quinta-feira

ALIENS, O RESGATE


ALIENS, O RESGATE (Aliens, 1986, 20th Century Fox, 137min) Direção: James Cameron. Roteiro: James Cameron, história de James Cameron, David Giler e Walter Hill, personagens criados por Dan O'Bannon e Ronald Shusett. Fotografia: Adrian Biddle. Montagem: Ray Lovejoy. Música: James Horner. Figurino: Emma Porteous. Direção de arte/cenários: Peter Lamont/Crispian Sallis. Produção executiva: Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill. Produção: Gale Anne Hurd. Elenco: Sigourney Weaver, Carrie Henn, Michael Biehn, Lance Henriksen, Paul Reiser, Bill Paxton, William Hoppe. Estreia: 18/7/86

7 indicações ao Oscar: Atriz (Sigourney Weaver), Montagem, Trilha Sonora, Direção de arte, Som, Efeitos Sonoros, Efeitos Visuais
Vencedor de 2 Oscar: Efeitos Sonoros, Efeitos Visuais


Em 1979, o filme "Alien, o oitavo passageiro" empolgou plateias do mundo inteiro ao misturar com equilíbrio perfeito elementos de ficção científica com ingredientes de filmes de terror. O resultado foi uma bilheteria espantosa, sucesso de crítica e um inevitável segundo capítulo. Dirigida por James Cameron - vindo do grande êxito de "O exterminador do futuro" - , a continuação do filme de Ridley Scott abandonou a sensação claustrofóbica do original, substituindo-a pelas melhores cenas de ação que o dinheiro poderia comprar. Perdeu em tensão, mas ganhou em adrenalina. Os fãs do gênero formaram filas enormes, profundamente satisfeitos.

A trama desse segundo filme se passa cerca de 50 anos depois dos acontecimentos que levaram a Tenente Ripley (Sigourney Weaver) a testemunhar a aniquilação de seus companheiros de tripulação por um alienígena truculento e aparentemente invencível. Encontrada por uma nave de resgate, logo ela fica sabendo que o planeta que originou o monstro está colonizada pela Terra e, quando todo e qualquer contato com os humanos que o habitam é perdido, ela é enviada para descobrir o que aconteceu e, se for necessário, exterminar os algozes dos colonizadores.


Tudo em "Aliens, o resgate", é grande. A duração (mais de duas horas), os efeitos visuais, a violência. Navegando tranquilamente em sua tradicional mania de grandeza, Cameron oferece ao espectador um verdadeiro espetáculo de entretenimento. Seguindo a linha oposta ao trabalho de Ridley Scott - que optou pela sugestão em detrimento do explícito - o futuro vencedor do Oscar por "Titanic" não tem medo de orquestrar sequências de ação eletrizantes e de apavorar o público com criaturas asquerosas em número suficiente para justificar o Oscar de efeitos visuais que acabou conquistando. E além de tudo ainda encontra tempo para sentimentalismos, ao criar uma personagem que dá a Ripley um lado humano que lhe cai muito bem: uma menina órfã que vê na protagonista a figura materna que necessita para manter-se viva e amada.

É fato notável que a relação entre Ripley e sua pequena "filha" dá um gás novo e uma nuance inesperada que permite a "Aliens, o resgate" fugir da maldição das continuações. Humanizar Ripley foi um golpe de mestre de Cameron, que a aproxima mais da plateia antes de fazê-la barbarizar seus antagonistas, além, é claro, de permitir a Sigourney Weaver maiores vôos dramáticos de atuação - não à toa, ela foi surpreendentemente indicada ao Oscar por seu trabalho em um gênero que normalmente não é muito afeito a dramas pessoais.

"Aliens, o resgate" é o mais bem-sucedido comercialmente da série lançada em 1979, mas fica aquém do original no quesito suspense. É um extraordinário filme de ação, realizado com uma competência assustadora e talentos criativos inegáveis, que deixaria o mundo com água na boca, esperando um terceiro capítulo que, lançado em 1992, decepcionou público e crítica mesmo voltando às origens claustrofóbicas de sua origem.

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