quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

MAVERICK


MAVERICK (Maverick, 1994, Warner Bros/Icon Entertainment, 127min) Direção: Richard Donner. Roteiro: William Goldman, personagens criados por Roy Huggins. Fotografia: Vilmos Zsigmond. Montagem: Stuart Baird, Mike Kelly. Música: Thomas Newman. Figurino: April Ferry. Direção de arte/cenários: Tom Sanders/Lisa Dean. Produção: Bruce Davey, Richard Donner. Elenco: Mel Gibson, Jodie Foster, James Garner, Alfred Molina, James Coburn, Graham Greene, Dan Hedaya. Estreia: 20/5/94

Indicado ao Oscar de Figurino

"Maverick", dirigido pelo mesmo Richard Donner da série "Máquina mortífera" se beneficiou de duas tendências comerciais que estavam em voga no início dos anos 90: os faroestes e as adaptações de séries de TV para o cinema. Tanto "Os imperdoáveis" - western de Clint Eastwood - e "O fugitivo" - estrelado por Harrison Ford - haviam sido grandes sucessos de bilheteria e o primeiro chegou a faturar o Oscar de melhor filme. Aproveitando a onda, Donner juntou-se ao amigo Mel Gibson e correu pro abraço. Com uma renda de mais de 100 milhões de dólares somente no mercado americano, "Maverick"  fechou as contas com um belo saldo, e de quebra, apesar de não ter chegado nem perto das cerimônias de premiação, parece ter divertido tanto o elenco quanto a plateia.

Criado por Roy Huggins na década de 50 e interpretado na TV por James Garner, Bret Maverick chegou às telas na pele de Mel Gibson, em vias de tornar-se um diretor respeitado e oscarizado pelo épico "Coração valente". No roteiro de William Goldman - que ecoa, guardadas as devidas proporções, seu trabalho em "Golpe de mestre" - Maverick é um conceituado jogador de pôquer que precisa juntar dinheiro suficiente para participar de um torneio milionário que acontecerá em um barco. Disposto a arrecadar a grana necessária, ele vai em busca de alguns credores, encontrando em seu caminho o xerife Cooper (o próprio Garner em participação afetiva) e a trapaceira Annabelle Bransford (Jodie Foster pela primeira vez em um papel menos sério dos que costuma interpretar). Juntos, eles passarão por situações inacreditáveis - diligências desgovernadas, ataques indígenas (em uma participação hilária de Graham Greene), roubos e trapaças, além de um violento rival (Alfred Molina) que, a mando de alguém cuja identidade ninguém conhece, tenta impedí-lo de inscrever-se no torneio.

 

"Maverick" é quase um "Máquina mortífera" no velho-oeste. É impossível dissociar Bret Maverick de Martin Riggs, vivido por Gibson na série do mesmo Richard Donner - e a impagável participação especial de Danny Glover reitera a afirmação. O senso de humor familiar, o talento em dirigir cenas de ação e o controle do ritmo identificam claramente o estilo do cineasta, que iniciou uma brilhante carreira no final dos anos 70 com "Superman, o filme" e depois do quarto capítulo de "Máquina mortífera", em 1998, entrou em uma curva descendente que ainda se mantém. Em "Maverick", Donner brinca com os clichês do velho oeste com um carinho evidente - até mesmo a direção de arte soa um tanto fake, o que lhe dá um certo charme retrô que encontra no elenco escolhido acertadamente um complemento extremamente feliz.

Se Gibson já estava estabelecido como um ator de filmes de ação quando interpretou Bret Maverick o mesmo não pode ser dito de Jodie Foster. Atriz séria, respeitada e especializada em papéis fortes e densos, a vencedora de dois Oscar apresenta, como Annabelle Bransford, uma faceta até então desconhecida para seus inúmeros fãs. Com um perfeito timing cômico e uma feminilidade poucas vezes explorada em seus trabalhos, Foster rouba a cena, principalmente quando atua com Mel Gibson - a química do casal é hilariante e eles aproveitam os diálogos de Goldman com inteligência e frescor. Ver Jodie tão à vontade - na época em que estava em vias de estrear mais um de seus dramas pesados, "Nell", que lhe deu mais uma indicação ao Oscar - é mais um motivo forte para que se assista a Maverick.

Divertido do começo ao fim, "Maverick" é uma sessão da tarde com todas as qualidades que fazem dos filmes de Richard Donner tão agradáveis. Com um humor que não ofende ninguém, um grupo de atores em dias inspirados e um roteiro que nunca cai no marasmo, é uma pedida perfeita para momentos de tédio. Não muda a vida de ninguém, mas diverte.

Um comentário:

Hugo disse...

Você escreveu tudo, é uma agradável comédia com elenco inspirado.

Abraço e um ótimo 2011.