quinta-feira, 5 de abril de 2012

AMOR SEM FRONTEIRAS

AMOR SEM FRONTEIRAS (Beyond borders, 2003, Mandalay Pictures, 127min) Direção: Martin Campbell. Roteiro: Caspian Tredwell-Owen. Fotografia: Phil Meheux. Montagem: Nicholas Beauman. Música: James Horner. Figurino: Norma Moriceau. Direção de arte/cenários: Wolf Kroeger/Jim Erickson. Produção executiva: J. Geyer Kosinski, Roland Pellegrino. Produção: Dan Halsted, Lloyd Phillips. Elenco: Clive Owen, Angelina Jolie, Linus Roache, Teri Polo, Noah Emmerich, Yorick van Wageningen. Estreia: 24/10/03

Em um mundo onde filmes são feitos pelos motivos mais variados, desde egos inflados até por ganância mal dissimulada, não deixa de ser um alívio saber que filmes como esse “Amor sem fronteiras” ainda podem chegar às telas. O diretor Martin Campbell, que já comandou uma aventura de 007, um dos maiores estandartes do cinema como entretenimento, forja aqui uma história de amor, sofrimento e ideais humanitários, sem apelar para efeitos especiais espetaculares e protagonistas com super-poderes. Suas intenções são as melhores, mas nem por isso ele deixa de tropeçar em algumas delas, durante o caminho.
         
Em 1984, em Londres, a bela socialite Sarah Jordan (Angelina Jolie) fica impressionada com a figura de Nicholas Calahan (Clive Owen), um médico especializado em causas humanitárias da Etiópia, que interrompe uma festa de gala para expor a situação do país. Sem conseguir tirar o episódio da cabeça, Sarah resolve ir até à África para ajudar os famintos. A príncipio desencorajada por Nicholas, que vê nela apenas uma moça fútil em busca de aventuras para sua vida tediosa, ela encanta-se com os ideais do grupo liderado pelo médico, mas volta para seu país e seu marido (Linus Roache).

Em 1989, já com um filho e em crise no casamento com o marido desempregado, Sarah volta a demonstrar solidariedade, embarcando para o Camboja para ajudar seu povo, envolvido em uma séria crise política. Dessa vez a atração entre Sarah e Nicholas transforma-se em amor, mas o médico foge do relacionamento, temeroso que o romance possa desviar-lhe dos problemas que ele tenta solucionar. No início dos  anos 90, Sarah, com outro filho, descobre que Nicholas foi pego como refém por terroristas da Chechênia. Decidida a salvar a vida do homem que ama, ela mais uma vez parte atrás dele, correndo sérios riscos de morte.

 

“Amor sem fronteiras” tem inúmeras qualidades: a fotografia de Phil Meheux é deslumbrante, a música de James Horner é apropriada e os problemas sociais mostrados no decorrer do filme são reais e importantes. No entanto, a obra de Campbell esbarra em alguns problemas bastante chatos. Apesar da primeira hora fascinante e de cenas de grande impacto emocional, o ritmo empaca no terceiro ato, e nem a beleza estonteante de Angelina Jolie consegue evitar alguns bocejos. O amor entre os dois protagonistas nunca chega a convencer totalmente, em grande parte devido ao papel reservado ao sempre competente Owen, cujo personagem parece amar mais as causas que abraça do que qualquer pessoa e em parte devido ao pouco tempo dos dois juntos em cena.
        
Mas é preciso levar em conta, apesar disso, as boas intenções do filme, que são extremamente válidas e que foi graças a ele que Angelina Jolie tomou contato com os problemas sociais mostrados, tornou-se embaixadora da ONU e adotou um menino etíope. E a quantos filmes você assiste que são feitos pelos motivos certos?

2 comentários:

Hugo disse...

Concordo com seu texto. A fotografia é de primeira e as intenções são boas, mas a história de amor não convence.

Abraço

Alan Raspante disse...

Achei esse filme tão chato e enfadonho que até o que era pra ser bom eu achei chato...