quarta-feira, 21 de setembro de 2011

AMORES POSSÍVEIS

AMORES POSSÍVEIS (Amores possíveis, 2001, Brasil, 98min) Direção: Sandra Werneck. Roteiro: Paulo Halm, estória de Maya Werneck Da-Rin. Fotografia: Walter Carvalho. Montagem: Isabelle Rathery. Música: João Nabuco. Figurino: Kika Lopes. Direção de arte/cenários: Claudio Amaral Peixoto. Produção: Sandra Werneck. Elenco: Murilo Benício, Carolina Ferraz, Emílio de Mello, Irene Ravache, Drica Moraes, Christine Fernandes, Beth Goulart. Estreia: 30/3/01

Em 1997 a cineasta Sandra Werneck lançou “Pequeno dicionário amoroso”, uma delicada comédia romântica que investigava as vicissitudes do amor e contava com a sorte de ter a excelente Andréa Beltrão como protagonista feminina. Quatro anos depois, ela volta a falar do fogo que arde sem se ver em “Amores possíveis”, novamente uma comédia romântica, mas dessa vez seguindo um roteiro que lembra, em alguns momentos, o drama “De caso com o acaso”, estrelado por Gwyneth Paltrow em 1998. Ao brincar com as possibilidades que o destino apresenta na vida das pessoas, a diretora apresenta a seu público um filme simpático e surpreendente, ainda que superficial em determinados momentos.

Quando o filme começa, o jovem Carlos Eduardo (Murilo Benício) está esperando, ansioso, em uma noite de chuva, pela chegada da namorada em um cinema do Rio de Janeiro. Quinze anos depois, três possibilidades de desfecho para esse encontro frustrado podem acontecer. Na primeira história, Carlos é um empresário que vive um casamento morno com Maria (Beth Goulart), reencontra Júlia (Carolina Ferraz), seu antigo amor, que formou-se em História da Arte e inicia com ela um romance extra-conjugal. Na segunda possível relação, Carlos abandonou Júlia e seu filho pequeno, Lucas, para viver com outro homem, Pedro (Emílio de Mello), seu amigo do futebol. E na terceira chance, o rapaz é um bon vivant que ainda mora com a mãe (Irene Ravache) e, ao recorrer a um serviço de “almas gêmeas” dá de cara com Júlia, uma tresloucada versão de sua antiga namorada.


Ao utilizar elementos em comum nas três histórias (além do casal central a personagem de Emílio de Mello aparece em todas elas, em graus variados de homossexualidade assumida), o roteiro versa sobre o dia-a-dia com bom humor, uma dose de veracidade e muito romantismo, sem apelar para o piegas ou o exagerado. Porém, enquanto Murilo Benício se mostra desenvolto nas três faces de sua personagem, sua parceira de cena deixa a desejar como atriz. Carolina Ferraz desfila sua beleza clássica pela tela, mas demonstra sem dúvida sua fragilidade como atriz, ainda que isso não seja catastrófico a ponto de destruir o filme, mesmo porque Irene Ravache brilha em cada cena em que aparece como a supermãe dedicada e escandalizada com a vida desregrada do filho. Sua participação é a mais engraçada (ainda que a pequena aparição de Drica Moraes também empolgue), contrabalançando a razoável polêmica da história de amor gay (cujos diálogos são bastante fortes, em especial quando declamados por Júlia) e da seriedade do romance adúltero do primeiro Carlos Eduardo.

“Amores possíveis” é um interessante produto do cinema nacional do início do século XX, quando ainda se procurava um caminho para as bilheterias. É feito com competência, seriedade, inteligência e talento. E ainda por cima começa com a bela “Dueto” – interpretada por Chico Buarque e Zizi Possi – ou seja, já ganha a audiência na abertura. Vale a pena conhecer!

Um comentário:

Kell disse...

Esse filme nacional é muito bom!
Eu recomendo!
Adorei a resenha! :)
beijos,
Kell ^^