sexta-feira, 16 de julho de 2010

DE VOLTA PARA O FUTURO


DE VOLTA PARA O FUTURO (Back to the future, 1985, Universal Pictures, 116min) Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Bob Gale, Robert Zemeckis. Fotografia: Dean Cundey. Montagem: Harry Keramidas, Arthur Schmidt. Música: Alan Silvestri. Figurino: Deborah L. Scott. Direção de arte/cenários: Lawrence G. Paull/Hal Gausman. Casting: Jane Feinberg, Mike Fenton, Judy Taylor. Produção executiva: Kathleen Kennedy, Frank Marshall, Steven Spielberg. Produção: Neil Canton, Bob Gale. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover, Thomas F. Wilson, Billy Zane. Estreia: 03/7/85

4 indicações ao Oscar: Roteiro Original, Canção ("The power of love"), Som, Efeitos Sonoros
Vencedor do Oscar de Efeitos Sonoros


Comprovando de vez o toque de Midas de Steven Spielberg, capaz de transformar qualquer produto com seu nome em uma máquina de fabricar dinheiro, a comédia de ficção científica “De volta para o futuro” rendeu mais de 200 milhões de dólares nos EUA, tornando-se a maior bilheteria de 1985. E sabe o que é mais surpreendente? Mereceu cada centavo. Ao contrário de dezenas de produções menos inspiradas que aportam nas telas de cinema semanalmente, o filme de Robert Zemeckis – protegido de Spielberg e diretor do hilariante “Febre de juventude” – tem um rasgo de inteligência, bom humor e auto-ironia que o separa quilometricamente de seus congêneres.

Estrelado por Michael J. Fox (saído da série de TV “Caras e caretas” e que substituiu Eric Stoltz a meio caminho), “De volta para o futuro” é um filme de ação delirante, uma comédia engraçadíssima e, por que não?, uma ficção científica com fundo romântico e nostálgico que agrada pais e filhos. É pouco provável que alguém não vá se divertir assistindo a saga de Marty McFly (J. Fox) na sua missão de, em pleno 1955, juntar seus pais em um baile de formatura e assim impedir sua existência em 1985 de desaparecer como se nunca tivesse existido.

Ok, vamos às explicações: Marty é um adolescente de 17 anos que sonha em tornar-se guitarrista famoso e vive com uma família absolutamente sem-graça. Seus pais vivem discutindo, seus irmãos não têm ambição e sua vida é definitivamente comum. Tudo muda quando seu amigo, o cientista Doc Brown (Christopher Lloyd, em uma atuação siderada) lhe apresenta sua nova invenção: uma máquina do tempo construída em um DeLorean. Por problemas que envolvem terroristas líbios, combustível feito de plutônio e um relógio na torre de um prédio, Marty acaba sem querer indo parar em outubro de 1955, às vésperas do baile de formatura onde seus pais trocaram seu primeiro beijo. Por uma ironia do destino, no entanto, sua mãe, Lorraine (Lea Thompson), nem de longe tão certinha quanto sempre quis parecer ser diante dos filhos, se interessa por ele e Marty tem então que fazê-la apaixonar-se por aquele que virá a ser seu pai, George McFly (o ótimo Crispin Glover). O problema é que George é desengonçado, tímido, atrapalhado e fã de livros de ficção científica, além de ser eternamente humilhado pelo grandalhão Biff (Thomas F. Wilson). A missão do adolescente Marty acaba se tornando de vida ou morte. Se seus pais não se apaixonarem, nem ele nem seus irmãos existirão mais.


O alucinante do roteiro de Zemeckis e Bob Gale (indicado merecidamente ao Oscar) nunca deixa o ritmo cair. De piada em piada (desde o choque de gerações até piadas mais visuais) o filme vai construindo uma trama consistente apesar da premissa um tanto absurda, apesar de engraçada. Colabora para a atemporalidade do filme - que, ao contrário de muitos filmes realizados à mesma época - sua caprichada direção de arte e o cuidado com os detalhes, um padrão de qualidade da "marca" Spielberg. Mas, além do roteiro exemplar e da admirável parte técnica, é o carisma de Michael J. Fox e sua química com seus colegas de elenco que dão sustentação a todo o projeto.

Apesar de já não ser um adolescente durante as filmagens de "De volta para o futuro", Fox convence plenamente na pele de Marty McFly, assim como o fazem Crispin Glover e Lea Thompson como seus pais - Glover inclusive parece ter nascido para o papel, em uma atuação ao mesmo tempo hilariante e patética. E Christopher Lloyd, como o amalucado Doc Brown entrega um dos trabalhos mais populares de sua carreira no cinema, iniciada com o dramático "Um estranho no ninho".

Tudo em "De volta para o futuro" colabora para o clima exato de Sessão da Tarde com pipoca e guaraná pretendido pelo diretor Zemeckis e pelo produtor Spielberg. As aventuras de Marty e Lloyd rendeu duas continuações, nenhuma tão boa quanto a primeira, ainda que longe de serem ruins. É uma diversão inofensiva que resiste bravamente ao tempo, mantendo-se tão deliciosa hoje quanto há 25 anos.

Nenhum comentário: