domingo, 4 de julho de 2010

BROADWAY DANNY ROSE


BROADWAY DANNY ROSE (Broadway Danny Rose, 1984, Orion Pictures, 84 min) Direção e roteiro: Woody Allen. Fotografia: Gordon Willis. Montagem: Susan E. Morse. Figurino: Jeffrey Kurland. Direção de arte/cenários: Mel Bourne/Les Bloom. Casting: Juliet Taylor. Produção executiva: Charles H. Joffe, Jack Rollins. Produção: Robert Greenhut. Elenco: Woody Allen, Mia Farrow, Nick Apollo Forte. Estreia: 27/01/84

2 indicações ao Oscar: Diretor (Woody Allen), Roteiro Original

Depois de ser extremamente elogiado com "Zelig", um dos melhores filmes de sua carreira, Woody Allen resolveu que queria fazer uma comédia italiana ao estilo dos anos 50. Contando com o apoio de seu habitual diretor de fotografia Gordon Willis - que compreendeu exatamente o sentido da coisa toda, em termos pictórios - ele realizou então "Broadway Danny Rose", um feliz encontro entre a latinidade passional dos "carcamanos" com a intelectualidade sarcástica dos nova-iorquinos típicos.

Danny Rose (interpretado por Allen com a costumeira eficácia) é um agente de talentos cujos clientes estão longe de ser superstars: um escultor de balões, um hipnotizador ineficiente e um maestro de passarinhos estão em seu rol de contratados. Sua maior dedicação, no entanto, é ao cantor Lou Canova (Nick Apollo Forte), que teve seu momento de glória no passado e deseja voltar aos holofotes. Justamente na noite em que irá fazer uma apresentação que poderá devolver-lhe ao sucesso, Lou tem uma briga homérica com sua amante, a egoísta Tina Vitale (Mia Farrow) e exige que Danny a convença a assistir ao show, mesmo sabendo que sua mulher estará presente. Na tentativa de convencer a irredutível Tina, o agente acaba sendo confundido como seu amante pela vingativa família italiana de um apaixonado pela moça. Perseguido por gângsters e tentando arrastar a amante de seu agenciado para seu show, ele nem de longe desconfia que está sendo traído por ele, que, por intermédio de Tina, tenciona trocá-lo por um agente mais bem-relacionado.



Apesar de não ser um dos mais brilhantes trabalhos de Woody Allen, "Broadway Danny Rose" seduz por seu humor inteligente e pela imprevisibilidade de seu roteiro. Ao contar duas histórias paralelas - sua aventura com Tina e a traição de Lou - o cineasta/roteirista mistura gêneros com uma familiaridade invejável. Ainda que nem sempre funcione à perfeição - as cenas de ação soam um tanto forçadas - o desenvolvimento da história contada por ele (através da narração de um grupo de agentes que conheceu o protagonista) é suficientemente interessante para não deixar a peteca cair em momento algum - e para isso colabora muito a química perfeita entre ele e Mia Farrow.

Assim como acontecia com Diane Keaton em seus filmes anteriores, Allen encontrou em Farrow a musa perfeita de sua obra. Na pele de Tina Vitale, a atriz entrega um trabalho de composição que foge do seu padrão de atuação até então. Espalhafatosa, vulgar e sem um pingo de classe, sua Tina é uma espécie de mãe da Linda Ash que Mira Sorvino defendeu em "Poderosa Afrodite", dez anos mais tarde. Munida de um indefectível par de óculos escuros e um penteado exagerado, Farrow brilha como nunca e eleva a qualidade do filme, assim como Allen e um surpreendente Nick Apollo Forte - em um papel para o qual o cineasta pensou em Sylvester Stallone.

Dentre tantas obras-primas criadas por Woody Allen, "Broadway Danny Rose" quase se perde. Mas não deixa de ser admirável perceber que mesmo em seus filmes menos brilhantes ele consegue manter um nível de excelência com que a maioria dos cineastas apenas sonha

Um comentário:

pseudo-autor disse...

Esse está na minha lista de filmes não-vistos do Woody allen. Já li muito críticas positivas a seu respeito, mas ainda não o conferi. Estou devendo essa ao Woody.