segunda-feira, 12 de julho de 2010

A TESTEMUNHA


A TESTEMUNHA (Witness, 1985, Paramount Pictures, 112min) Direção: Peter Weir. Roteiro: Earl W. Wallace, William Kelley, história de William Kelley, Pamela Wallace, Earl W. Wallace. Fotografia: John Seale. Montagem: Thom Noble. Música: Maurice Jarre. Direção de arte/cenários: Stan Jolley/John Anderson. Casting: Dianne Crittenden. Produção: Edward S. Feldman. Elenco: Harrison Ford, Kelly McGillis, Lukas Haas, Danny Glover, Josef Sommer, Viggo Mortensen, Patti LuPone. Estreia: 08/02/85

8 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Peter Weir), Ator (Harrison Ford), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Direção de arte
Vencedor de 2 Oscar: Roteiro Original, Montagem

Em 1985, Harrison Ford estava na crista da onda. Na pele de Han Solo e Indiana Jones, ele lotava cinemas mundo afora e arrancava suspiros da ala feminina do público. O que lhe faltava então, a aceitação da crítica e o respeito de seus pares, chegou até ele através de um policial honesto, sério e dedicado chamado John Book, que, como protagonista do filme "A testemunha", lhe proporcionou inclusive uma inédita - e até hoje única - indicação ao Oscar de melhor ator.

Dirigido pelo australiano Peter Weir, "A testemunha" é um drama policial com toques românticos que conquistou a plateia justamente pelo perfeito equilíbrio entre esses gêneros, além de acrescentar à receita um interesse extra: o modo de vida dos amish, um grupo religioso que vive em um mundo à parte, indiferente aos avanços da tecnologia. Ao contrário de aparecer em cena como coadjuvantes folclóricos e/ou exóticos, eles são parte essencial da narrativa, ao mesmo tempo empolgante e terna concebida pelos roteiristas premiados com o Oscar da categoria.

A história de "A testemunha" começa com um violento assassinato ocorrido no banheiro masculino de uma estação de trens. Dois homens cortam a garganta de um terceiro e o crime tem apenas uma testemunha: o pequeno Samuel (Lukas Haas) assiste ao homicídio escondido e assustado. Quem é escalado para interrogá-lo é justamente o John Book vivido por Harrison Ford, um policial solitário e esforçado que, de caçador passa ao status de caça quando descobre que os responsáveis pelo crime são dois colegas de delegacia corruptos. Para recuperar-se de um tiro e proteger sua pequena testemunha, Book esconde-se em uma comunidade hamish - totalmente isolada da "civilização", sem telefone, televisão ou mesmo luz elétrica - e acaba se envolvendo na rotina de seus moradores. Para complicar ainda mais as coisas, ele se apaixona por Rachel (Kelly McGillis), a bela mãe de Samuel, recentemente viúva.


É fascinante observar a maneira como o roteiro consegue entrelaçar a trama policial com a história de amor entre Book e Rachel, sem jamais deixar de lado o choque entre culturas, que é o que lhe dá o sabor especial. A primeira metade do filme se concentra em estabelecer os perigos que irão perseguir os protagonistas - e para isso conta com as atuações excelentes de Danny Glover e Brent Jennings. A segunda parte se dedica a mostrar as relações de John Book com uma cultura completamente oposta à sua, com a bela Rachel e com o encantador Samuel, que vê nele a figura paterna de que necessita depois da morte do pai. E apesar da história policial ser forte o bastante para justificar um filme inteiro, é o encontro entre o cosmpolita detetive com a comunidade hamish que fica na memória da plateia.

A química entre Harrison Ford e Kelly McGillis é responsável pelo sucesso da história de amor contada em "A testemunha". A tensão sexual existente entre os dois é palpável e jamais chega sequer perto da vulgaridade - apesar de McGillis mostrar os seios em uma bela cena, são os olhares repletos de desejo trocados entre o casal que falam mais forte do que o único beijo que os une, já na reta final da projeção. Também é de destacar-se a sequência em que eles dançam no celeiro, que transmite mais paixão e desejo do que horas e horas de closes de corpos suados e ofegantes.

Dono de um invejável equilíbrio entre todas as suas linhas narrativas e de um casal de protagonistas bonito e talentoso, "A testemunha" mereceu todo o sucesso conquistado - chegou mesmo a concorrer aos Oscar de filme e direção. Pode não ser o melhor filme de Harrison Ford, mas deu a ele a oportunidade de provar que é bem mais do que um arqueólogo galã.

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