quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A LUTA PELA ESPERANÇA

A LUTA PELA ESPERANÇA (Cinderella man, 2005, Universal Pictures/Miramax Films, 144min) Direção: Ron Howard. Roteiro: Cliff Hollingsworth, Akiva Goldsman, estória de Cliff Hollingsworth. Fotografia: Salvatore Totino. Montagem: Dan Hanley, Mike Hill. Música: Thomas Newman. Figurino: Daniel Orlandi. Direção de arte/cenários: Wynn Thomas/Gordon Sim. Produção executiva: Todd Hallowell. Produção: Brian Grazer, Ron Howard, Penny Marshall. Elenco: Russell Crowe, Renée Zellweger, Paul Giamatti, Bruce McGill, Craig Bierko, Paddy Considine. Estreia: 23/5/05

3 indicações ao Oscar: Ator Coadjuvante (Paul Giamatti), Montagem, Maquiagem

Depois dos merecidos Oscar por "Uma mente brilhante" o diretor Ron Howard, o ator Russell Crowe, o roteirista Akiva Goldsman e o produtor Brian Grazer tinham a mais plena certeza de que um bicampeonato estava despontando com seu filme seguinte, mais uma poderosa história de superação, repleta de lances melodramáticos e um protagonista capaz de emocionar os espectadores. Sua ambições, no entanto, começaram a parecer impossíveis quando "A luta pela esperança" - a história real de um boxeador nos difíceis anos pós-Depressão americana - naufragou solenemente nas bilheterias. Tendo custado cerca de 80 milhões de dólares, o filme estacionou em pouco mais de 60 milhões em território ianque e só conseguiu passar dos 100 milhões depois de estrear no resto do mundo - no Brasil, mesmo, só chegou às telas quatro meses depois de seu lançamento doméstico. O fracasso comercial, porém, não faz justiça a um espetáculo que, apesar de quadradinho e sem maiores arroubos de criatividade é comovente ao extremo e visualmente deslumbrante.

Fotografado com precisão por Salvatore Totino - que dá a textura de desânimo e desesperança às imagens - e editado com coesão por Dan Hanley e Mike Hill (também herança de "Uma mente brilhante"), "A luta pela esperança" talvez não tenha encontrado seu público justamente por um visual próximo demais da realidade dos anos 30, ou seja, triste e doloroso demais para uma audiência muito mais interessada em filmes de ação escapistas e efeitos visuais. Também não colaborou para sua tentativa de sucesso o fato de que seu protagonista, Jim Braddock, é um boxeador e é sabido que filmes com qualquer relação com esportes - com raras exceções - tendem a bombar nas bilheterias. Somado ao fato de ter estreado bem longe da data tida como mais favorável aos possíveis indicados ao Oscar - a saber, o final do ano - as chances da obra de Howard chegar aos finalistas da estatueta dourada foram minguando com o passar do tempo. Resultado: apenas três indicações menores, incluindo uma de ator coadjuvante para Paul Giamatti.



Giamatti - sendo lembrado pela Academia depois de ter sido ignorado por seu protagonista em "Sideways, entre umas e outras" - interpreta Joe Gould, o treinador de Braddock, um boxeador que teve seus dias de glória deixados para trás com a crise financeira causada pela quebra da bolsa em 1929 e que tenta desesperadamente arrumar trabalho nas docas de Nova York para sustentar a mulher, Mae (Renée Zellweger) e os três filhos pequenos. Sua luta pela sobrevivência - cada dia mais difícil e sofrida - recebe um alento quando seu antigo empresário lhe oferece uma série de lutas. Mesmo contra a vontade da esposa, Braddock aos poucos começa a recuperar seu status e passa a ser chamado pela imprensa de "Cinderella man". Sua grande chance, porém, ainda está por vir: ele aceita lutar contra o arrogante e talentoso Max Baer (Craig Bierko, irreconhecível), em uma luta que será seu tudo ou nada.

Quanto menos se souber a respeito da história de Jim Braddock - sim, é uma história real - melhor para o aproveitamento do drama proposto por Howard e companhia. O suspense a respeito da luta final é realmente bem desenhado pelo cineasta, que faz com que a audiência sofra cada soco em seu protagonista como se fosse em si mesmo. As cenas de luta - mesmo que passem longe da excelência de "Touro indomável" - são filmadas com realismo e extrema competência pelo cineasta. E Russell Crowe mais uma vez entrega uma performance invejável, que o levou a emagrecer e sofrer com uma prótese dentária. Seu esforço injustamente não foi recompensado com uma indicação ao Oscar, mas é digna de figurar entre os grandes momentos de sua carreira.

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