segunda-feira, 29 de agosto de 2011

TIGERLAND


TIGERLAND, A CAMINHO DA GUERRA (Tigerland, 2000, New Regency Pictures, 101min) Direção: Joel Schumacher. Roteiro: Ross Klavan, Michael McGruther. Fotografia: Matthew Libatique. Montagem: Mark Stevens. Música: Nathan Larson. Figurino: Thomas Stokes. Direção de arte/cenários: Andrew Laws/Shawn R. McFall. Produção executiva: Ted Kurdyla. Produção: Beau Flynn, Steven Haft, Arnon Milchan. Elenco: Colin Farrell, Matthew Davis, Clifton Collins Jr., Tom Guiry, Shea Whigham, Russell Richardson, Michael Shannon, Cole Hauser. Estreia: 06/10/00


Normalmente, quando o diretor Joel Schumacher tem dinheiro em mãos comete bombas como os dois "Batman" com sua assinatura. Quando conta com estrelas do porte de Julia Roberts entrega obras totalmente dispensáveis, como o xaroposo "Tudo por amor". E quando tem roteiros com a griffe John Grisham, varia entre o correto "O cliente" e o quase ótimo "Tempo de matar". Mas é quando surge despretensioso e com um elenco de atores - e não astros - que o cineasta que já realizou o sensacional "Um dia de fúria" - com Michael Douglas em seu melhor trabalho - demonstra que de vez em quando ele sabe ser um bom cineasta.

“Tigerland, a caminho da guerra” é o melhor exemplo dessa teoria. Feito com um orçamento minúsculo, sem alarde e com um elenco praticamente desconhecido, o filme pode não ter feito um sucesso estrondoso – muito longe disso, aliás – mas recolheu elogios calorosos e o que não é nem um pouco ruim, um prêmio da Associação de Críticos de Boston para seu protagonista, o irlandês Colin Farrell. Farrell, estreante em cinema, mereceu o prêmio e os elogios. Com uma postura rebelde na vida real, ele cabe como uma luva no papel de Roland Bozz, um recruta com sérios problemas disciplinares que, no ano de 1971 vai para um campo de treinamento chamado Tigerland, a última parada dos soldados americanos antes de serem enviados para o Vietnã. Líder por natureza, Bozz imediatamente esbarra na autoridade retratada por seus superiores e na antipatia causada entre alguns colegas, que não aceitam sua maneira de lidar com suas idéias pacifistas. Aos poucos, Bozz transforma-se na esperança dos soldados que querem fugir da guerra.



Talvez uma das maiores qualidades de “Tigerland” seja o fato de ele ser um filme de guerra sem guerra. Toda sua trama se passa antes que suas personagens sejam de fato enviadas ao Vietnã, o que passa uma sensação de tensão que normalmente não se vê em produções do gênero. O treinamento de Bozz e seus colegas geram cenas bastante fortes, que nunca fogem do clichê, mas que o utilizam com inteligência e sensibilidade. Essa sensibilidade fica clara em momentos mais emotivos, como as conversas do protagonista com Cantwell (Tom Guiry), jovem que deixou mulher e quatro filhos em casa e um dos líderes do pelotão, Miter (o ótimo Clifton Collins Jr.) que decidiu ir pra guerra para morrer como um homem e provar à família que é corajoso.

"Tigerland" é um pequeno filme de guerra, sem maiores arroubos de criatividade, com qualidades gritantes. A fotografia de Matthew Libatique, o roteiro surpreendente e conciso e a direção sem tiques de Schumacher contam preciosos pontos para seu resultado geral, mas é a empolgante atuação deColin Farrell que o eleva a status de pérola a ser descoberta. Em seu primeiro grande papel, Farrell - uma das maiores promessas do início do século - deita e rola, em uma interpretação na medida exata entre a rebeldia e a doçura. Não fosse o trabalho impecável do ator, era bem provável que esse pequeno drama de guerra passasse absolutamente despercebido.

2 comentários:

renatocinema disse...

Jamais perdoarei o diretor pelo que foi feito em Batman. Uma vergonha.

Jamais.kkk.

Ouvi bons comentários sobre esse filme. Porém, meu perdão e receio são eternos. kk

Anônimo disse...

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