quinta-feira, 25 de agosto de 2011

QUASE FAMOSOS

QUASE FAMOSOS (Almost famous, 2000, Columbia Pictures/Dreamworks SKG, 122min) Direção e roteiro: Cameron Crowe. Fotografia: John Toll. Montagem: Joe Hutsching, Saar Klein. Música: Nancy Wilson. Figurino: Betsy Heimann. Direção de arte/cenários: Clay A. Griffith/Robert Greenfield. Produção: Ian Bryce, Cameron Crowe. Elenco: Patrick Fugit, Billy Crudup, Jason Lee, Kate Hudson, Frances McDormand, Philip Seymour Hoffman, Anna Paquin, Jimmy Fallon, Fairuza Balk, Noah Taylor, Zooey Deschanel, Rain Wilson. Estreia: 13/9/00

4 indicações ao Oscar: Atriz Coadjuvante(Kate Hudson, Frances McDormand), Roteiro Original, MontagemVencedor do Oscar de Roteiro Original
Vencedor de 2 Golden Globes - Melhor Filme Comédia/Musical, Atriz Coadjuvante (Kate Hudson)

“Não fique amigo de roqueiros!” é o mais importante conselho dado pelo crítico musical Lester Bangs (Phillip Seymour Hoffman) ao adolescente William Miller (Patrick Fugit), às vésperas de o garoto embarcar, aos 15 anos, com a banda de rock Stillwater em sua primeira turnê, entitulada “Quase famosos”. Criado pela repressora Elaine (Frances McDormand), uma professora universitária que conseguiu causar a fuga da filha mais velha devido a suas idiossincrasias - como comemorar o Natal em setembro para fugir do caráter comercial da data - Miller tem a chance, proporcionada pela prestigiada revista Rolling Stone (que nem de longe imagina sua real idade), de acompanhar a excursão da banda para uma reportagem exclusiva. Em poucos dias, o adolescente deixa pra trás uma vida sem graça e tem acesso a um mundo de amor livre, drogas, intrigas e até amor verdadeiro, quando se apaixona por Penny Lane (a graciosa Kate Hudson, filha da atriz Goldie Hawn), uma groupie que esconde quilos de romantismo e ingenuidade debaixo de uma casca de liberalidade e auto-confiança.

William Miller, o adolescente que descobre o amor, o sexo e a vida como ela é no meio de uma excursão de rock é o protagonista de “Quase famosos”, deliciosa comédia escrita e dirigida por Cameron Crowe, em seu filme seguinte ao sucesso de “Jerry Maguire, a grande virada”. Notadamente semi-autobiográfico, seu filme é um vencedor em todos os sentidos. Seu roteiro, vencedor do Oscar, é um achado de bom humor e delicadeza, com diálogos brilhantes, recitados por um elenco excepcional. Sua trilha sonora, como não poderia deixar de ser em se tratando de um filme sobre o rock’n’roll é repleta de pérolas como The Who, Elton John e Simon & Garfunkel e é difícil não se envolver com os personagens criados pela mente ágil e humanista de Crowe, que manteve de seu filme anterior a capacidade de fazer rir e emocionar com facilidade e sem maniqueísmos.


Talvez a maior qualidade de seu roteiro seja fazer dos olhos de William Miller os olhos da plateia. É através do olhar ingênuo e romântico de Miller que o público trava conhecimento com o amor do guitarrista Russell Hammond (o ótimo Billy Crudup) pela música; é graças a seus silêncios que somos testemunhas dos bastidores de um grupo em vias de tornar-se grande; e é por seus olhos encantados de paixão que também caímos de amor por Penny Lane, vivida com graça e carisma por uma Kate Hudson impecável, que foi promovida do papel de irmã do protagonista (que ficou com a ótima Zooey Deschannel) para o principal papel feminino do filme (cobiçado por Kirsten Dunst), ganhou o Globo de Ouro e concorreu ao Oscar de atriz coadjuvante, assim como a colega de elenco Frances McDormand, perfeita como a mãe de Miller e roubando as cenas em que aparece.

Não é sempre que um filme como “Quase famosos” aparece. Lançando um olhar carinhoso à época de ouro do rock (a trama se passa em 1973), Crowe mostra que sabe como poucos onde encontrar material humano no meio de muito som – é dele o roteiro e a direção do subapreciado “Vida de solteiro”, passado em Seattle, berço do movimento grunge do inicio dos anos 90. Não é preciso ser um especialista em rock dos anos 70 para se apaixonar pelo filme – ainda que Crowe tenha espalhado dezenas de referências ao gênero pelo roteiro – nem tampouco ser um roqueiro de fé para se empolgar com o resultado final. Basta gostar de bom cinema. E bom cinema “Quase famosos” é!

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