terça-feira, 13 de setembro de 2011

ATÉ O FIM


ATÉ O FIM (The deep end, 2001, 20th Century Fox, 101min) Direção: Scott McGeehe, David Siegel. Roteiro: Scott McGeehe, David Siegel, romance "The blank wall", de Elisabeth Sanxay Holding. Fotografia: Giles Nutgens. Montagem: Lauren Zuckerman. Música: Peter Nashel. Figurino: Sabrina Rosen. Direção de arte/cenários: Kelly McGeehe, Christopher Tandon/Nancy Wenz. Produção executiva: Robert H.Nathan. Produção: Scott McGeehe, David Siegel. Elenco: Tilda Swinton, Goran Visjnic, Jonathan Tucker, Peter Donat, Josh Lucas, Raymond J. Barry. Estreia: 21/01/01 (Sundance Festival)

Todos sabem do que é capaz uma mãe para proteger sua cria, e o cinema é pródigo em provar essa teoria em dezenas de filmes. Mais um exemplo dessa afirmação surge em "Até o fim", produção independente dirigida pela dupla Scott McGeehe e David Siegel. Sucesso nos festivais de Sundance e Cannes, o filme dos dois cineastas aborda o tema com uma alta dose de suspense e é embalado por uma inspiradíssima atuação da sempre ótima Tilda Swinton quase uma década antes de seu Oscar de coadjuvante por "Conduta de risco". Australiana revelada ao mundo na adaptação cinematográfica de "Orlando", de Virginia Woolf, Swinton é dona de um rosto anguloso e uma voz grave que a distanciam da beleza de plástico das estrelas hollywoodianas. Por esse motivo - e por seu enorme talento - sua escolha como protagonista de "Até o fim" mostrou-se um tremendo golpe de sorte. Poucas atrizes seriam tão perfeitas no papel principal quanto ela.

Margaret Hall, sua personagem, é uma mulher comum, dona-de-casa dedicada à família, cujo marido está viajando a trabalho e que se vê, repentinamente, às voltas com um problema que é um pesadelo para qualquer mãe. Ao descobrir uma relação homossexual de seu filho Beau (o péssimo Jonathan Tucker) com um homem mais velho e de péssima reputação, o cafajeste Darby Reese (vivido com gosto e cinismo por Josh Lucas), ela tenta separá-los oferecendo dinheiro para isso. Quando o gigolô aparece morto em sua propriedade - depois de um acidente - Margaret entra em pânico e tenta dar um fim ao corpo, julgando que seu filho é o responsável pela morte. As coisas começam a dar ainda mais errado, porém, quando uma fita que mostra o rapaz e a vítima fazendo sexo cai nas mãos de uma dupla de chantagistas que exige 50 mil dólares para não entregá-la à polícia. Enquanto tenta arrumar o dinheiro, ela ainda precisa lidar com a inesperada doença do sogro e com a rotina cotidiana de uma mãe que finge levar uma vida normal. Sua atitude corajosa acaba despertando a simpatia de um dos chantagista, Alek (o galã croata Goran Visnjic), o que acaba os direcionando à mais uma tragédia.



"Até o fim" é um filme de suspense atípico. Evita a violência gráfica o máximo possível, amparando-se basicamente no drama psicológico de sua protagonista, vivida com maestria e sutileza por sua intérprete. Ao utilizar recorrentemente a água - como uma marca registrada da elogiada fotografia azulada de Giles Nuttgens - os diretores imprimem uma assinatura visual que também dá ao filme uma atmosfera onírica e claustrofóbica. O final, agridoce e verossímil, encerra com maturidade um produto que merecia mais sorte do que apenas os elogios que recebeu em festivais de cinema. Para isso, no entanto, teria que apelar para os exageros necessários a um êxito comercial maior. Como está, é apenas um biscoito fino para alguns sortudos que esperam mais de um filme do que apenas sustos ocos.

Um comentário:

renatocinema disse...

Assisti esse filme anos atrás e gostei.

Suspense realmente atípico.

Boa sugestão para quem não assistiu.