sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O CARTEIRO E O POETA

O CARTEIRO E O POETA (Il postino/The postman, 1995, Miramax International, 108min) Direção: Michael Radford. Roteiro: Anna Pavignano, Michael Radford, Furio Scarpelli, Giacomo Scarpelli, Massimo Troisi, romance "Ardiente paciencia", de Antonio Skarmeta. Fotografia: Franco di Giacomo. Montagem: Roberto Perpignani. Música: Luis Enrique Bacalov. Figurino: Gianna Gissi. Direção de arte: Lorenzo Baraldi. Produção executiva: Alberto Passone. Produção: Mario Cecchi Gori, Vittorio Cecchi Gori, Gaetano Daniele. Elenco: Phillipe Noiret, Massimo Troisi, Maria Grazia Cucinotta, Linda Moretti, Anna Bonaiuto. Estreia EUA: 14/6/95

5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Michael Radford), Ator (Massimo Troisi), Roteiro Adaptado, Trilha Sonora Original/Drama
Vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora Original/Drama

Para um filme estrangeiro, romper a barreira do idioma e fazer sucesso junto ao preguiçoso e mal-acostumado público médio norte-americano é uma façanha e tanto. Quando a esse sucesso junta-se generosas cinco indicações ao Oscar - inclusive as mais importantes de filme, diretor, roteiro e ator - então, a festa tem tudo para ser completa. Pois o belo italiano "O carteiro e o poeta" pode-se gabar desses dois feitos e tanto. Mesmo tendo sido dirigido pelo inglês Michael Radford, a adaptação do romance do chileno Antonio Skarmeta tem cenário, alma e sensibilidade italianas, e é capaz de emocionar qualquer espectador disposto a embarcar na jornada de um homem em direção às mais importantes conquistas de sua vida: o amor, a amizade e a consciência política.
O roteiro de "O carteiro e o poeta" mescla acontecimentos reais com uma história de ficção, equilibrando com maestria o verdadeiro com o imaginário. Mesmo tendo um final substancialmente diferente de sua versão literária - o que pode enfurecer os puristas, mas não atinge a vasta maioria da audiência - ele mantém o tom cômico/romântico/melancólico do livro e da peça teatral que este originou. Tudo se passa em uma pequena ilha da Sicília, onde o poeta chileno Pablo Neruda (Phillipe Noiret) se auto-exila depois de desentendimentos sérios com o governo de seu país. Vivendo ao lado da esposa Matilda em uma casa simples com uma bela vista para o mar, ele recebe vasta correspondência de seus fãs - a maioria mulheres encantadas com suas poesias. Encarregado de entregar todas as cartas que chegam para Neruda está o simples e semi-analfabeto Mario Ruoppolo (Massimo Troisi), que tenta desesperadamente fugir de uma vida miserável e da carreira de pescador de seu pai. Quando Mario se apaixona pela garçonete Beatrice (Maria Garzia Cuccinota), ele resolve pedir ajuda ao poeta para conquistá-la. No processo de aprender a fazer poesia, Mario passa a tomar consciência da desigualdade social que impera em seu vilarejo e inicia uma grande e profunda amizade com Neruda.



Premiado com o Oscar de melhor trilha sonora original/drama, "O carteiro e o poeta" deu a Massimo Troisi uma indicação póstuma na categoria de melhor ator. Troisi, que morreu 24 horas depois de encerrar sua participação no filme era um dos atores mais queridos e talentosos do cinema italiano da época, tendo participado de filmes importantes como "A viagem do Capitão Tornado", de Ettore Scola. Tendo feito seu último filme já seriamente doente - havia adiado a cirurgia cardíaca para após o término de filmagens - Troisi conquista a plateia com seu jeito triste e simplório, em uma atuação tão delicada quanto sua saúde no momento. Com um perfeito timing de comédia e uma riqueza de nuances em sua expressão facial, ele rouba a cena até mesmo do veterano e carismático Noiret, que pontua com discrição seu show particular.

Mas, além da presença extraordinária de Troisi, "O carteiro e o poeta" também tem outros trunfos, que o levaram a ocupar um lugar de destaque nos corações dos fãs. A fotografia deslumbrante de Franco di Giacomo não busca o tentacular e encanta justamente por limitar-se à beleza das paisagens (mesmo quando foca as tristes e desesperançadas redes dos pescadores). A música de Luis Bacalov é deslumbrante por sua pungência. E o roteiro - que poderia facilmente ter levado o Oscar se não tivesse batido de frente com o fabuloso Razão e sensibilidade, de Emma Thompson - alterna com grande inteligência momentos genuinamente engraçados com diálogos brilhantes e um final de partir o coração. O que mais se pode esperar de um filme, além disso?

Não é por qualquer motivo que "O carteiro e o poeta" fez tanto sucesso pelo mundo. Lançado na mesma época em que imbecilidades como "Independence Day" lotavam salas e mais salas, ele foi um oásis de humanismo, sinceridade e beleza para aqueles que buscam no escurinho do cinema a vida como ela é, ainda que revestida de uma dolorosa e tocante aura de poesia.

4 comentários:

@JuniorAd disse...

Eu tenho esse filme a séculos em VHS ainda (!) e não assisti. Sei ele é bonito, e como vc mesmo disse "um oásis de humanismo, sinceridade e beleza". Verei logo!

Hugo disse...

Filme extremamente sensível, com ótimas interpretações de dois grandes atores: Troisi e Noiret.

A bela Maria Grazia Cucinotta depois ganharia um pequeno papel num episódio de "A Família Soprano".

Abraço

Lileeloo disse...

LINDO

Anônimo disse...

Realmente muito lindo. Chorei!