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NA LINHA DE FOGO

NA LINHA DE FOGO (In the line of fire,1993, Columbia Pictures, 128min) Direção: Wolfgang Petersen. Roteiro: Jeff Maguire. Fotografia: John Bailey. Montagem: Anne V. Coates. Música: Ennio Morricone. Figurino: Erica Edell Phillips. Direção de arte/cenários: Lilly Kilvert/Kara Lindstrom. Casting: Janet Hirshenson, Jane Jenkins. Produção executiva: Gail Katz, Wolfgang Petersen, David Valdes. Produção: Jeff Apple. Elenco: Clint Eastwood, Rene Russo, John Malkovich, Dylan McDermott, Gary Cole, John Mahoney, Tobin Bell, John Heard. Estreia: 09/7/93

3 indicações ao Oscar: Ator Coadjuvante (John Malkovich), Roteiro Original, Montagem

Quando fez o filme "Na linha de fogo", dirigido pelo alemão Wolfgang Petersen, o ator/diretor/produtor Clint Eastwood já tinha 62 anos, ao contrário de sua personagem, o agente do Serviço Secreto americano Frank Horrigan, de cinquenta e poucos. Explica-se: quando o projeto do filme surgiu entre os estúdios de Hollywood (depois de o roteiro passar cerca de uma década flutuando entre um e outro), Robert Redford era o mais cotado para o papel de protagonista. Depois que nomes como Dustin Hoffman e Sean Connery também saíram de cena, o veterano Eastwood embarcou no projeto, levando o diretor Petersen a tiracolo. A entrada dos dois não poderia ter sido mais providencial: com quaisquer outros nomes em seus créditos, é pouco provável que "Na linha de fogo" ficasse melhor do que está. 

Como já dizia Hitchcock, um filme é tão bom quanto seu vilão. E o vilão aqui não está para brincadeiras: vivido por um genial John Malkovich (merecidamente indicado ao Oscar de coadjuvante), Mitch Leary é um dos mais interessantes bandidos do cinema americano dos anos 90, roubando descaradamente todas as cenas em que aparece. Leary é um vingativo ex-funcionário do governo americano que tem como missão de vida assassinar o presidente dos EUA. Para isso - e para sua maior diversão - ele precisa entrar em um jogo de gato e rato com Frank Horrigan (Eastwood), que, em 1963, era responsável pela segurança de John Kennedy. Sentindo-se pessoalmente atacado pelas ameaças de Leary, Horrigan solicita sua volta à equipe de proteção do líder máximo do país, contando com o apoio da bela agente Lilly Raines (Rene Russo).

 

O roteiro de Jeff Maguire - que perdeu o Oscar para o prestigiado "O piano" - é esperto o bastante para jamais subestimar a inteligência da plateia. Horrigan é um homem de idade, e isso é frequentemente lembrado, impedindo-o de assumir o papel de um herói infalível. Até mesmo seu romance com Lilly é plenamente aceitável, uma vez que não é empurrado garganta abaixo do espectador - e a beleza de Rene Russo apenas colabora em seduzir a audiência (em um papel recusado por Glenn Close e Sharon Stone). Mas é seu relacionamento com Mitch Leary quem impulsiona "Na linha de fogo": os diálogos entre os dois protagonistas são tensos e mantem o nível de suspense em alta, até o clímax interessante e eficiente.

John Malkovich - especializado em papéis de vilões - tem em Mitch Leary o papel de sua vida. Mesmo que tenha brilhado intensamente como o Visconde de Valmont em "Ligações perigosas", é na pele do psicótico assassino de "Na linha de fogo" que ele tem a oportunidade de demonstrar toda a extensão do seu talento: irônico, debochado e perigoso - com a ajuda dos vários disfarces proporcionados pela maquiagem - ele transmite toda sua crueldade e a frieza em poucas (mas muito bem declamadas) palavras. Seu olhar desequilibrado encontra na serenidade e na paciência de Clint Eastwood um contraponto perfeito, que empolga o público como poucos policiais - e a renda de mais de 100 milhões de dólares no mercado doméstico apenas comprova este fato óbvio.

Quem gosta de filmes policiais não pode perder "Na linha de fogo". É inteligente, interessante e tenso, intercalando cenas de ação bem dirigidas com diálogos bem escritos e convincentes. Além de tudo, ainda conta com Clint Eastwood - um dos mais confiáveis atores de Hollywood - e John Malkovich na melhor atuação de sua carreira. 

3 comentários:

renatocinema disse...

De forma imperdoável, eu que gosto tanto de filmes policiais, ainda não assisti esse.

Nas férias vou correr atrás do prejuízo.

Hugo disse...

É um filme bem legal, tanto pelo papel de Clint, como do vilão de Malkovich. Mais um vilão para a galeria do ator.

Abraço

Anônimo disse...

Gostei do seu blog, e na verdade acaba de acontecer algo muito "cinematográfico" talvez. Enfim, não vem ao caso. Parabéns, abraço Priscila

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