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AMOR À PRIMEIRA VISTA


AMOR À PRIMEIRA VISTA (Falling in love, 1984, Paramount Pictures, 106min) Direção: Ulu Grosbard. Roteiro: Michael Cristofer. Fotografia: Peter Suschitzky. Montagem: Michael Kahn. Música: Dave Grusin. Figurino: Richard Bruno. Direção de arte/cenários: Santo Loquasto/Steven Jordan. Produção: Marvin Worth. Elenco: Robert De Niro, Meryl Streep, Harvey Keitel, Jane Kaczmarek, Dianne Wiest, Jesse Bradford. Estreia: 21/11/84

Um dos erros mais recorrentes dentro da indústria de Hollywood tem a ver com a confiança excessiva dos executivos em relação a determinados astros e estrelas. Nem sempre atores e atrizes consagrados conseguem passar por cima de um roteiro frágil e sem criatividade. E isso é claramente visível em "Amor à primeira vista", um romance açucarado e sem muito conteúdo que apostou suas fichas apenas no talento inquestionável de sua dupla de protagonistas, Robert DeNiro e Meryl Streep. Por melhores que eles sejam, no entanto - e eles o são - mesmo assim não foram capazes de salvar o filme do belga Ulu Grosbard, que naufragou nas bilheterias e não foi feliz nem mesmo nas cerimônias de premiação de 1984. A razão para tamanha decepção? A história fraca e mal desenvolvida, que não permite a dois dos maiores atores do cinema americano a chance de brilharem como devem - e podem.

A história de "Amor à primeira vista" se passa em Nova York e começa em uma véspera de Natal. Atrapalhados com seus inúmeros pacotes e sacolas de compras, o engenheiro Frank Raftis (DeNiro) e a design Molly Gilmore (Streep) se esbarram em uma livraria e, por engano, levam um o presente do cônjuge do outro. Se encontrando no trem algumas ocasiões depois, eles acabam se tornando uma espécie de amigos, até que se descobrem apaixonados um pelo outro. No entanto, ambos são casados e seus relacionamentos são fortes o bastante para impedí-los de consumar seu caso extra-conjugal. Quando ele aceita uma proposta de trabalho em Washington, porém, a urgência de seus sentimentos começa a falar mais alto.


O maior problema de "Amor à primeira vista" é a quase frieza do relacionamento entre seus protagonistas. Grosbard não é feliz em transmitir o sufocamento que a paixão causa em Frank e Molly, que, ao invés de parecerem angustiados com sua situação pouco invejável de amor proibido, soam como um casal quase indiferente ao nascimento de seus sentimentos. Também não convence a solidez de suas relações matrimoniais - especialmente o casamento de Molly, que em nenhum momento justifica sua renúncia à paixão por Frank. Somente no ato final do filme as coisas começam a parecer mais com "Desencanto", de David Lean, do que com qualquer novela de televisão - e mesmo assim, devido ao talento de Streep e DeNiro, que tentam tirar leite de pedra, tornando crível um texto sem maiores lances de criatividade e emoção.

No fim das contas, "Amor à primeira vista" é apenas um romance correto, com pouco sal, mas ainda assim capaz de comover os corações mais sensíveis e apaixonados. Mas de que o casal central de atores - repetindo a parceria de "O franco-atirador" - merecia bem mais que isso, não há dúvida.

4 comentários:

Paulo Rideaki disse...

Qdo vi o seu blog fiquei fascinado!
E logo pensei vou segui-lo pois quando quiser assitir um filme legal vou poder ler teus comentários!
Mas a questão é voce assiti todos os filmes que estão descritos no seu blog?
Voce deve ter uma cabeça incrivel, uma forma de apreciar a vida de forma cinematografica,literalmente falando!
Parabéns!

André disse...

Amor a primeira vista.
Já revi várias vezes.
Amor a primeira vista pelo blog também.
Farei muitas visitas.

Anônimo disse...

Não concordo c vc a respeito de “Amor a primeira vista”! Existe uma sutileza que a maioria das pessoas n percebe e é exatamente essa a sensação a ser provocada: não acontece o q deveria acontecer logo, por que? Porque sim! E aí demonstrava a Sutileza, delicadeza da construção de cada personagem central!
Realmente n concordo c vc!

Clenio disse...

Anônimo, que bom que podemos discordar. Gosto do filme como um todo, mas realmente não consigo me conectar com a intensidade que gostaria. Abraços.

JADE

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