terça-feira, 20 de setembro de 2011

AMORES BRUTOS

AMORES BRUTOS (Amores perros, 2001, México, 154min) Direção: Alejandro Gonzalez Iñarritu. Roteiro: Guillermo Arriaga. Fotografia: Rodrigo Prieto. Montagem: Luis Carballar, Alejandro Gonzalez Iñarritu, Fernando Perez Unda. Música: Gustavo Santaolalla. Figurino: Gabriela Diaque. Direção de arte/cenários: Brigitte Broch/Julieta Alvarez. Produção executiva: Francisco Gonzalez Compeán, Martha Sosa Elizondo. Produção: Alejandro Gonzalez Iñarritu. Elenco: Gael Garcia Bernal, Emilio Echevarria, Goya Toledo, Adriana Barraza, Alvaro Guerrero, Vanessa Bauche, Humberto Busto. Estreia: 14/5/00 (Festival de Cannes)

Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

Impressionante como poucos filmes de estreia, o mexicano “Amores brutos” marca como uma cicatriz profunda. Sem preocupar-se a fazer concessões a uma estética americanizada e com uma forte história – ou seriam três? – a ser contada, o filme de Alejandro Gonzalez Iñarritu é um dos melhores produtos cinematográficos do México e nem precisou de um astro internacional ou um orçamento milionário pra isso – vale lembrar que em 2000 Gael García Bernal ainda não era tão famoso como é hoje

Conforme sugere o título original do filme – “Amores perros” – são cães que unem, sutil e habilmente as histórias contadas no genial roteiro de Guillermo Arriaga. Genial porque não tenta forçar a união entre as histórias e mais genial ainda ao contar histórias fortes, com personagens polidimensionais e humanos enfrentando momentos cruciais de suas vidas. Tudo começa com um violento acidente de carro – filmado magistralmente pelas câmeras de Rodrigo Prieto. A partir daí as histórias são contadas, através de um engenhoso flashback que mostra como elas chegaram até ali. A primeira trama a ser mostrada envolve o jovem Octavio (o ótimo Gael García Bernal), um rapaz apaixonado pela cunhada maltratada pelo marido e que utiliza seu cachorro em lutas de cães para arrumar dinheiro e poder fugir com ela. A segunda história é a da bela modelo Valeria (Vanessa Bauche), que ao finalmente conseguir casar-se com o homem que ama, que abandona a esposa para ficar com ela, sofre o tal acidente do início do filme. Sua única companhia em seus momentos de solidão é seu cãozinho de estimação que, ao ficar preso sob seu apartamento causa um acidente ainda mais grave à sua dona. E por fim, mas não menos importante, o ex-guerrilheiro Chivo (Emilio Echeverria), que salva o cão de Octavio de morrer no acidente automobilístico resolve abandonar a vida de mendigo e matador de aluguel para buscar reencontrar a filha que abandonou ainda criança.   


Ao contrário de muitos filmes que se utilizam de histórias fracionadas para exibir um quebra-cabeças frágil e sem substância, “Amores brutos” acredita em seu roteiro e em seus personagens, tão completos e complexos que sustentariam tranqüilamente um filme inteiro. A maneira como personagens aparentemente tão díspares são ligados acaba sendo apenas um mero detalhe em um filme repleto deles, todos tão fascinantes quanto as personalidades retratadas por Arriaga, um observador acurado de seres antes de mais nada extremamente humanos. O paradoxo de utilizar animais como elementos de ligação entre humanos em momentos tão extremos é só mais um artifício utilizado com inteligência pelo roteirista, que em conjunto com o diretor Iñarritu e os editores realizou um dos mais impactantes filmes do cinema contemporâneo mexicano, que revela talentos crus e viscerais.

2 comentários:

renatocinema disse...

Amo esse roteiro, suas viagens.

Trilha sonora impressionante para um filme acima do esperado. Filmaço.

Emmanuela disse...

"Amores Brutos" marca profundamente mesmo, sempre fico impressionada quando vejo. Filme atemporal