quarta-feira

GÊNIO INDOMÁVEL

GÊNIO INDOMÁVEL (Good Will Hunting, 1997, Miramax Films, 126min) Direção: Gus Van Sant. Roteiro: Matt Damon, Ben Affleck. Fotografia: Jean Yves Escoffier. Montagem: Pietro Scalia. Música: Danny Elfman. Figurino: Beatrix Aruna Pasztor. Direção de arte/cenários: Melissa Stewart/Jaro Dick. Produção executiva: Su Armstrong, Jonathan Gordon, Bob Weinstein, Harvey Weinstein. Produção: Lawrence Bender. Elenco: Matt Damon, Robin Williams, Minnie Driver, Stellan Skarsgard, Ben Affleck, Casey Affleck, Cole Hauser. Estreia: 05/12/97

9 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Gus Van Sant), Ator (Matt Damon), Ator Coadjuvante (Robin Williams), Roteiro Original, Montagem, Trilha Sonora Original/Drama, Canção ("Miss Misery")
Vencedor de 2 Oscar: Ator Coadjuvante (Robin Williams), Roteiro Original
Vencedor do Golden Globe de Melhor Roteiro
Vencedor do SAG Awards de Ator Coadjuvante (Robin Williams)

De vez em quando, Hollywood lembra que o público, tão prestimoso em correr às salas exibidoras para testemunhar cenas de ação e violência aos borbotões, também gosta de acompanhar histórias delicadas sobre gente normal cuja maior missão - ao invés de salvar o mundo de uma ameaça terrorista - é definir os rumos que sua vida pessoal irá tomar em relação ao futuro. E é sobre  pessoas normais, comuns, quase invisíveis que trata "Gênio indomável", uma das maiores surpresas da temporada 1997. Escrito por Matt Damon e Ben Affleck, dois atores até então desconhecidos e com pouco mais de 20 anos (que o escreveram como forma de fazer acontecer suas carreiras), o drama produzido pela Miramax Films - o maior fabricante de oscarizáveis da década - é um típico produto feito para encantar os eleitores da Academia e o público adulto fã de boas histórias. Não é inesquecível, mas cumpre muito bem o que promete.

Dando início a uma carreira bem-sucedida, Matt Damon - que concorreu ao Oscar contra veteranos do porte de Dustin Hoffman e Jack Nicholson em uma atuação contida mas muito convincente - vive o protagonista, Will Hunting, um jovem desajustado que, vítima de lares adotivos desfuncionais, expressa toda sua raiva em brigas de rua com seu grupo de amigos. Figurinha fácil nas ocorrências policiais, ele é salvo de ficar na cadeia por Gerald Lambeau (Stelan Skarsgaard), um professor de matemática premiado com medalhas de honra por seu talento. Impressionado com a inteligência extraordinária de Hunting - que trabalha como faxineiro na instituição mas é capaz de resolver os mais complexos problemas matemáticos -  Lambeau se compromete diante do juiz a ajudar o rapaz a encontrar um caminho mais saudável na vida. Para isso, ele conta com a ajuda de Sean Maguire (Robin Williams), um terapeuta que conhece desde a juventude. Viúvo e recluso, Sean tenta fazer com que Will aprenda a lidar com sua fúria inerente e a direcione para uma vida menos sofrida e mais realizada, deixando de lado seus traumas de infância.  Enquanto isso, Will começa a se envolver com a doce Skylar (Minnie Driver), uma jovem estudante de Medicina que tenta romper a barreira emocional que o rodeia.



O roteiro de Damon e Affleck - vencedor de um Oscar questionável, uma vez que o disputou com "Boogie Nights" e "Melhor é Impossível" - não tenta ser espetacular. É redondo, é simples e, acima de tudo, é humano. Mesmo que esbarre em soluções um tanto fáceis e exagere na genialidade de seu protagonista, é um filme que prescinde de elementos outros além de diálogos e atores. Os diálogos são fluentes, inocentes (nas relações entre Will e seus amigos) e por vezes bastante interessantes (como nas cenas entre o protagonista e Sean). Nunca chegam a ser brilhantes, mas são muito superiores à média. E além de tudo, a trama paralela, que envolve a rivalidade entre Lambeau e Maguire é tão poderosa quanto a história principal, graças principalmente às atuações de Stelan Skarsgaard e Robin Williams, o último mais uma vez emprestando um carisma gigantesco a uma personagem - e que lhe rendeu um carinhoso Oscar de ator coadjuvante.

A Academia, aliás, rendeu-se incondicionalmente a "Gênio indomável". Indicado a 9 Oscar - inclusive filme, direção e uma inexplicável lembrança para Minnie Driver como coadjuvante feminina - e premiado com 2 estatuetas (além de Williams o roteiro também foi contemplado), o filme deu ao até então outsider Gus Van Sant a legitimização da indústria. Logicamente, a ousadia presente em filmes como "Drugstore Cowboy" e "Garotos de programa" nem passa perto desse seu filme família, o que incomodou profundamente seus fãs - que ainda teriam que aguentar seu desnecessário remake de "Psicose" e o ultra-meloso "Procurando Forrester". A direção de "Gênio indomável" é quase burocrática, nada inventiva e muito menos corajosa (em sua defesa é preciso dizer que o roteiro também não ajuda nesse quesito...), mas é elegante e dotada de um belo ritmo, além de não atrapalhar no desenvolvimento da história. É um trabalho apenas correto, que não justifica sua indicação ao Oscar (principalmente se levarmos em conta que Paul Thomas Anderson, de "Boogie nights", ficou de fora na categoria).

Enfim, não é preciso ter um cérebro privilegiado para perceber, em "Gênio indomável", uma profusão de clichês. Porém, da forma como colocados pelos roteiristas e pelo experiente Van Sant, eles soam não como lugares-comuns que incomodam e constrangem. Muito pelo contrário, os clichês de certa forma dão unidade ao filme, são como uma espécie de abrigo contra criatividades exageradas. "Gênio indomável" é caloroso, terno e honesto. É um belo conto sobre pessoas corajosas que lutam pelo direito a transformar o seu destino. E por isso emociona tanta gente.

6 comentários:

Hugo disse...

É um filme simpático com personagens bem construídos e sensíveis.

Um dos bons trabalhos de Van Sant.

Abraço

Anônimo disse...

Uma história simples, porém muito bem contada. Ben Affleck é infinitamente melhor atras das câmeras do que na frente delas!

http://filme-do-dia.blogspot.com/

Rafael W. disse...

Achei um dos melhores do Van Sant.É excelente!

http://cinelupinha.blogspot.com/

Thomás R. Boeira disse...

Grande filme!
Eu daria o Oscar pra Gênio Indomável se Titanic não estivesse indicado.

Abraço,
Thomás
http://www.brazilianmovieguy.blogspot.com/

Cristiano Contreiras disse...

Mesmo não sendo obra-prima ou até inferior ao Boogie, este é um tocante trabalho...como disse, é humano e muito sensivel. Acho os oscars merecidos, sim. Até o chatinho do Robin Williams aqui convence.

abraço

Kleber Godoy disse...

Oi,

Gostei muito da postagem!!

Abraços...

Kleber

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