Não deixa de ser irônico que um filme como o primeiro “Pânico”, que em 1997 causou a ressurreição do gênero “terror adolescente” ao usar inteligentemente todos os clichês possíveis e imagináveis tenha se transformando em um objeto do próprio deboche. Ao brincar com a temática de filmes como “Sexta-feira 13” e “A hora do pesadelo” – este último criado pelo mesmo Wes Craven que dirigiu “Pânico” – a obra escrita por Kevin Williamson e comandada por Craven rendeu muito mais do que o esperado e tornou-se uma griffe. Mas o que fazia do primeiro filme uma deliciosa sessão de terror acabou se perdendo no meio do caminho entre o original e este seu terceiro capítulo.
Dessa vez o assassino (ou assassinos) que perseguia a jovem Sidney Prescott (a cada vez pior Neve Campbell) começa a massacrar os atores que filmam “A punhalada 3” – sacaram a ironia óbvia? – que é a segunda continuação de um filme de terror que conta a história mostrada no filme original. As pistas seguidas pelo detetive Mark Kincaid (Patrick Dempsey antes de voltar aos holofotes com a série “Gray’s anatomy”) parecem levar à juventude de Maureen, a mãe de Sidney, que, ao que parece, estava envolvida no mundo do cinema. O principal suspeito dos crimes passa a ser um misterioso produtor (vivido por um constrangido Lance Henriksen). E logicamente, Sidney sai de seu anonimato para ajudar a polícia a capturar o criminosoe reencontra seus amigos, a repórter Gale Weathers (Courtney Cox ainda Arquette) e o policial aposentado Dewey (David Arquette).

O que funcionou às mil maravilhas no primeiro capítulo da série continua: as mortes ainda são violentas e a tensão se mantém ocasionalmente. O que deu certo com reservas na segunda parte ainda existe: as citações à cultura pop e as brincadeiras com celebridades pipocam a cada momento – dessa vez com Carrie Fisher e a dupla Jay & Silent Bob, dos filmes de Kevin Smith. O elenco coadjuvante também tenta salvar a pátria, em especial a sempre divertida Parker Posey, musa do cinema independente americano dos anos 90 que interpreta uma atriz chegada a laboratórios... Mas fica evidente a falta que faz a presença de Kevin Williamson por trás das páginas do roteiro. A metalinguagem, que é interessante em certos momento e simplesmente banal em outros, é exagerada a ponto de diluir o impacto da revelação do nome do criminoso, um final bastante anti-climático que encerra de maneira apenas regular o que poderia ser uma das trilogias mais bacanas do cinema recente - e que ganhou uma nova vida em 2011.
Um comentário:
Acho esse o mais fraco da série.
Brincar com a metalinguagem aqui foi um charme a mais.
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