Certas atrizes têm o dom de transformar o que poderia ser apenas um produto rotineiro de entretenimento em algo acima da média. Uma dessas atrizes é Cate Blanchett. Mesmo em papéis ingratos em filmes menores, a australiana consegue sobressair-se incólume e em alguns casos até mesmo salva produções que sem ela mal seriam lembradas pela maioria dos espectadores. É o caso de “O dom da premonição”, um suspense interessante e bem realizado, mas que, sem sua presença luminosa, seria apenas mais um exemplar de um gênero pouco dado a apresentar obras-primas
À frente de um elenco de astros de grandezas variadas – a oscarizada Hilary Swank em um papel inadequado, o péssimo Keanu Reeves surpreendendo positivamente, o desajeitado Giovanni Ribisi com um personagem carismático, a jovem Katie Holmes em papel ousado e diferente do que fez até então e o simpático canastrão Greg Kinnear tentando dar veracidade a um personagem ingrato – Blanchett sobressai-se sem precisar de muito esforço. No filme de Sam Raimi – às vésperas de encarar sua primeira grande super produção, o blockbuster “Homem-aranha” – ela vive Annie Wilson, uma dona-de-casa, viúva e mãe de três filhos que complementa a renda familiar dando consultas como vidente em uma pequena cidade pantanosa do interior dos EUA. Ajudando seus vizinhos e amigos, principalmente o traumatizado mecânico Buddy (Giovanni Ribisi), ela ainda sofre ameaças de Donnie Barksdeale, um violento marido de uma cliente, Valerie (vividos por Keanu Reeves e Hilary Swank). Sua vida sofre uma reviravolta quando uma jovem da alta classe da cidade, Jessica King (a sempre insossa Katie Holmes) desaparece misteriosamente. Procurada por Wayne Collins, o noivo da moça (papel de Greg Kinnear), que é o diretor da escola onde estudam seus filhos, Annie não consegue negar ajuda, mas acaba colocando sua própria vida em risco.

Co-escrito pelo ator Billy Bob Thornton, o roteiro do filme de Raimi não apresenta grandes novidades, principalmente aos aficcionados do gênero. Nem mesmo a surpresa final chega a ser impactante, apesar do final reservado à personagem de Giovanni Ribisi chegar a ser interessante e emocionante. No entanto, graças à direção criativa de Raimi, que tenta fugir sempre que possível do previsível – apesar de nem sempre conseguir -, ao trabalho superlativo de Blanchett e à trilha sonora de Christopher Young, mantém a atenção até o minuto final, o que não pode ser dito de todos seus congêneres.
Um comentário:
Apesar de ser uma obra menos conhecido de Raimi, acaba sendo um bom misto de suspense com drama que vale a sessão.
Abraço
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