segunda-feira, 7 de novembro de 2011

BEM-ME-QUER, MAL-ME-QUER


BEM-ME-QUER, MAL-ME-QUER (À la folie...pas du tout, 2002, 92 min) Direção: Laetitia Colombani. Roteiro: Laetitia Colombani, Caroline Thivel. Fotografia: Pierre Aim. Montagem: Véronique Parnet. Música: Jérôme Coullet. Figurino: Jacqueline Bouchard. Direção de arte/cenários: Jean-Marc Kerdelhue/Odile Hubert. Produção executiva: Dominique Brunner. Produção: Charles Gassot. Elenco: Audrey Tautou, Samuel Le Bihan, Isabelle Carré, Sophie Guillemin, Clément Sibony. Estreia: 27/03/02

A bela Audrey Tautou teve a sorte e o azar de estrelar o sensacional "O fabuloso destino de Amélie Poulain". Sorte porque o filme de Jean-Pierre Jeunet tornou-se um clássico instantâneo. E azar porque, a partir dele, poderia ficar para sempre presa na imagem icônica da personagem. Uma das primeiras tentativas de fugir dessa armadilha é esse drama que, à primeira vista, é mais um romance água-com-açúcar, mas que aos poucos revela-se bem mais inteligente e surpreendente.

Em "Bem-me-quer, mal-me-quer" Tautou vive Angélique, uma jovem romântica e sonhadora que é apaixonada pelo bem-sucedido cardiologista Luic (Samuel Le Biehn), um homem casado, mais velho e às vésperas de ser pai. Seu amor incondicional a leva a rejeitar as constantes investidas de um pretendente de sua idade e estudante de Medicina. Apesar das evidências que lhe são mostradas dia-a-dia por seus amigos, Angélique acredita piamente que sua paciência será recompensada com a separação de Luic. Quando as coisas começam a demorar a acontecer, no entanto, ela resolve que é hora de agir e apressar os acontecimentos.


A partir daí, o roteiro co-escrito pela diretora Laetitia Colombini mostra que boas ideias são capazes de operar milagres. De uma hora pra outra, o drama romântico vivido por Angélique se torna um suspense imprevisível, valorizada pela competente edição. E é aí, principalmente, que Tautou demonstra que não é atriz de um papel só. Sem estragar nenhuma surpresa, basta dizer que a jovem francesa acaba fazendo praticamente dois papéis distintos e que o final, apesar de um tanto pessimista, deixa o público bastante satisfeito. O uso inteligente de repetições e cortes aparentemente bruscos faz todo o sentido quando finalmente a plateia consegue visualizar o quadro todo e não apenas um pedaço. E, apesar de soar um tanto superficial no estudo da personalidade de sua protagonista, Colombini oferece mais do que simplesmente um drama boboca e corriqueiro.

"Bem-me-quer, mal-me-quer" não é um típico produto francês - e sua própria estrutura fragmentada deve muito ao cinema americano pós-Tarantino (ainda que o estilo exista desde sempre no cinema). Mas é uma alternativa saudável para um público que gosta de sair de vez em quando da dieta tradicional de entretenimento ianque.

Nenhum comentário: