quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

LENDAS DA PAIXÃO

 

LENDAS DA PAIXÃO (Legends of the fall, 1994, TriStar Pictures, 133min) Direção: Edward Zwick. Roteiro: Susan Shilliday, William D. Wittliff, romance de Jim Harrison. Fotografia: John Toll. Montagem: Steven Rosenblum. Música: James Horner. Figurino: Deborah Scott. Direção de arte/cenários: Lilly Kilvert/Dorree Cooper. Produção executiva: Patrick Crowley. Produção: Marshall Herskovitz, William D. Wittliff, Edward Zwick. Elenco: Brad Pitt, Anthony Hopkins, Aidan Quinn, Julia Ormond, Henry Thomas, Karina Lombard, Christina Pickles. Estreia: 16/12/94

3 indicações ao Oscar: Fotografia, Direção de arte/cenários, Som
Vencedor do Oscar de Fotografia

Se naqueles livros que ensinam como escrever roteiros para cinema existisse um capítulo chamado "Como transformar um livro de homem em uma telenovela para mulheres" provavelmente ele estaria ilustrado com uma foto enorme do filme "Lendas da paixão". Baseado em um romance do escritor Jim Harrison - famoso por criar personagens fortes e rudes, que lidam com as adversidades do mundo rural de forma estóica - o filme de Edward Zwick transformou a história da família Ludlow e suas tragédias em um dramalhão água-com-açúcar cujo principal objetivo parece ser elevar o então ascendente Brad Pitt a astro de primeira grandeza. A julgar pela bilheteria generosa, pelos baldes de lágrimas vertidos pela plateia e pelo sucesso do ator junto ao público feminino, a missão foi plenamente cumprida. Pena que o resultado final enterre o espírito do livro junto com todas as personagens que morrem no decorrer do filme.

"Lendas da paixão" começa no início da I Guerra Mundial, quando o jovem Samuel Ludlow (Henry Thomas, o menininho de "ET", crescido e mau-ator) retorna à fazenda onde vivem seu pai, o Coronel aposentado William Ludlow (Anthony Hopkins) e seus dois irmãos mais velhos, o correto e maduro Alfred (Aidan Quinn) e o selvagem e rebelde Tristan (Brad Pitt). Mesmo ciente das contrariedades do pai a respeito do conflito que começa a tomar o mundo, o rapaz decide alistar-se e partir para a guerra. Para proteger o caçula, tanto Alfred quanto Tristan juntam-se a ele, mas a união aparentemente inquebrantável dos três irmãos sofre um abalo quando Alfred se apaixona por Susanna (Julia Ormond), a noiva de Samuel, que, por sua vez, não resiste aos encantos do indomável Tristan. Quando uma tragédia no campo de batalha muda drasticamente as relações entre Tristan e Alfred, a família inteira se vê envolvida em uma história de amor, lealdade e traição.



É inegável o cuidado da produção: a fotografia deslumbrante de John Toll - premiada com o Oscar - dá o tom exato entre o clima claustrofóbico da guerra e a vastidão das montanhas de Nevada (filmadas no Canadá). A imponente música de James Horner comenta a ação de maneira eficientíssima e a reconstituição de época é discreta e eficaz (não à toa também concorreu ao prêmio da Academia). Mas não dá para ignorar o fato de que Zwick, ao invés de privilegiar a interrelação entre os irmãos preferiu dar vazão ao romance entre Tristan e Susanna. Enquanto Pitt faz pouco mais do que deixar a longa cabeleira ao vento para seduzir a mulherada a péssima Julia Ormond tenta convencer a audiência de que uma mulher tão sem graça e sem carisma possa ter conquistado todos os homens da família Ludlow. Esse defeito é a maior pedra no sapato de "Lendas da paixão" e a que mais atrapalha em suas intenções de ser um trabalho inesquecível.

Projetado como veículo para Sean Connery e Tom Cruise - ou seja, poderia ser muito pior - "Lendas da paixão" é um filme que emociona e enche os olhos. Apesar de Anthony Hopkins estar no pior momento de sua carreira, o elenco conta com o ótimo Aidan Quinn, que tenta dar dignidade e consistência a uma personagem relegada a um melancólico segundo plano - ainda que seja responsável por algumas das mais comoventes cenas do filme. É um dramalhão realizado com tudo de melhor que Hollywood pode oferecer, mas que prefere o caminho mais fácil para atingir seu público. É bonito, mas poderia ter sido inesquecível!

4 comentários:

renatocinema disse...

Eu, fã dessa bela produção, com sofrimento na alma, tenho que concordar com você......"é bonito, mas poderia ter sido inesquecível".

Eu gostei. Mas, realmente poderia ter sido tão sufocante emocionalmente como "Em Algum Lugar do Passado".

Bela visão, sobre um belo filme.

Cristiano Contreiras disse...

Bela visão? O texto aqui é absurdo, rs!

Acho um filme grandioso, emocional e denso. Pitt convence e está muito bem. Ormond pode não ser perfeita, mas não prejudica...e Hopkins muito bem sempre! Gosto do filme, sempre que revejo me toco...e a fotografia premiada é linda!

Discordo integralmente de seu texto, Clenio! rs

abraço

Anônimo disse...

ESSE FILME É SIMPLESMENTE MARAVILHOSO!!!!!!!!!!!!!!

ROSILENE ALVES disse...

ESSE É UM DOS MELHORES FILMES QUE JÁ ASSISTI. SIMPLESMENTE MARAVILHOSO!!!