quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MINHA AMADA IMORTAL

MINHA AMADA IMORTAL (Immortal beloved, 1995, Icon Entertainment International/Majestic Films International, 121min) Direção e roteiro: Bernard Rose. Fotografia: Peter Suschitzky. Montagem: Dan Rae. Figurino: Maurizio Millenotti. Direção de arte/cenários: Jirí Hlupý/John Myhre. Produção executiva: Stephen McEveety. Produção: Bruce Davey. Elenco: Gary Oldman, Jeroen Krabbé, Isabella Rosselini, Valeria Golino, Johanna ter Steege, Marco Hofschneider, Christopher Fulford, Miriam Margolyes. Estreia: 06/01/95

"Minha amada imortal" é o primo pobre de "Amadeus"! Enquanto a obra de Milos Forman sobre Mozart esbanjava opulência, pompa e circunstância, o filme de Bernard Rose sobre um determinado período da vida de Beethoven se concentra menos no visual luxuoso e mais nas relações do compositor austríaco com a família - na figura do irmão caçula e do sobrinho - e com a sociedade de sua época. Ainda que seu pontapé inicial seja historicamente questionável, é pouco provável que o público não se deixe seduzir principalmente pela - mais uma vez - sublime atuação de Gary Oldman no papel principal. Assim como encarnou com veracidade o roqueiro Sid Vicious na cinebiografia "Sid & Nancy, o amor mata", o ator inglês vai muito além do chamado do dever na pele do autor da 9ª Sinfonia, a ponto de ter aprendido a tocar piano com o máximo de precisão possível.

Assim como "Amadeus", "Minha amada imortal" começa com o funeral de Beethoven e a trama desenrola-se justamente a partir da morte do compositor, quando um de seus melhores amigos, Anton Schindler (Jeroen Krabbé) descobre, entre os objetos pessoais do músico um testamento legando todo o seu patrimônio a uma misteriosa mulher chamada apenas de "minha amada imortal" - a quem também é endereçada uma carta de amor. Na tentativa de descobrir quem é essa mulher que conquistou o coração de seu amigo, Schindler chega a duas belas apaixonadas por ele no passado: Giulietta Guicciardi (Valeria Golino), que foi obrigada a abandoná-lo por pressões familiares e a Condessa Anna Marie Erdody (Isabella Rosselini), cuja vida repleta de tragédias pessoais (como a perda de um filho) aproximou-a do artista. A busca de Schindler é intercalada com o retrato da difícil relação de Beethoven com seu irmão, Kaspar (Christopher Fulford) e a esposa deste, Johanna (Johanna ter Steege), com quem ele inicia uma guerra pela guarda do sobrinho, Karl (Marc Hofschneider).


A opção do roteiro do cineasta em manter o foco na busca de Schindler pela amada de Beethoven - ao invés de realizar uma cinebiografia convencional - é louvável, porque impede o filme que caia na extrema superficialidade. No entanto, ao contar uma história não exatamente comprovada, corre o risco de tornar-se uma ficção desvairada. Felizmente Bernard Rose conta com alguns trunfos que fazem toda a diferença: além da impecável atuação de Oldman, o filme apresenta alguns momentos de beleza ímpar (em especial em sua reta final, quando a personagem de Isabella Rosselini lembra da ocasião em que encontrou com o compositor pela primeira vez, em uma sequência belíssima pontuada pela música indescritível da personagem principal).

É também muito interessante salientar o sucesso de Rose em apresentar à audiência algumas passagens da vida de Beethoven que talvez não fossem de domínio público, como a rejeição popular à sua pessoa, os fatos que ocasionaram sua surdez e até mesmo a relação paternal que ele criou com o único sobrinho, em quem ele depositava grande fé artística. É uma pena que o diretor não seja muito bom com atores: se Oldman atinge o equilíbrio perfeito entre todas as nuances de sua personagem (um ser humano repleto de falhas, mas um artista genial), o mesmo não pode ser dito de outros atores. Isabella Rossellini e Jeroen Krabbé defendem bem seus papéis, mas Valeria Golino e principalmente Johanna ter Steege (esta última em um papel crucial) são bastante medíocres, enfraquecendo algumas cenas que, em outras mãos, poderiam elevar a qualidade do resultado final.

Em todo caso, vale a pena assistir-se a "Minha amada imortal". Pela música espetacular, pela história envolvente e surpreendente e principalmente pelo trabalho irretocável de Gary Oldman. Sem comparar com "Amadeus" pode ser um programa interessante.

3 comentários:

Hugo disse...

Passei por este filme nas locadoras diversas vezes e ainda não assisti.

Abraço

renatocinema disse...

Eu gostei do filme, exatamente por ter uma visão pouco "convencional" do que sempre fazem em biografias.

A trilha sonora, que tenho em minha coleção, é espetacular......nota 11.

FLÁVIO CARDOSO disse...

Parabéns Clenio....
Você fez um resumo bem interessante
sobre o filme MINHA AMADA IMORTAL!