segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ERIN BROCKOVICH, UMA MULHER DE TALENTO

ERIN BROCKOVICH, UMA MULHER DE TALENTO (Erin Brockovich, 2000, Jersey Films, 130min) Direção: Steven Soderbergh. Roteiro: Susanna Grant. Fotografia: Ed Lachman. Montagem: Anne V. Coates. Música: Thomas Newman. Figurino: Jeffrey Kurland. Direção de arte/cenários: Philip Messina/Kristen Toscano Messina. Produção executiva: John Hardy, Carla Santos Shamberg. Produção: Danny DeVito, Michael Shamberg, Stacey Sher. Elenco: Julia Roberts, Albert Finney, Aaron Eckhart, Peter Coyote, Marg Helgenberger. Estreia: 17/3/00

5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Steven Soderbergh), Atriz (Julia Roberts), Ator Coadjuvante (Albert Finney), Roteiro Original
Vencedor do Oscar de Melhor Atriz (Julia Roberts)
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz/Drama (Julia Roberts)

Depois que voltou ao patamar de estrela absoluta graças ao sucesso de filmes como "O casamento do meu melhor amigo" e "Um lugar chamado Notting Hill", faltava à Julia Roberts provar que, além de ímã de bilheteria ela também sabia atuar e que as indicações ao Oscar por filmes tão díspares como o melodrama "Flores de aço" e o romântico "Uma linda mulher" não haviam sido acidentais. A chance de mostrar à crítica e ao público que ela era acima de tudo uma boa atriz chegou com "Erin Brockovich, uma mulher de talento", dirigido pelo conceituado Steven Soderbergh. O resultado? Ela acrescentou mais um sucesso comercial à sua bem-sucedida carreira (o filme rendeu mais de 125 milhões de dólares só no mercado americano) e, de quebra, levou quase todos os prêmios de interpretação do ano, incluindo aí um Golden Globe e o Oscar.

 Vestida em roupas provocantes e com um vocabulário quase chulo, Roberts é a alma do filme de Soderbergh. Na pele da personagem-título, que existe de verdade e faz uma ponta como garçonete logo no início da projeção, ela demonstra porque é o maior salário feminino de Hollywood, exibindo seu vasto sorriso em momentos-chave e proferindo frases de um roteiro enxuto, escrito por Susanna Grant, que mistura termos legais americanos com bioquímica. Erin Brockovich, a personagem de Julia Roberts é uma mulher duas vezes divorciada, mãe de três filhos pequenos que, em busca de dinheiro para pagar as inúmeras contas que batem à sua porta vai trabalhar no escritório de seu advogado Ed Mesrey (um ótimo Albert Finney, indicado ao Oscar de coadjuvante masculino). A príncipio relegada a segundo plano, logo ela está metida até o pescoço em uma investigação complicadíssima que envolve carbono 6, um elemento altamente prejudicial à saúde que acaba levando seu escritório a desafiar uma empresa milionária.

 

Apesar da premissa um tanto absurda – uma mulher sozinha e sem educação formal desvendando um caso grave de negligência – a história contada por Soderbergh & cia. é real. E mesmo que não fosse, o carisma de sua protagonista é tão grande que provavelmente o público acreditaria nela mesmo assim. Mostrando todas as facetas de seu talento, Roberts parece estar em um daqueles filmes clássicos onde as estrelas tinham à sua disposição projetos para mostrar sua versatilidade. Ela consegue com louvor, sendo melhor que o filme, que, diferentemente das obras anteriores do diretor, sempre ousadas e criativas, usa e abusa do academicismo, o que talvez explique suas várias indicações ao Oscar, inclusive de Melhor Filme e Diretor.

Dirigido sem maiores arroubos de criatividade por Steven Soderbergh (que no mesmo ano comandou "Traffic" e saiu vencedor da festa do Oscar), "Erin Brockovich" segue a cartilha dos filmes do gênero a que pertence. O roteiro, fluente e por vezes bastante divertido, garante o ritmo agradável do filme, que foge do didatismo quase inerente a um projeto que fala de coisas como cromo hexavalente e faz uso de termos legais que são desconhecidos do grande público. Mas, apesar das inúmeras qualidades que o filme de Soderbergh possa ter, o show é de Julia Roberts. Exibindo seu famoso sorriso e suas curvas generosas, Roberts esbanja carisma em um papel feito sob medida para explorar todas as nuances de seu trabalho como atriz. Desenvolta em cenas mais leves, esforçadas em momentos de maior carga dramática, a estrela mais bem paga do cinema americano faturou o Oscar apesar da feroz concorrência de Ellen Burstyn em "Réquiem para um sonho", um trabalho bastante superior mas sem chances frente ao poder desfrutado por Julia, um dos nomes mais populares do cinema americano. Mais uma vez o comercial falou mais alto aos eleitores da Academia.

"Erin Brockovich, uma mulher de talento" é um bom filme, sim, feito com competência e seriedade. Tanto Roberts quanto Albert Finney estão ótimos (assim como o pouco aproveitado Aaron Eckhart) e o tempo passa sem que seja preciso maiores esforços. Mas Steven Soderbergh já foi mais ousado...

2 comentários:

renatocinema disse...

Único filme que respeito Julia Roberts como atriz.

No outros trabalhos, entendo que ela foi apenas mais um "estrela". Aqui não. Ela se entrega ao personagem e fez um belo trabalho.

Hugo disse...

É um filme perfeito para o carisma de Julia Roberts.

Não é um grande filme, mas é competente e vale a sessão.

Há algum tempo a verdadeira Ellen Brockovich tinha um programa num canal a cabo.

Abraço