quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

8 MILE, RUA DAS ILUSÕES

8 MILE, RUA DAS ILUSÕES (8 mile, 2002, Universal Pictures, 110min) Direção: Curtis Hanson. Roteiro: Scott Silver. Fotografia: Rodrigo Prieto. Montagem: Craig Kitson, Jay Rabinowitz. Música: Proof. Figurino: Mark Bridges. Direção de arte/cenários: Phillip Messina/Kristen Toscano Messina. Produção executiva: Carol Fenelon, Gregory Goodman, Paul Rosenberg, James Whitaker. Produção: Brian Grazer, Curtis Hanson, Jimmy Iovine. Elenco: Eminem, Kim Basinger, Brittany Murphy, Michael Shannon, Mekhi Pifer. Estreia: 06/11/02

Vencedor do Oscar de Melhor Canção ("Lose yourself")

Não foi apenas Barbra Streisand quem se surpreendeu. Toda a audiência do Oscar 2003 ficou de queixo caído quando a estatueta de Melhor Canção do ano não foi parar nas mãos dos irlandeses da banda U2 (como era o esperado) e sim na estante de Eminem, um rapper branco criado em Detroit que, a despeito de suas polêmicas (ou talvez por causa delas), já havia vendido milhões de CDS e ganho alguns Grammy. Sua canção, intitulada Lose yourself, fazia parte da trilha sonora de um filme sobre um rapaz pobre, de Detroit, que tenta vencer na vida cantando rap. Qualquer semelhança não é mera coincidência. "8 mile, rua das ilusões" é claramente inspirado na vida de Eminem, que, logicamente, interpreta o papel central.

Jimmy Smith, ou B-Rabbit, como é carinhosamente chamado pela família e pelos amigos mais próximos, é um rapaz cuja vida não é exatamente um mar de rosas. Depois de terminar o namoro e iniciar um pesado trabalho em uma metalúrgica, ele volta a morar no trailer que dividia com sua mãe, Stephanie (Kim Basinger, envelhecida e convincente), tendo que aguentar as provocações do novo amante dela, Greg (Michael Shannon), que estudava na mesma escola que ele. Oprimido por situação financeira, o introvertido Rabbit só encontra voz nas letras de rap que escreve, incentivado por sua turma de amigos, um grupo de rapazes que também não parece ter um futuro promissor. Seu talento para a música o leva a inscrever-se em uma espécie de batalha de cantores de rap, que pode ser o trampolim para seu sucesso. Enquanto isso, se envolve em um hesitante romance com a ambiciosa (Brittany Murphy), que o apresenta aos executivos de uma gravadora.




O Oscar de melhor canção, na verdade, não é a única surpresa em relação a 8 mile. Não deixou de ser inesperado, por exemplo, que seu diretor seja Curtis Hanson, na época em alta dentro da indústria devido ao sucesso de crítica de seus "Los Angeles, cidade proibida" e "Garotos incríveis". Com sua elegância e discrição, Hanson transformou o que poderia ser um filme da semana em um drama interessante e capaz de agradar até mesmo a quem não é fã do gênero musical de seu protagonista. Assumindo um projeto que passou pelas mãos de nomes tão díspares quanto os ingleses Stephen Daldry e Alan Parker, o escocês Danny Boyle e até Quentin Tarantino - que só caiu fora porque preferiu dedicar-se a "Kill Bill" - Hanson mostrou uma versatilidade que iria ainda mais além com o drama feminino "Em seu lugar", feito três anos depois. Mas a maior surpresa foi realmente a atuação de Eminem.

Em seu primeiro filme, o cantor/compositor não faz feio. Mais magro do que normalmente e de cabelos tingidos de preto, ele mostra-se natural, frágil e introvertido, sem a agressividade que transmite em seus shows e videoclipes e convence tanto nas cenas dramáticas quanto nas românticas. Evidentemente, em cima de um palco ele cresce, assim como sua personagem. A direção de Hanson transforma um filme sobre um rapaz em busca de seus sonhos em uma versão rap de um filme de esportes (comparar Jimmy Rabbit com Rocky Balboa não seria um exagero), sem a violência (ou pelo menos com ela bastante resumida) e com um bocadinho de crítica social que foi devidamente ignorada por boa parcela do público que lotou as salas de cinema.

"8 mile, rua das ilusões" talvez seja um filme pouco ambicioso para um diretor com a capacidade de Curtis Hanson, mas é um produto sob medida para seu astro, que aproveitou o ensejo para arrancar elogios da crítica e lançar um CD com a trilha sonora. E, se não bastasse, surpreendeu Barbra Streisand e os fãs do U2.  Nada mal!

Um comentário:

Alan Raspante disse...

Quero ver por conta da Brittany Murphy, rs