domingo, 24 de abril de 2011

MERA COINCIDÊNCIA

MERA COINCIDÊNCIA (Wag the dog, 1997, New Line Cinema, 97min) Direção: Barry Levinson. Roteiro: Hilary Henkin, David Mamet, livro "American hero", de Larry Beinhart. Fotografia: Robert Richardson. Montagem: Stu Linder. Música: Mark Knopfler. Figurino: Rita Ryack. Direção de arte/cenários: Wynn Thomas/Robert Greenfield. Produção executiva: Michael De Luca, Claire Rudnick Polstein, Ezra Swerdlow. Produção: Robert De Niro, Barry Levinson, Jane Rosenthal. Elenco: Dustin Hoffman, Robert De Niro, Anne Heche, Denis Leary, Willie Nelson, Kirsten Dunst, Woody Harrelson, William H. Macy, James Belushi. Estreia: 25/12/97

2 indicações ao Oscar: Ator (Dustin Hoffman), Roteiro Adaptado
Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim

A vida imita a arte, a arte imita a vida ou o mundo da política é tão previsível que nada mais surpreende o eleitor? Essa é a dúvida que fica no ar após uma sessão de "Mera coincidência", lançado pelo premiado Barry Levinson em dezembro de 1997, no auge do escândalo envolvendo o presidente Bill Clinton e a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky. Porém, apesar do timing perfeito - que beneficiou o filme, m termos de badalação midiática - e da extrema semelhança entre ficção e acontecimentos reais, tudo não passou exatamente de, com o perdão do trocadilho, mera coincidência. Quando Clinton chegou às manchetes, acusado de manter um caso extra-conjugal com Lewinsky, o trabalho de Levinson já estava em fase de pós-produção. Quer se acredite ou não, "Mera coincidência" (título mais apropriado à ironia da questão em si do que ao filme propriamente dito) não é inspirado no governo do marido de Hilary. E isso faz dele ainda mais desconcertante.

Quando o filme começa, o presidente dos EUA está em uma acirrada campanha pela reeleição. Esta campanha - amparada na velha frase Pra que trocar de cavalos no meio da corrida?, oriunda de um discurso de Abraham Lincoln - sofre um abalo considerável quando uma estudante acusa o chefe máximo da nação de tê-la assediado sexualmente. Desesperados para diminuir o estrago, os assessores de marketing da Casa Branca apelam para Conrad (Robert De Niro), especializado em resolver problemas. Conrad, raposa velha dos meios políticos sabe que somente uma coisa rivaliza em interesse com escândalos sexuais uma guerra. Porém, como o país está passando por um período de paz, essa guerra terá que ser criada. Para isso, é chamado Stanley Motss (Dustin Hoffman), um produtor hollywoodiano. Talentoso e criativo, Motss praticamente inventa uma guerra - com direito a imagens falsas, heróis viris, vítimas inocentes e até mesmo uma cançã-tema. Em poucos dias, toda a atenção dos eleitores está nas notícias sobre o conflito entre EUA e Albânia (que não tem a menor ideia do que está acontecendo).



"Mera coincidência" é uma comédia de ironias. Desperta sorrisos, nunca gargalhadas. O cérebro ri mais do que a boca, uma vez que as piadas não são sideradas ou explícitas. Tudo é muito sutil no roteiro inteligente a cargo do dramaturgo David Mamet e de Hilary Henkin - adaptando um romance de Larry Beinhart. As situações criadas por Beinhart são muito mais engraçadas do que as (poucas) piadas, que fazem todo o sentido do mundo para uma audiência acostumada ao mais ridículos absurdos providos pela televisão. A trama, repleta de reviravoltas e surpresas inacredítáveis (mas muito verossímeis) leva as personagens - e o espectador - a situações engraçadíssimas (o herói de guerra escolhido, por exemplo, é um condenado por estuprar uma freira). Até mesmo a canção criada para "embalar" a guerra não deixa de ser hilária, por lembrar nitidamente eventos como os "We are the world" da vida.

Filmado durante um intervalo nas filmagens de "Esfera" - também dirigido por Levinson e estrelado por Hoffman - "Mera coincidência" tem um resultado bastante superior à chata ficção científica do cineasta. É um humor inteligente, adulto e politicamente incorreto. Um filme para ser descoberto.

2 comentários:

renatocinema disse...

Gosto muito desse filme e da combinação entre De Niro e Hoffman.

Belo roteiro.

Pena que a vida, algumas vezes, imita a arte.

Kahlil Affonso disse...

Não conhecia esse filme.

http://filme-do-dia.blogspot.com/