terça-feira, 20 de novembro de 2012

EDUKATORS, OS EDUCADORES

EDUKATORS, OS EDUCADORES (Die fetten Jahre sind vorbei, 2005, Alemanha, 127min) Direção: Hans Weingartner. Roteiro: Hans Weingartner, Katharina Held. Fotografia: Daniela Knapp, Matthias Schellenberg. Montagem: Dirk Oetelshoven, Andreas Wodraschke. Música: Andreas Wodraschke. Figurino: Silvia Pernegger. Direção de arte/cenários: Christian M. Goldbeck. Produção: Antonin Svoboda, Hans Weingartner. Elenco: Daniel Bruhl, Julia Jentsch, Stipe Erceg, Burghart Klaubner. Estreia: 17/5/04 (Festival de Cannes)

"Seus dias de fartura estão contados." Com essa afirmação ameaçadora - e que também é seu título original - o filme alemão "Edukators, os educadores" já demonstra claramente a que veio. Dirigido por Hans Weingartner e estrelado por Daniel Bruhl (astro do bem sucedido "Adeus, Lenin"), o filme é um elogio rasgado à juventude idealista e politicamente ativa da Alemanha de sua época, banhado de certa ingenuidade, mas capaz de, felizmente, ser inteligente o bastante para demonstrar um senso de realismo que o eleva facilmente a um dos mais interessantes produtos do cinema germânico do século XXI.

Até mesmo aqueles que nutrem certo preconceito contra qualquer tipo de cinema realizado longe dos domínios de Hollywood tem vários motivos para se encantar com "Edukators". A começar pelo ritmo ágil, tudo no filme de Weingartner aponta para um rumo bem diferente de clássicos modernos do país, como o cultuado "Asas do desejo". Cinema popular sem ser condescendente, inteligente sem ser arrogante e socialmente relevante sem ser panfletário, "Edukators" conquista o público aos poucos, para, em seu final, mostrar que contou várias histórias em uma só de maneira sutil e envolvente.

 

Os Educadores do título são Jan (Daniel Bruhl) e Peter (Stipe Erceg), dois amigos inseparáveis que, militantes contra a má distribuição de renda em seu país, invadem as residências dos milionários com o objetivo de mandar seu recado: eles não roubam nada, apenas mudam a mobília de lugar (de maneira bizarra) e deixam um bilhete com os dizeres do início deste texto. Sua rotina é alterada quando, durante uma viagem de Peter, sua namorada Jule (Julia Jentsch) fica sabendo das aventuras noturnas de seu amado e convence Jan a invadir a casa de um industrial que a obrigou, depois de um acidente de carro, a lhe pagar o conserto de sua Mercedez. Os dois entram na casa - Jan é apaixonado pela garota - mas um imprevisto muda completamente o rumo dos acontecimentos e leva os quatro - os amigos e o industrial - a uma situação de vida ou morte.

Quanto menos se souber dos rumos de "Edukators" em uma primeira sessão, melhor. O roteiro esperto do diretor - co-escrito por Katharina Held - se equilibra com perfeição entre o triângulo amoroso dos amigos, o suspense da situação desencadeada pela invasão na casa do milionário e o discurso mal-disfarçado (mas puro o bastante para não incomodar) a respeito da desigualdade social. Aliás, talvez essa pureza de objetivos seja a maior qualidade do filme de Weingartner. Tudo bem que a trama é bem desenvolvida, os atores são carismáticos - em especial Daniel Bruhl - e a utilização da bela "Hallelujah", de Leonard Cohen é exemplar. Mas é o respiro de uma ideologia poucas vezes retratada no cinema com tanta doçura que faz com que tudo soe ainda mais belo e empolgante. Um pequeno grande filme!

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