sábado, 29 de janeiro de 2011

ANTES DO AMANHECER


ANTES DO AMANHECER (Before sunrise, 1995, Castle Rock Entertainment, 105min) Direção: Richard Linklater. Roteiro: Richard Linklater, Kim Krizan. Fotografia: Lee Daniel. Montagem: Sandra Adair. Música: Fred Frith. Figurino: Florentina Welley. Direção de arte: Florian Reichmann. Produção executiva: John Sloss. Produção: Anne Walker-McBay. Elenco: Ethan Hawke, Julie Delpy. Estreia: 27/01/95

Filmes românticos made in Hollywood seguem, via de regra, a mesma estrutura desde tempos imemoriais: rapaz encontra moça, os dois se apaixonam, sofrem as agruras de um amor quase sempre proibido e no final encontram (ou não, se o roteirista tiver instintos sádicos) a felicidade. Normalmente o público sabe o que o espera e nem exige muito mais do que isso. Em compensação, esquece o que viu assim que sai da sala de cinema. Por isso, quando surge um filme como "Antes do amanhecer" há que se soltar fogos de artifício. E por um motivo bastante simples: o roteiro do também diretor Richard Linklater não busca o tentacular, o diferente, o criativo. Mas toca o coração por falar de gente de verdade, com sentimentos reais e não plastificados. E além do mais que atire a primeira pedra quem nunca sonhou em viver um romance como o de Jesse e Celine.

Jesse (vivido por um Ethan Hawke pré-Uma Thurman)é um americano que acabou de ser deixado pela namorada e está voltando aos EUA depois de uma viagem sem destino pela Europa. Celine (a bela e delicada Julie Delpy) é uma jovem francesa que está indo visitar a avó. Os dois se encontram em um trem, conversam, trocam algumas ideias e isso basta para que Celine aceite o convite de Jesse para que desça em Viena e fique conversando com ele até a hora de seu trem de volta pra casa. Na capital austríaca, os dois passam a noite se conhecendo melhor, falando de seus sonhos e objetivos, rindo de seu passado, revelando seus medos e fantasmas... e se apaixonando.



O impressionante no filme de Linklater é a sua opção em não forçar nenhuma situação. Não existe vilões - com exceção do cruel tempo cronológico -, não existem revelações surpreendentes, nem ao menos um final trágico. Jesse e Celine não se apaixonam porque são lindos, maravilhosos, sexies e desejáveis (ainda que o sejam, não fazem caras e bocas para o parecerem). Eles se apaixonam porque se olham nos olhos, porque são verdadeiros um com o outro - o que só é permitido, por assim dizer, porque tem a consciência de provavelmente nunca mais se verão - porque são de países diferentes, com histórias diferentes, com personalidades diferentes. Eles se apaixonam principalmente porque não tem a necessidade de usar máscaras frente um ao outro. É um amor fantasioso? Talvez, porque quantas pessoas você conhece que se conheceram em um trem na Europa? Mas e se não fosse em um trem? E se fosse em um bar, em uma festa, em uma entrevista de emprego? O que importa em "Antes do amanhecer" não é a geografia - ainda que Viena nunca tenha sido tão belamente fotografada - e sim os sentimentos, a paixão, a sensação de que a vida é bela.

Em "Antes do amanhecer" vivenciamos, através de seus protagonistas, aquele desejo que temos de sermos desejados pelo que somos, sem a necessidade de fingir, de criar um personagem, de seduzir deliberadamente. Se como plateia nos é impossível não nos apaixonarmos por Jesse e Celine, como eles não se apaixonariam um pelo outro? E como românticos que somos - ainda que incubados - como não cairmos de amores por sua bela história de amor?

Publicado primeiramente no blog "Lennys' mind" em 01 de fevereiro de 2010.

Um comentário:

Thomás R. Boeira disse...

Antes do Amanhecer é um dos melhores romances que já assisti.

Me marcou bastante por ter sido o primeiro filme que vi com um olhar mais crítico. Mas não há o que críticar neste filme, por que é muito bom.

As atuações de Julie Delpy e Ethan Hawke são magníficas, e o roteiro de Richard Linklater é espetacular.

Agradeço a minha irmã por ter me convencido a assistir ao filme. Não me arrependi.

Abraço,
Thomás
http://www.brazilianmovieguy.blogspot.com/