quarta-feira

PREMONIÇÕES


PREMONIÇÕES (Premonition, 2007, TriStar Pictures/MGM, 96min) Direção: Mennan Yapo. Roteiro: Bill Kelly. Fotografia: Torsten Lippstock. Montagem: Neil Travis. Música: Klaus Badelt. Figurino: Jill Ohanneson. Direção de arte/cenários: Dennis Washington/Raymond Pulmilia. Produção executiva: Nick Hamson, Andrew Sugerman, Lars Sylvest. Produção: Ashok Amritraj, Jennifer Gibgot, Jon Jashni, Sunil Perkash, Adam Shankman. Elenco: Sandra Bullock, Julian McMahon, Nia Long, Kate Nelligan, Peter Stormare, Shyann McClure, Courtney Taylor Burness. Estreia: 12/3/2007

Quando "Premonições" estreou, no começo de 2007, a carreira de Sandra Bullock estava em uma encruzilhada. Seus dias como "a nova Julia Roberts" já estavam encerrados - sua última comédia a levar multidões às salas de exibição, "Miss Simpatia" já tinha sete anos de idade - e ela ainda não havia se reinventado como a atriz séria que levaria um Oscar por "Um sonho possível" (2009). Nesse meio do caminho entre a popularidade e o prestígio, alguns filmes buscavam um novo sucesso com artifícios variados, como continuações ("Miss Simpatia 2: armada e poderosa", de 2005) e o reencontro com Keanu Reeves ("A casa do lago", de 2006). Dirigida pelo alemão Mennan Yapo - conhecido pelo sucesso "Adeus, Lênin" (2000) -, a trama de suspense com lances místicos não chegou a ser um estouro de bilheteria, mas rendeu quatro vezes seu orçamento de 20 milhões de dólares e, se não agradou completamente à crítica, se mostrou acima da média dentro de um gênero perigosamente à beira do esgotamento.

Usando e abusando das caras e bocas que lhe renderam fama e dinheiro, Bullock interpreta Linda Hanson, a feliz esposa do executivo Jim (Julian McMahon) e mãe de duas pré-adolescentes no auge da energia. Sua rotina em uma bela casa no subúrbio é radicalmente alterada quando ela recebe a trágica notícia de que seu marido morreu em um acidente de carro. Devastada e inconsolável, Linda está prestes a entrar em uma severa depressão quando, para sua surpresa, acorda no dia seguinte ao funeral de Jim e descobre que ele está vivo. Sua confusão aumenta ainda mais nos dias seguintes, que parecem alternar-se em duas realidades alternativas: em uma delas, é preciso lidar com a dor da perda e descobertas a respeito das mentiras que sustentavam seu casamento; em outra, a vida como ela conhece permanece a mesma, sem o fantasma do acidente pairando sobre suas cabeças. O que na verdade está acontecendo - e Linda chega a essa conclusão mesmo sendo considerada desequilibrada pelos amigos e familiares - é que, por alguma razão, os dias estão fora de ordem cronológica, e ela precisa encontrar uma maneira de reverter o triste destino de sua história de amor.


 

Feliz em estabelecer sua intrigante premissa, o roteiro de Bill Kelly - autor da comédia "De volta para o presente", estrelado por Brendan Fraser e Alicia Silverstone em 1999 - falha, no entanto, em oferecer uma explicação plenamente satisfatória a ela. Apelando para um misticismo que pode não agradar a todos, deixa no ar uma sensação de potencial não completamente desenvolvido, apesar do terço final relativamente tenso e com um clímax surpreendente. Sandra Bullock exagera em boa parte dos 96 minutos de sessão, intercalando expressões de tristeza e assombro sem maiores nuances ou sutileza, mas é inegável que seu status de estrela segura bastante o interesse pela trama, assim como a presença de Julian McMahon, então astro da série "Nip/Tuck", que pouco tem a fazer em cena além de desfilar charme. Com personagens pouco aprofundados, tanto ele quando Bullock fazem o possível para dar-lhes uma consistência e uma coerência que muito faz falta no resultado final.

Para quem é fã de Sandra Bullock ou de produções de suspense com tons místicos e/ou sobrenaturais, "Premonições" é um prato cheio. Conduzido com segurança por Yapo - que resiste à tentação do caminho mais fácil e dribla com destreza os clichês do roteiro (mesmo que por momentos os utilize de forma sutil) - e recusando o tom de ironia que muitas vezes enfraquece as produções do gênero, o filme instiga o espectador desde os minutos iniciais com uma história que fala sobre amor, perdão e segundas chances. Não chega a ser brilhante, mas cumpre boa parte do que promete e deu a Sandra Bullock a oportunidade de mostrar-se competente o suficiente para uma nova (e mais séria) fase na carreira.

 

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