - portanto, antes de dois maiores traumas norte-americanos da época, o assassinato de Kennedy e a guerra do Vietnã - a história criada por Schulman é um primor de delicadeza e inteligência, nunca abusando desses ingredientes e equilibrando-os com o carisma radiante de Williams (merecidamente indicado ao Oscar de Melhor Ator). Na época ainda conhecido por seus papéis em comédias como "Popeye" (o fracassado projeto de Robert Altman), o ator dá um show de sutileza ao interpretar John Keating, um professor de Literatura que transforma a vida de um grupo de alunos em uma escola preparatória para rapazes, a tradicional Welton Academy. Substituindo um mestre aposentado, ele surpreende a todos com métodos heterodoxos de ensino. Logo em sua primeira aula, ele manda que todos arranquem as páginas iniciais de um livro de poesia, afirmando que medir a poesia através de gráficos não é a forma correta de se apreciá-la. A partir daí, declama Shakespeare imitando John Wayne e Marlon Brando, recita Thoreau e Walt Whitman sem empolação e, com isso incentiva os meninos a recriarem um projeto de seus tempos de estudante: a Sociedade dos Poetas Mortos. Inspirado por Keating, o tímido Todd Anderson (Ethan Hawke) tenta fugir de seu medo do mundo, o romântico Knox Overstreet (Josh Charles) vai em busca de conquistar o amor da mulher que ama e o ultraprotegido Neil Perry (Robert Sean Leonard) desafia os pais para lutar por seu sonho de ser ator de teatro.


O impacto emocional de "Sociedade dos poetas mortos" é imenso, graças a uma conjunção de fatores que faz dele um dos mais comoventes dramas "de professor" já realizados por Hollywood. O roteiro preciso, simples e catártico de Tom Schulman levou o Oscar da categoria por merecimento inegável. A belíssima fotografia de John Seale, que retrata as quatro estações do ano com singeleza ímpar é de encher os olhos. A trilha sonora de Maurice Jarre conquista pela mistura perfeita entre composições próprias e música clássica de primeira linha. A direção de arte é primorosa e a direção de Weir é provavelmente a melhor de sua carreira (e isso que falamos do homem por trás de "A testemunha" e o posterior "O show de Truman"). Mas é em seu elenco impecável que "Sociedade dos poetas mortos" marca o maior gol de todos.

Se como John Keating Robin Williams provou sem sombra de dúvida que é um grande ator, são seus coadjuvantes que ficam na memória dos espectadores. Williams é generoso ao abrir espaço para seus colegas de cena, responsáveis por alguns dos momentos mais arrepiantes do longa. Como Todd Anderson, Ethan Hawke demonstra uma maturidade surpreendente e como Neil Perry, o estreante Robert Sean Leonard conquista a audiência cena a cena, até chegar a seu dramático clímax - de deixar qualquer um com o rosto lavado de lágrimas.O que Keating ensina a seus alunos - e por conseguinte ao público - é viver com lealdade a seus ideais, com esperança e com ideias próprias. Incomodou seus superiores. Encantou as plateias.

3 comentários:

alan raspante. disse...

Este filme eu comprei em uma promoção nas Americanas, nunca tinha visto, mas simpatizando com o nome, resolvi adquiri-lo.
O filme é incrível, uma magnitude soberba, um roteiro realmente inspirador. "Carpe diem"! hahahaha.

Abs, Clênio.

Alice disse...

Eu adoro esse filme! Se eu fizesse um post a respeito dele, eu o classificaria como 5 estrelas!

Robin Williams nele revela o grande ator que é e acho uma pena ele não ter ganhado o oscar...=/

Ótimo post!

beijinhos

Lileeloo disse...

Amo esse filme, sou professora e qual professor não sonha em despertar em seus alunos o que faz o personagem de Willians??
Mas uma vez eu ouvi uma critica negativa a ele, de um professor do cursinho que também era muito fã de cinema, me indicou filmes maravilhosos aos quais assiti.
Ele disse que o professor John Keating foi o responsável pelo que aconteceu ao personagem do Robert Sean Leonard, porque ele tentou impor suas idéias a uma sociedade que ainda não estava preparada para elas, e que saiu perdendo foi o elo mais fraco, o jovem - ele simplesmente fez o que fez e depois foi embora os deixando "perdidos".
É um ponto de vista - eu não vejo assim...mas faz pensar sob um outro ponto de vista.
Seu texto como sempre =10.